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Marcelo Porto Carrero

O Limite do Quadrado de Cada Um

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Marcelo Porto Carrero

O Limite do Quadrado de Cada Um

Parece que o limite de cada um deixou de ser regra e passou a ser exceção.

Prova disto é termos um legislativo que cede os seus, um governo que não os tem e um judiciário que não os respeita.

Uma vez assim entendido o assunto, é muito provável que o mesmo aconteça nas instâncias inferiores dos três poderes da República, replicando as já frequentes interpretações financeiras, políticas e técnicas, nesta ordem de prioridade, por eleitos e nomeados – togados ou não – e, quem sabe, até concursados, para fazer o contrário do que deveriam.

Falar em toga me faz lembrar uma frase de Musônio Rufo, um estoico, para quem a filosofia não consiste em exibição externa, mas em prestar atenção ao que é necessário e estar consciente disso.

A interpretação mais adequada de suas palavras consiste em que não é a vestimenta que faz o monge, nem a toga o juiz, muito menos um facelift, tão em moda no meio político, entre influencers, artistas e socialites, faz a real beleza.

Uma pessoa digna não é identificada pelo que possui, aparenta ter ou pensa ser.

Só existe uma maneira de se fazer reconhecer, e esta é pelo caráter.

Quanto a outras formas de reconhecimento, não se iluda; elas todas são parecidas com a fábula do escorpião com a rã, aquela em que ele pede para ser levado ao outro lado do rio prometendo não aplicar sua picada fatal.

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Em nosso caso, a eventual analogia se aplica à causa da morte do modelo da democracia clássica ateniense ou, em outras palavras, à falácia da sociedade globalista, a tal Nova Ordem Mundial, incentivada e financiada pela “elite poderosa” à semelhança da que os atenienses diziam ser o câncer da sociedade e que, por incrível que pareça, permanece sendo o vetor do mal e não sua cura.

Recentemente, vimos algo semelhante acontecer nas decisões tomadas por organizações, foros e conselhos mundiais no enfrentamento da virose que, desconfia-se, possa ter sido produzida em laboratórios custeados por governos e instituições progressistas.

A falta de caráter foi o que nos trouxe ao caos em que nos metemos. O que leva a considerar que escorpiões existem de todos os tipos, tamanhos e formas.

Hoje, as razões de existirem esses artrópodes políticos parecem ser as mesmas, dadas as formas de atuação e modificações paulatinamente introduzidas por eles através das ampliações do pseudo escopo humanitário que buscam implementar a título de evolução, mas que não passam de reformas social-globalistas.

Provas disso são fáceis de perceber; basta olhar para o desregrado acolhimento de pessoas oriundas de países ex-colônias europeias, gente de boa fé mas também de interesses escusos, que acabaram por minar a estabilidade socioeconômica de seus antigos colonizadores, tal qual uma ampulheta sendo revirada, onde o que estava por cima parece estar se colocando no lado de baixo.

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O certo não deveria ter sido reduzir os movimentos migratórios através de investimentos consistentes e definitivos em suas regiões de origem desde os tempos em que eram colônias das potências europeias?

Não seria essa a ação que evitaria a reação e as consequências para quem voltou a perder a razão ao se expor abertamente a uma droga cuja dosagem está se tornando veneno?

O que fazem instituições como a ONU, com seus 193 países membros; BRICS, composto por 5 membros fundadores e outros tantos agregados; o MERCOSUL, com 4 países-membros e 5 países membros-associados; a UE (União Europeia), que conta com 27 países membros, a dona da casa, por assim dizer; o WEF (Fórum Econômico Mundial), cujos 22 conselheiros nada propõem de concreto para solução das desigualdades que trouxeram a esta situação; e a OMS (Organização Mundial da Saúde), com 194 estados-membros, para quem a saúde parece não passar pelas desigualdades, vez que só busca remediar o que deveria ser evitado?

Que dizer então das outras tantas organizações, tais como: ONGs, OSCIPs, etc., que existem no mundo? Para que foram criadas e por que ainda não há solução de continuidade na miséria do mundo?

Isso tudo sem falar das organizações, alianças e tratados militares, que congregam países com objetivos comuns de defesa e, porque não, ocupação de espaço.

Não será porque querem mesmo é invadir o quadrado do outro quando dizem o contrário?

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Marcelo Porto Carrero

A Postura de André Mendonça

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A Postura de André Mendonça

This is the Way não é um slogan. É uma âncora ontológica. Traduzido ao pé da letra, é “Este é o caminho”. Mas “Como deve ser” é mais devastador. Mais brasileiro. Mais verdadeiro.

Se Din Djarin, o protagonista da série The Mandalorian, da Disney, tivesse uma toga do Supremo, ele se chamaria André Mendonça. Na série, quando perguntam se ele concluiu a missão, ele não diz um “sim” elaborado. Diz apenas: como deve ser.

No STF, o lema seria o mesmo. Quando pressionado, quando encurralado pela máquina, quando a PGR pede, a Polícia Federal avança e os corredores do STF cochicham, a resposta dele não seria um parecer de 30 páginas. Seria uma postura.

Como deve ser.

Não por teimosia. É o Credo. É a verdade sobre o que, como e por que a coisa deveria ser feita.

O que deveria ser feito: guardar a Constituição, não a conveniência.

Enquanto a Corte foi se transformando em palco de inquéritos sem fim, de investigações de ofício e de censura travestida de defesa da democracia, a postura adequada de um ministro não é negociar o texto. É guardá-lo. Protegê-lo.

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Mendonça faz o que deveria ser feito. Ele vota como deve ser. Ele pede vista como deve ser. Ele diverge como deve ser. Num tribunal onde a maioria já decidiu que o processo é o inimigo a ser destruído, ele é o único que ainda respeita o rito. Este é o ato mais revolucionário possível.

Como deveria ser feito: sem espetáculo, sem tuíte, sem vazamento.

Os inimigos dele no STF, na PGR e na Polícia Federal operam como deve ser no novo sistema: operação na madrugada, com nota na imprensa e manchete no Jornal Nacional.

Mendonça opera como deve ser no sistema antigo, no correto. Silencioso. Nos autos. Com voto técnico. Sem performance para a claque. Sem recado para a mídia.

É a ética mandaloriana aplicada à toga: o trabalho não precisa de plateia. Precisa de integridade. Quando todos querem holofote, ele é o único que ainda lembra o que é ser juiz. O único que fica na sombra do processo. Restrito.

Por que deveria ser feito: porque alguém precisa não só dizer, mas também mostrar que o correto existe e persevera.

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Quando a PGR se torna partido de acusação política e a Polícia Federal se torna braço de inquéritos atípicos, o Supremo precisa de um homem que lembre que existe um caminho. Um caminho onde o direito de defesa ainda existe. Onde juiz não investiga. Onde o Ministério Público não milita. Onde a polícia não escolhe alvo por ideologia.

A postura firme de Mendonça é devastadoramente conclusiva exatamente por isso. Ele não discute. Ele não entra no jogo dos inimigos. Ele apenas afirma, com cada voto vencido, com cada divergência solitária:

Existe um jeito certo. E eu vou fazê-lo como deve ser.

E quando a história desse período for escrita, não vai importar quantas operações foram deflagradas ou quantos inimigos se levantaram contra ele no plenário. Vai importar quem manteve o Credo.

Como deve ser.

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