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Marcelo Porto Carrero

A saudade na tricotomia humana

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Marcelo Porto Carrero

A saudade na tricotomia humana

Existe um tipo de saudade que pousa no coração e de lá fica a emocionar a gente com aquele olhar comprido, falando de lugares, pessoas e épocas da vida que jamais serão esquecidas.

Age como um espelho que reflete feições conhecidas, paisagens inesquecíveis, tempos idos e momentos vividos. É quando sentimos exalar no ar um perfume etéreo que só a tricotomia divina – a do espírito, da alma e do corpo – reconhece.

Ao considerarmos, em teoria, que o ser humano é composto dessas três partes: espírito, corpo e alma, e que cada uma delas tem características e funções próprias, inseparáveis e interconectadas, cremos que somos uma triunidade à semelhança da Trindade de Deus: Pai, Filho e Espírito Santo, como Ele nos criou.

Assim sendo, nossa parte material, o corpo físico (mortal), é a que nos põe em contato com o exterior através dos sentidos; a alma é a parte que recebe as impressões do mundo externo por meio dos sentidos corporais: visão, audição, olfato, tato e paladar e, portanto, morada das emoções, desejos e sentimentos; o Espírito, sede da razão, moral, intelecto, vontade, pensamento e consciência, é a parte responsável por nossa identificação como criatura divina ao transferir a energia dada pelo sopro de Deus, para que nosso corpo físico receba a alma.

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Essa interconexão das três partes faz com que a saudade ajude na compreensão da existência como instrumento de Deus e nos mantenha conectados com a realidade.

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Marcelo Porto Carrero

A Postura de André Mendonça

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A Postura de André Mendonça

This is the Way não é um slogan. É uma âncora ontológica. Traduzido ao pé da letra, é “Este é o caminho”. Mas “Como deve ser” é mais devastador. Mais brasileiro. Mais verdadeiro.

Se Din Djarin, o protagonista da série The Mandalorian, da Disney, tivesse uma toga do Supremo, ele se chamaria André Mendonça. Na série, quando perguntam se ele concluiu a missão, ele não diz um “sim” elaborado. Diz apenas: como deve ser.

No STF, o lema seria o mesmo. Quando pressionado, quando encurralado pela máquina, quando a PGR pede, a Polícia Federal avança e os corredores do STF cochicham, a resposta dele não seria um parecer de 30 páginas. Seria uma postura.

Como deve ser.

Não por teimosia. É o Credo. É a verdade sobre o que, como e por que a coisa deveria ser feita.

O que deveria ser feito: guardar a Constituição, não a conveniência.

Enquanto a Corte foi se transformando em palco de inquéritos sem fim, de investigações de ofício e de censura travestida de defesa da democracia, a postura adequada de um ministro não é negociar o texto. É guardá-lo. Protegê-lo.

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Mendonça faz o que deveria ser feito. Ele vota como deve ser. Ele pede vista como deve ser. Ele diverge como deve ser. Num tribunal onde a maioria já decidiu que o processo é o inimigo a ser destruído, ele é o único que ainda respeita o rito. Este é o ato mais revolucionário possível.

Como deveria ser feito: sem espetáculo, sem tuíte, sem vazamento.

Os inimigos dele no STF, na PGR e na Polícia Federal operam como deve ser no novo sistema: operação na madrugada, com nota na imprensa e manchete no Jornal Nacional.

Mendonça opera como deve ser no sistema antigo, no correto. Silencioso. Nos autos. Com voto técnico. Sem performance para a claque. Sem recado para a mídia.

É a ética mandaloriana aplicada à toga: o trabalho não precisa de plateia. Precisa de integridade. Quando todos querem holofote, ele é o único que ainda lembra o que é ser juiz. O único que fica na sombra do processo. Restrito.

Por que deveria ser feito: porque alguém precisa não só dizer, mas também mostrar que o correto existe e persevera.

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Quando a PGR se torna partido de acusação política e a Polícia Federal se torna braço de inquéritos atípicos, o Supremo precisa de um homem que lembre que existe um caminho. Um caminho onde o direito de defesa ainda existe. Onde juiz não investiga. Onde o Ministério Público não milita. Onde a polícia não escolhe alvo por ideologia.

A postura firme de Mendonça é devastadoramente conclusiva exatamente por isso. Ele não discute. Ele não entra no jogo dos inimigos. Ele apenas afirma, com cada voto vencido, com cada divergência solitária:

Existe um jeito certo. E eu vou fazê-lo como deve ser.

E quando a história desse período for escrita, não vai importar quantas operações foram deflagradas ou quantos inimigos se levantaram contra ele no plenário. Vai importar quem manteve o Credo.

Como deve ser.

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