CUIABÁ
Search
Close this search box.

Marcelo Porto Carrero

Fé, esperança e amor

Publicado em

Marcelo Porto Carrero

Pois é, dias atrás escrevi um artigo falando sobre a falta de eventos midiáticos que tratem de assuntos outros que não sejam os males que nos afligem nos últimos tempos. Pois não é que me aparece pela frente um filme de 2013, portanto, uma década atrás, ou seja, não tão novo, que trata exatamente dos três sentimentos que sumiram das mídias, quais sejam, fé, esperança e amor

O título dado ao filme em português foge de sua tradução literal e em nada se refere ao tema que abrande onde perambulam os juízos que encerra em sua história. Em nossa linguagem o título ficou sendo – Parada inesperada -, quando ao pé da letra deveria ser Encontrando Normal

Normal é o nome real de uma pequena cidade do estado de Illinois, nos EUA, onde acontecem as principais cenas do filme, o que a mim emprestou sentido contemporâneo da situação em que vivemos apesar de tudo se passar em lugar tão pequeno e aparentemente insignificante aos olhos distraídos de quem costuma apenas assistir filmes para passar o tempo, sem qualquer interesse com seu conteúdo

Leia Também:  Ministra Rosa Weber encerra o ano com esperança de mais tolerância e respeito

O conteúdo a que me refiro é a mensagem que qualquer evento midiático transmite, justamente a causa dos efeitos catastróficos que nos tem atingido desde que houve a mudança dos reais objetivos dos meios de comunicação que invadem nossos espaços, sejam eles o doméstico, onde trabalhamos, alimentamos ou nos divertimos. No entanto, o que temos visto ultimamente não tem nada a ver com isso, aliás, é exatamente o oposto.

Nesse sentido, é digno de destaque o esforço do site Brasil Paralelo, que procura trazer ao público o tipo de mensagem a que me refiro como necessária e que a muito tempo é desestimulada, se não desconsiderada, pelos controladores da informação ou, como queiram, os atuais formadores de opinião, esses que compõem os grupos de ataque à moral e aos bons costumes com suas idiossincrasias midiáticas

Resumindo, exageram tanto em as subversões da realidade, que os grandes conglomerados do setor de entretenimento como a Disney, Netflix e Prime Vídeo estão vendo seus filmes e séries lacradoras serem cada vez mais desprestigiados. Tanto, que a Disney já vem reduzindo pessoal e novas atrações a um bom tempo, dizem até que está a venda com a Apple interessada em sua compra para investir no setor com o objetivo de diversificar seus negócios, entretanto, com outra estratégia comercial. Do outro lado, as duas plataformas de streaming Netflix e Prime Vídeo, estão padecendo com prejuízos atrás de prejuízos ao insistirem em filmes, séries, documentários e programas de TV focados na desconstrução da história, da moral, dos bons costumes, ou seja, dos três sentimentos citados no primeiro parágrafo deste texto, A FÉ, A ESPERANÇA E AMOR.

Propaganda

Marcelo Porto Carrero

A Excrescência na Excelência

Publicados

em

Por

A Excrescência na Excelência

Existem momentos em que a palavra excelência se confunde e até se funde com outra: excrescência. É quando ficamos em dúvida se é a pessoa ou o que ela faz que constitui uma excrescência, vez que vem de quem se acha excelência. Seria o caso de haver excelência em excrescência? Essa dúvida se justifica no que estamos vendo no poder público de hoje. Quem se acha excelência, na verdade, tem tudo de excrescência.

Existem momentos em que o vocabulário trai o personagem. Excelência e excrescência. Duas palavras que se olham no espelho e quase se tocam na grafia, mas que moram em universos morais opostos. E é justamente quando elas se confundem que entendemos o tempo em que vivemos.

Vamos à raiz, porque a língua não mente.

Excelência vem de excellere: elevar-se, sobressair-se, ir além. Supõe esforço, disciplina, qualidade. Excelência não se declara, se reconhece. Ela é silenciosa, porque o próprio trabalho fala por ela.

Excrescência vem de excrescere: crescer para fora, de forma desordenada, supérflua. Na medicina, é tumor, verruga, o que cresce sem função. No corpo social, é aquilo que incha sem alimentar, que ocupa espaço sem ter serventia. É o excesso que não serve, só aparece.

Leia Também:  O 7 de setembro e as Forças Armadas

O problema começa quando alguém confunde um movimento com o outro. Quando acha que crescer para fora é o mesmo que elevar-se. Quando confunde visibilidade com valor.

E é aí que a pergunta se torna cirúrgica: teríamos hoje excelência em excrescência?

Sim. E é justamente isso que estamos vendo nos poderes da República.

A pessoa que se acha excelência vive de um ritual. Ela precisa do título, do pronome, do tapete, da deferência. Ela exige ser chamada de excelência, mas age como excrescência. Não produz, se reproduz. Não serve, se serve. Não resolve, se pendura. Como toda excrescência, precisa de um corpo hospedeiro para existir: o Estado. E como toda excrescência, quando cresce demais, adoece o corpo inteiro.

A excrescência pública tem método. Tem, inclusive, excelência — mas uma excelência invertida:

Tem excelência em transformar picuinha em pauta nacional.

Tem excelência em fazer barulho e nenhum resultado.

Tem excelência em confundir opinião com conhecimento e grito com argumento.

Tem excelência em cultivar a própria imagem enquanto apodrece o entorno.

Leia Também:  Esperança Garcia é reconhecida a primeira advogada brasileira pelo Conselho Pleno

Tem excelência em se achar indispensável, quando na verdade é apenas inamovível.

O homem verdadeiramente excelente duvida de si. O medíocre travestido de excelente tem certeza de tudo, sobretudo de sua própria grandeza. A excelência pede humildade, porque sabe o quanto falta. A excrescência pede palco, porque sem plateia ela definha.

Por isso a dúvida levantada é legítima e dolorosa. Olhamos para certos personagens e não sabemos mais distinguir: é a pessoa que é uma excrescência ou é o que ela faz? A resposta é que um contamina o outro. Quando alguém que se crê excelência produz excrescência, ele mesmo se torna a excrescência. Ele deixa de ser agente e vira sintoma.

Hoje em dia, quem mais exige ser chamado de excelência é quem mais entrega excrescência. Porque a verdadeira excelência nunca precisou de tratamento protocolar para se sentir grande. Ela se mede pelo rastro que deixa, não pelo ruído que faz.

E no rastro do que estamos vendo, o que sobra não é obra. É escombro.

Continue lendo

CIDADES

POLÍTICA

POLÍCIA

MAIS LIDAS DA SEMANA