ESPORTES
A Reforma Tributária Pode Destruir o Esporte Brasileiro Fora do Futebol Bilionário
ESPORTES
O governo federal vende a reforma tributária como um marco de modernização econômica, simplificação fiscal e justiça tributária. No papel, o discurso parece sedutor. Na prática, porém, quando aplicada ao esporte brasileiro, a proposta revela um cenário alarmante: ela cria um sistema que privilegia o futebol-empresa e condena o esporte formador, olímpico e social à asfixia financeira.
A partir de 2027, o Brasil poderá assistir à institucionalização de um modelo perverso: clubes transformados em empresas pagarão menos impostos do que entidades que historicamente sustentaram atletas olímpicos, categorias de base e projetos sociais em todo o país.
E isso não é exagero retórico.
É matemática tributária.
O Debate Ganhou um Novo Símbolo: Leila Pereira
A discussão ganhou ainda mais força após a declaração da presidente da Sociedade Esportiva Palmeiras, Leila Pereira, em defesa do modelo SAF e do aumento da tributação para clubes associativos.
Durante entrevista à Cazé TV, Leila afirmou:
“Tudo o que for para influenciar e fazer com que os clubes se transformem em empresas, eu estou de acordo. ‘Ah, mas as associações vão pagar mais.’ Que paguem mais. Não quer pagar mais? Transforme-se em SAF.”
A frase escancarou aquilo que muitos dirigentes de clubes formadores já enxergavam nos bastidores:
a reforma tributária está deixando de ser apenas uma mudança fiscal e passando a funcionar como mecanismo de pressão estrutural para empurrar o futebol brasileiro rumo à “empresarialização” completa.
A mensagem implícita é direta:
“O modelo associativo tornou-se um problema a ser eliminado.”
E isso representa uma ruptura histórica no esporte brasileiro.
O Estado Está Punindo Quem Forma Atletas
Hoje, os clubes associativos — como Clube de Regatas do Flamengo, Sport Club Corinthians Paulista, Minas Tênis Clube, Esporte Clube Pinheiros e tantos outros — operam em um modelo híbrido.
O futebol profissional financia modalidades deficitárias, mas essenciais para o esporte nacional:
natação, ginástica, judô, vôlei, atletismo e esportes paralímpicos.
É o chamado subsídio cruzado.
Foi esse modelo que ajudou o Brasil a produzir medalhistas olímpicos, atletas pan-americanos e milhares de jovens que encontraram no esporte uma alternativa à criminalidade e à exclusão social.
A reforma tributária ignora completamente essa realidade.
Ao elevar a carga dos clubes associativos de cerca de 5% para algo próximo de 16%, o governo retira diretamente recursos que hoje mantêm centros de treinamento, bolsas esportivas, salários de técnicos, viagens e infraestrutura esportiva.
Na prática, Brasília está tributando o futuro olímpico do país.
A SAF Vira o Modelo “Premiado” Pelo Sistema
Enquanto os clubes associativos sofrerão uma avalanche tributária, as SAFs continuarão protegidas por um modelo significativamente mais vantajoso.
O Regime de Tributação Específica do Futebol (TEF) mantém alíquota reduzida para estruturas empresariais do futebol profissional.
O resultado cria uma distorção evidente:
- o clube que mantém esportes olímpicos, projetos sociais e categorias de base poderá pagar quase três vezes mais;
- já estruturas voltadas prioritariamente ao futebol-negócio continuarão inseridas em um ambiente tributário favorecido.
A fala de Leila Pereira praticamente legitima essa lógica ao defender explicitamente que o aumento de impostos seja usado como ferramenta de transformação forçada dos clubes.
O problema é que essa lógica ignora uma pergunta central:
quem sustentará o esporte olímpico brasileiro quando os clubes associativos perderem capacidade financeira?
Porque a SAF não nasce para manter modalidades deficitárias.
Ela nasce para gerar eficiência econômica no futebol.
E são coisas completamente diferentes.
O Discurso da “Compensação por Créditos” Não Se Sustenta
O argumento técnico utilizado para defender a reforma é que os clubes poderão recuperar parte da tributação através dos créditos do IBS e da CBS.
Na teoria, parece razoável.
Na prática esportiva, é quase uma ficção contábil.
Clubes associativos arrecadam grande parte de suas receitas através de:
- bilheteria;
- mensalidade de sócios;
- programas de associados;
- escolinhas;
- atividades esportivas.
Essas receitas geram baixa recuperação de créditos.
Quem possui maior capacidade de compensação tributária são estruturas empresariais com cadeias complexas de fornecimento, contratos corporativos robustos e operações comerciais amplas.
Ou seja:
o modelo SAF.
O sistema foi desenhado para favorecer estruturas empresariais.
Não entidades esportivas de função social.
O Governo Está Tratando Clubes Formadores Como Empresas Comuns
Existe uma diferença fundamental entre um clube esportivo associativo e uma empresa tradicional:
um deles possui função social.
Clubes formadores:
- desenvolvem atletas desde a infância;
- mantêm modalidades deficitárias;
- oferecem inclusão social;
- representam o Brasil internacionalmente;
- reduzem impactos sociais em comunidades vulneráveis.
Taxar essas entidades como agentes econômicos comuns é um erro estratégico de Estado.
Mais grave ainda: é uma demonstração clara de desconexão entre política fiscal e política esportiva. O Brasil não possui estrutura pública suficiente para substituir o papel exercido pelos clubes na formação esportiva. Se essas entidades perderem capacidade financeira, não haverá rede estatal pronta para absorver esse vazio.
O Impacto Pode Ser Irreversível
O risco mais grave da reforma não está no futebol profissional. Está no desaparecimento silencioso de modalidades olímpicas inteiras. Menos recursos significam:
- fechamento de departamentos esportivos;
- cortes em categorias de base;
- redução de bolsas;
- fuga de talentos;
- abandono de projetos sociais;
- enfraquecimento dos clubes regionais e sociais do interior.
Os primeiros atingidos não serão os gigantes bilionários. Serão justamente os clubes médios e formadores que sustentam a base do esporte brasileiro longe dos holofotes. O país pode voltar décadas no desenvolvimento esportivo.
Uma Reforma Que Contradiz o Interesse Nacional
O mais contraditório é que o próprio Estado brasileiro utiliza constantemente o esporte como ferramenta institucional:
- campanhas sociais;
- programas educacionais;
- diplomacia esportiva;
- inclusão juvenil;
- projeção internacional.
Mas, simultaneamente, cria um sistema tributário que enfraquece quem sustenta essa estrutura na prática. A reforma tributária, da maneira como foi construída para o setor esportivo, não promove justiça. Promove concentração.
- Concentra recursos no futebol empresarial.
- Enfraquece o esporte social.
- Penaliza clubes formadores.
- E ameaça diretamente o futuro olímpico brasileiro.
O Congresso Ainda Pode Evitar Esse Erro Histórico
A mobilização de dirigentes, atletas olímpicos e entidades como o Comitê Brasileiro de Clubes não é corporativismo.
É sobrevivência institucional.
Quando medalhistas olímpicos alertam para os riscos da reforma, não estão defendendo privilégios.
Estão alertando para a destruição gradual da principal base esportiva do país.
O Congresso Nacional ainda possui tempo para corrigir essa distorção através de:
- imunidade tributária específica para clubes formadores;
- tratamento diferenciado ao esporte olímpico;
- preservação fiscal das entidades esportivas sem fins lucrativos;
- mecanismos de proteção às categorias de base;
- reconhecimento formal da função social dos clubes associativos.
Sem isso, o Brasil caminhará para um modelo onde apenas o futebol bilionário sobreviverá.
E o custo dessa escolha será pago não pelos dirigentes — mas por gerações inteiras de atletas que talvez nunca tenham a oportunidade de existir.
ESPORTES
São Paulo perde para o Boca Juniors por 1 a 0 na Bombonera pelas quartas da Sul-Americana
O São Paulo saiu derrotado por 1 a 0 pelo Boca Juniors na noite desta terça-feira (08-09), em La Bombonera, em Buenos Aires, no jogo de ida das quartas de final da Copa Sul-Americana. O Tricolor ainda desperdiçou duas chances claras no primeiro tempo, com Luciano e Calleri, e viu Miguel Merentiel, ex-Palmeiras, marcar o gol dos donos da casa.
O resultado deixou o time brasileiro em situação delicada. Para avançar às semifinais no tempo normal, o São Paulo precisará vencer por dois ou mais gols de diferença no duelo de volta, marcado para a próxima terça-feira (15), às 21h30 (de Brasília), no Morumbis. Em caso de empate no placar agregado, a classificação será decidida nos pênaltis.
O vencedor do confronto entre Boca Juniors e São Paulo enfrentará, na semifinal, o ganhador do duelo entre Santa Fe-COL e Vasco. O Cruzmaltino segurou um empate sem gols mais cedo nesta terça-feira, em Bogotá.
O jogo
A partida começou movimentado. Aos 11 minutos, Marcos Antônio encontrou Luciano com um bom passe, e o camisa 10 bateu colocado da entrada da área, com a bola desviada para escanteio. Dois minutos depois, Artur cruzou e Calleri se antecipou à marcação para cabecear, mas mandou longe do gol.
Aos 16 minutos, o São Paulo quase abriu o placar. O Boca saiu jogando errado, Iago ficou com a bola e alçou para dentro da área. Luciano apareceu sozinho para cabecear, mas Montero fez grande defesa e espalmou para escanteio. Aos 22, Paredes tentou de primeira da entrada da área e mandou à esquerda do gol. Aos 30, Iago foi à linha de fundo e cruzou rasteiro para o meio; Calleri pegou de primeira, mas não acertou bem a bola e finalizou para fora.
Com 34 minutos, o Boca chegou com perigo pela primeira vez. Blanco tabelou com Flores, recebeu de volta, acelerou, invadiu a área e finalizou forte, por cima do gol de Rafael.
Segundo tempo
O Boca assustou aos quatro minutos, com Di Lollo subindo de cabeça na primeira trave e mandando por cima do travessão. Aos seis, veio o gol: Blanco cruzou para o meio, Merentiel dominou tirando a marcação de Arboleda e finalizou para defesa de Rafael. No rebote, dentro da pequena área, o uruguaio estufou as redes e inaugurou o marcador.
O São Paulo tentou reagir. Aos 16 minutos, após bate e rebate na área, Domingos Duarte finalizou para defesa de Montero. Aos 21, Calleri cabeceou e entregou nas mãos do goleiro. Aos 27, o Boca quase ampliou com Velasco, que arriscou chute forte de fora da área, rente à trave, mas para fora. Por volta dos 30 minutos, Domingos Duarte foi expulso por falta em Paredes no meio-campo, mas o árbitro retirou o cartão vermelho após revisar o lance no VAR.
Pelo Campeonato Argentino, o Boca Juniors volta a campo na sexta-feira (11), às 21h30 (de Brasília), para receber o Central Córdoba, na Bombonera, pela nona rodada. Já o São Paulo enfrenta o Palmeiras no sábado (12), às 18h30 (de Brasília), no Nubank Parque, pela 27ª rodada do Campeonato Brasileiro.
Claro! Aqui está a tabela da partida em formato de texto:
FICHA TÉCNICA
Boca Juniors 1 x 0 São Paulo
- Competição: Copa Sul-Americana (quartas de final – jogo de ida)
- Local: La Bombonera, em Buenos Aires (ARG)
- Data: 08 de setembro de 2026 (terça-feira)
- Horário: 21h30 (de Brasília)
- Cartões amarelos: Enner Valencia (Boca Juniors); Calleri e Dorival Júnior (São Paulo)
- Cartões vermelhos: Nenhum
- Gol: Merentiel, aos 06 minutos do 2º tempo (Boca Juniors)
Arbitragem
- Árbitro: Piero Maza (CHI)
- Assistentes: José Retamal (CHI) e Miguel Rocha (CHI)
- VAR: Fernando Vejar (CHI)
Escalações
Boca Juniors: Alvaro Montero; Lozano, Di Lollo, Herrera e Blanco; Ascacíbar, Paredes e Tomás Belmonte; Alan Velasco (Enner Valencia), Flores e Merentiel (Villa). Técnico: Rodolfo Arruabarrena
São Paulo: Rafael; Arboleda, Domingos Duarte e Sabino; Lucas Ramon, Pablo Maia (Newton), Marcos Antônio (Danielzinho) e Iago; Artur (André Silva), Luciano (Gustavo Santana) e Calleri (Ferreira). Técnico Dorival Júnior
Fonte: Esportes
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