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Marcelo Porto Carrero

Um Governo de Oposição

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Marcelo Porto Carrero

Já vi acontecer por aqui oposição a governo, o que é comum nas democracias, mas governo de oposição será a primeira vez.

Pensando bem, é lógico que isso aconteça neste momento de turbulência política no Brasil. Afinal, o que temos como futuro governo é uma troupe de comparsas em razão das intimidades e referências comuns com processos arquivados, raras condenações e, quem diria, absurdas descondenações dos crimes cometidos.

Não será lógico inexistirem surpresas com a montagem do eventual futuro governo a cada pronunciamento sobre a composição do ministério que o comporá?

Senão, vejamos o que já temos definido: Para a pasta da Fazenda um auto-declarado incompetente para o cargo e personificado como o poste nº 1 do sujeito ungido presidente pela dupla STE/STF, em clara demonstração de desprezo pelas leis que regem o país e por seu futuro como nação independente; para a Justiça e Segurança Pública, tudo junto e misturado, um comunista de carteirinha em consonância com a mesma e previsível estratégia; na Casa Civil, uma receita certa em reconhecimento aos serviços prestados durante a pandemia na “aplicação” dos recursos financeiros disponibilizados pelo governo federal; para a Defesa, um contumaz aprovador de contas da thurma e figurinha fácil em todo e qualquer governo, um verdadeiro camaleão e por ultimo, a presidência do BNDES, sobre esse não vale a pena sequer tecer comentários, nem precisa, o mercado já deu seu recado. Com isso, já dá para entender tudo mais que vem por aí.

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É isso, nada mais que mais do mesmo, só que agora com os requintes autoritários do STF, isso de acordo com a parceria (não seria submissão?) sugerida pelo futuro ministro da Justiça e Segurança Pública.

Pelo visto o já curvado Legislativo se postará de joelhos frente a acima anunciada parceria com uma novidade, o futuro chefe do Executivo sendo alçado a ajudante de ordens dos supremos, posto serem estes seus fiadores. Então, será que “o tal cara” não vai se submeter a quem o segura pelo rabo invertendo a lógica aplicada pelo STF ao atual Presidente da República desde que se entenderam os croupiers das cartas do jogo? Será?

Enfim, tudo indica, teremos pela frente um governo de oposição à moral, ao civismo, ao patriotismo, aos bons costumes, à propriedade e segurança privadas, aos cultos religiosos, à liberdade de expressão e etc.

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Marcelo Porto Carrero

Mensagem aos jovens incrédulos

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Mensagem aos jovens incrédulos

Estou envelhecendo. Por isso posso dizer com tranquilidade: ah, os jovens, são quase todos incrédulos. Sei disso porque estive lá, exatamente onde eles agora estão.

Aos vinte, eu não duvidava que a velhice existisse. Ela existia na minha frente, na minha casa. Meus avós estavam lá. Viviam e representavam muito para mim. Eu os amava, os respeitava. O que, no fundo, não acreditava era que um dia eu seria o velho. Que um dia seria aquele a ter que enfrentar, sozinho, a diferença entre viver e significar.

Quando se é jovem, viver basta. O significado vem de brinde. A gente mal acorda e já significa para alguém, para os pais, para os amigos, para a cidade. Na velhice, a conta se inverte. Continuamos vivendo, com saúde, com lucidez, mas a pergunta diária já não é o que vou viver hoje, e sim o que do que vivi continua significando. E para quem.

É nessa inversão que o jovem não crê. E não o culpo. Nossa cultura inteira o ensina a não crer.

Vivemos num país que esconde seus velhos. Transformamos a juventude em mercadoria e a velhice em bastidor. O velho não aparece no anúncio, não aparece no feed, a não ser como piada ou como peso. Empurramos nossos velhos para casas separadas, para assuntos separados, para horários separados. E depois nos surpreendemos quando um jovem não consegue conversar com um idoso.

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Eu faço parte de uma multidão que o Brasil ainda finge não ver. A população idosa de 60 anos ou mais cresceu de 22 milhões para 34,1 milhões entre 2012 e 2024. Hoje, já somos 16% da população. E as projeções do IBGE indicam que em 2070 seremos quase 40%, ou seja, um em cada três brasileiros. Não somos mais uma minoria que precisa de cuidado, somos o futuro demográfico do país.

No entanto, continuamos sendo tratados como se fôssemos uma outra espécie, como alguém já escreveu. O mercado nos chama de inativos, mesmo quando um em cada quatro de nós ainda trabalha. A tecnologia nos chama de analfabetos digitais, mesmo quando somos nós que mantemos tantas famílias e tantas cidades do interior do país de pé.

O que meus avós me ensinaram, sem nunca dizerem com essas palavras, é que envelhecer não é parar de viver, é mudar a forma de significar. Eles não significavam porque eram produtivos, significavam porque eram referência. Eram o lugar onde a história da família pousava. Hoje, sou eu que tento ser esse lugar para meus netos. Não tento competir com o jovem em velocidade, tento oferecer a ele o que a velocidade não dá: consciência e continuidade.

E é por isso que a incredulidade dos jovens me preocupa. Não por vaidade. Quando um jovem não consegue se imaginar velho, ele tem dificuldade de fazer projetos longos. Para que poupar, para que cuidar da saúde, para que preservar um rio, uma rua, uma amizade de cinquenta anos, se o seu eu aos setenta anos lhe parece um estranho? O etarismo que hoje me exclui de certas conversas começou muito antes, na incredulidade daquele jovem de 20 anos que eu mesmo fui.

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Poucos se dão conta disso a ponto de aceitar. A maioria não entende o que o passar do tempo realmente faz e, por isso, não se vê lá com a clareza necessária.

Aos 72 anos, eu entendo o que ele, o tempo, faz. Ele não leva tudo embora, como os jovens temem. Ele leva o ruído e deixa o essencial. Ele me tirou a pressa de viver e me deixou a urgência de significar.

Se me permitem um conselho — os velhos servem para isso —, eu diria aos jovens: não acreditem em nós quando dizemos que envelhecer é ruim. E não acreditem no espelho que diz que vocês serão jovens para sempre. Perguntem aos seus velhos não só como eles viveram, mas o que ainda os faz querer significar hoje. Vocês vão se surpreender ao descobrir que o velho que vocês serão um dia já está esperando por vocês, com a mesma incredulidade e com a mesma esperança.

Eu estive lá. Vocês ainda chegarão aqui. Façam da vida um bom caminho!

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