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MARCELO NEVES

Um feito histórico

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MARCELO NEVES

Elenco histórico do Mixto. Créditos: Olímpio Vasconcelos / Mixto EC

O futebol de Mato Grosso é rico em histórias de conquistas, glórias e também de fracassos e decepções. O Mixto Esporte Clube, o maior vencedor de títulos estaduais e dono de uma das histórias mais ricas do estado, também tem seus momentos de decepções e vitórias épicas, assim como todo e qualquer clube do mundo.

A manhã do dia 28 de maio de 2023 marca mais uma destas histórias fantásticas e emocionantes que somente o futebol pode proporcionar. Um clube que até pouco tempo não tinha material e local para realizar seus treinamentos, que não conseguia honrar com seus compromissos, que sequer sabia se disputaria o campeonato estadual e foi rebaixado para a Segunda Divisão estadual.

Em meio a tudo isso, o futebol feminino, aos trancos e barrancos, conseguia se manter e conquistar títulos, que de certa forma, com os prêmios ganhos, mantinha e sustentava o clube. As mulheres, as tigresas, eram quem mantinham o clube vencedor e com verba para sustentar as demais categorias. Assim como em muitas famílias brasileiras, a força da mulher era o alicerce do Mixto Esporte Clube.

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Com a chegada dos novos investidores e com visão profissional e empresarial, o clube passou a se organizar e se estruturar em todas as categorias. Tem local de treinamento com alojamento confortável para seus atletas, transporte, salários em dia de todas as categorias, voltou para a elite do futebol mato-grossense e fortaleceu ainda mais o futebol feminino que é tri campeão estadual.

As tigresas fizeram história ao levar o Mixto ao primeiro acesso no futebol nacional. O empate contra as meninas do Uberlândia levaram o Mixto para a disputa da Série A-2 do Brasileiro Feminino, além disso, abriram mais uma vaga para o futebol de Mato Grosso no futebol feminino.

Um Dutrinha lotado, com a torcida fazendo festa como há muito não se via os alvinegros fazerem. Uma equipe que tem a melhor campanha da competição e que empatou apenas um jogo até o momento. A equipe que tem em Bia Batista, a artilheira da competição com sete gols e a melhor defesa do campeonato, agora vai em busca do título da A-3, o que seria o primeiro título nacional do futebol profissional de Mato Grosso.

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A história ainda está sendo escrita por estas mulheres, ainda tem muito a se conquistar nesta caminhada. O acesso foi apenas o primeiro passo dado por Thaynara, Thalita, Jenifer, Ray, Carol, Musa, Paloma, Dry, Raila, Bia, Bia Batista, Taina, Cintia, Thay, Livia, Palominha, Byah Familia, Ary, Gaby, Ágata, Beiral, Aline, Iza, Rocha, Rhayssa, Kaká, Vitória Canuto, Kethleen Azevedo, Layza Souza, Alex Martins, Milton de Fátima, Vieira da Silva, Sérgio Santos e todos os demais membros da diretoria mixtense, vocês já estão na história.

O clube que nasceu da união desportista entre homens e mulheres, o clube misto que virou Mixto Esporte Clube, tem sua história de renascimento com a força, garra e a presença das mulheres.

Parabéns Mixto Esporte Clube, parabéns Tigresas!

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MARCELO NEVES

Uma Copa do Mundo de contradições

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A Copa do Mundo de Clubes entra na última rodada da fase de grupos, e assim como na Copa do Mundo de seleções, surpresas e favoritos mostram sua cara em vários jogos, assim como algumas zebras. E isso tem sido evidente até aqui. Exemplos como empate de um Al-Hilal contra o Real Madrid, vitória do Inter Miami diante do Porto e atuações de equipes periféricas que chamam a atenção.

Com as vitórias de Botafogo diante do PSG, a vitória do Flamengo diante do Chelsea e os empates de Fluminense e Palmeiras frente à Borussia Dortmund e Porto respectivamente, aqueles vira-latas da imprensa brasileira sempre puxam as famosas cartas do “europeu joga sem interesse”, “eles não ligam para o torneio”, “é uma pré-temporada de luxo”, e coisas assim.

Agora esse mesmo vira-latismo (termo muito utilizado por Nélson Rodrigues) começou a usar a desculpa do cansaço e do calor enfrentado pelos times europeus. Mas será mesmo que esses aspectos afetam apenas os times europeus? Em um balanço feito pelo site Sofascore em partidas realizadas nos últimos 12 meses, nenhum time europeu jogou mais de 60 jogos no período, vejam na imagem abaixo:

Ou seja, antes da Copa do Mundo iniciar, o Flamengo foi quem mais atuou no período com 77 jogos disputados, enquanto o time europeu com mais jogos disputados foi o Real Madrid com 62 jogos. Mas aí você pode dizer que os times brasileiros tiveram férias no período enquanto os europeus continuaram atuando.

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Então vamos fazer um balanço de fevereiro até o início da Copa do Mundo (entre 1º/02 até 31/05), lembrando que em janeiro as equipes brasileiras já estavam jogando os estaduais em pleno verão. Neste período entre fevereiro e maio quem mais jogou foram Fluminense e Palmeiras, 30 jogos cada um. A equipe europeia que mais atuou no período foi o PSG com 28 jogos.

Ainda em comparação, o Flamengo também fez 28 jogos enquanto o Chelsea entrou em campo 23 vezes. O Botafogo entrou em campo 26 vezes, o Real Madrid jogou 27 jogos, assim como a Inter de Milão. Já o Bayern entrou em campo 21 vezes e o Porto apenas 17 jogos.

É óbvio que são momentos distintos, enquanto as partidas dos europeus é na fase final da temporada, os times brasileiros estão na fase inicial. E ainda assim, o número de lesões musculares nos times brasileiros foi superior ao dos times europeus no mesmo período.

Quando a disputa é do Mundial de Clubes, realizado em dezembro, os europeus estão no meio da temporada, enquanto os brasileiros estão realizando mais de 70 partidas, e não vemos as desculpas de cansaço por aqui. O Botafogo no ano passado, venceu a Libertadores, três dias depois entrava em campo contra o Palmeiras pelo título brasileiro e no dia seguinte viajou para encarar o Pachuca do México dois dias depois e foi derrotado. Mas a nossa imprensa vira-lata preferiu diminuir o futebol brasileiro o relegando como uma força periférica e enfraquecida diante de continentes como asiático, africano e da América do Norte.

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Mas diante dos desempenhos das equipes europeias na Copa do Mundo de Clubes, onde os brasileiros estão fazendo frente e colocando dificuldades nos times de lá, os especialistas brasileiros preferem alegar cansaço, forte calor e desinteresse por parte dos jogadores europeus.

Vamos lembrar que a Copa do Mundo de seleções no ano que vem será disputada no mesmo período de agora e no mesmo país, ou seja, forte calor e final de temporada europeia, será que em caso de fracasso europeu, nossos vira-latas irão alegar as mesmas desculpas atuais?

A verdade é que o futebol brasileiro, especificamente de clubes, tem evoluído muito dentro de campo. Temos visto variações táticas, intensidade alta, aplicação tática dos jogadores, e em várias partidas do campeonato brasileiro o que se vê quando elogiam as partidas é: “parece um jogo da Premier League”.

Vejo nessa Copa do Mundo alguns times da elite mundial, e sim, eles são europeus. Bayer, Real Madrid, PSG, Manchester City, Juventus e Inter continuam sendo favoritos ao título, mas não irei me surpreender caso um time brasileiro vença a competição. A distância não é tão grande assim como querem fazer você pensar.

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