JURÍDICO
Respeito às prerrogativas e mais acesso à Justiça são metas do presidente da OAB-GO
JURÍDICO
Duas metas estão baseando os trabalhos da gestão atual da seccional da OAB de Goiás: a luta pelo respeito às prerrogativas e o acesso do cidadão à Justiça. Na prática, isso se efetiva, por exemplo, nos questionamentos sobre os valores das custas judiciais e cartorárias em Goiás.
O presidente Rafael Lara Martins tem colocado a OAB-GO na linha de frente de uma grande mobilização da sociedade civil e dos segmentos organizados na tentativa de tornar mais racionais a cobrança das custas. A Ordem goiana entende que os altos valores inibem a atividade advocatícia e representam severas restrições econômicas de acesso do cidadão à Justiça.
“Um dos maiores legados da nossa gestão será a luta pela redução das custas judiciais e cartorárias que estão entre as mais caras do país há décadas. Inclusive, já estamos trabalhando nisso por meio de um pacto com a sociedade civil e entidades de grande representação. Nossa mobilização será social, econômica e política”, diz.
De acordo com ele, todo o trabalho institucional servirá não só para garantir a defesa do exercício profissional, mas também para reforçar a proteção da sociedade. E, nesse sentido, a OAB-GO também se pauta na construção de uma boa relação com as subseções, para o crescimento da advocacia goiana.
Confira aqui a íntegra da entrevista.
CFOAB – Qual será o foco de sua gestão?
Rafael Lara Martins – Nossa gestão está focada em impulsionar a advocacia e defender a cidadania. As ações, que já começamos a traçar, estão baseadas na luta pelo respeito às nossas prerrogativas e pelo acesso do cidadão à Justiça. Importante ressaltar aqui que todo o nosso trabalho institucional servirá não só para garantir a defesa do exercício profissional, mas também para reforçar a proteção da sociedade. Para isso, sabemos da importância de se construir uma boa relação com as subseções, para o agigantamento da advocacia goiana.
CFOAB – Na sua visão, qual é a importância da OAB para a advocacia?
Rafael Lara Martins – É uma relação vital. Enxergo a OAB como o maior instrumento para a garantia do exercício da advocacia. Nossa instituição tem se mostrado cada vez mais importante para a nossa categoria, principalmente porque temos enfrentado falsas crenças, disseminadas de forma criminosa, de que nossa profissão é dispensável ao cidadão. A missão institucional da OAB é lutar incansavelmente pelos interesses da advocacia. Para cada desrespeito, teremos, além de todas as medidas tradicionais e já realizadas pela Ordem, uma medida correcional no órgão de quem desrespeitou a advocacia: do estagiário ao presidente, responderão tantas e quantas vezes forem necessárias, até entenderem que advocacia deve ser respeitada.
CFOAB – Qual a importância da OAB na sua vida?
Rafael Lara Martins – A OAB-GO sempre foi uma meta. Mas confesso que imaginar que aquele menino simples, criado pelas ruas do centro de Goiânia, chegaria à Presidência da OAB me soava como um daqueles devaneios bobos das crianças que sonham acordadas. Nossa instituição sempre esteve presente na construção da minha carreira profissional. Sempre tive a consciência de que as cadeiras são maiores do que quem as ocupa. Hoje, todos nós que compomos a atual gestão da Ordem goiana estamos nesta posição, mas chegará o momento em que passaremos este bastão. E, quando esse momento chegar, teremos de devolver a Instituição melhor do que recebemos. Assumimos esse compromisso com a advocacia e temos nos dedicado incansavelmente, dia após dia, para cumpri-lo.
CFOAB – Pode contar um pouco da sua história com a advocacia, de onde surgiu o interesse?
Rafael Lara Martins – É curioso e pouco comum na nossa área de atuação, mas não sou daqueles que pensava em ser advogado desde criança. Para falar a verdade, outras profissões pairavam sobre minhas perspectivas de futuro. Costumo dizer que, por obra divina, ou do destino, acabei me inscrevendo em Goiânia para o curso de direito. Quando dei por mim, estava matriculado na Faculdade de Direito da UFG (Universidade Federal de Goiás). Daí em diante, me aconselharam por diversas vezes a optar pelo caminho dos concursos públicos. Segui com a faculdade e me encantando pelo curso. Durante esse período, fiz estágio de iniciante, fui diretor de centro acadêmico e até passei em um concurso público da Caixa Econômica Federal – quando todos achavam que ali estaria a grande chance da minha vida. Mas não foi assim. Ou melhor, não senti que era. Foi quando passei para estagiário no Ministério Público e decidi me desligar do banco. E foi nesses últimos anos como estagiário que entendi não pertencer àquele mundo. Decidi procurar trabalho em escritórios de advocacia. Como resposta: portas fechadas. A única saída era abrir meu próprio escritório em sociedade com um amigo da faculdade. De lá para cá, uma longa história que não foi nem um pouco fácil. Demorei muito para começar a ganhar algum dinheiro e viver com dignidade da profissão — mais do que cinco anos, garanto. Mas nunca pensei em desistir. E, perseverando, fui talhado na advocacia trabalhista por paixão e vocação. E, ouso dizer, devo a maior parte das minhas conquistas a ela. Os anos se passaram e em dezembro de 2014 fundei o Lara Martins Advogados, que me garante exercer minha profissão com dignidade e muito me orgulha. Hoje, sinto-me realizado profissionalmente como advogado.
CFOAB – Recentemente, o TJ-GO autorizou aumento de cobrança de taxas cartorárias em bens de heranças. Este é um tema importante para a seccional, não?
Rafael Lara Martins – Enfrentamos em Goiás o grande problema das altas custas judiciais e cartorárias. Um dos maiores legados da nossa gestão será a luta pela redução destas custas judiciais e cartorárias, que estão entre as mais caras do país há décadas. Inclusive, já estamos trabalhando nisso por meio de um pacto com a sociedade civil e entidades de grande representação. Nossa mobilização será social, econômica e política. E posso garantir que estamos com a coragem necessária para enfrentar esse problema, fazendo desta uma de nossas principais bandeiras. A Ordem Goiana entende que os altos valores inibem a atividade advocatícia e representam severas restrições econômicas de acesso do cidadão à Justiça.
CFOAB – Por fim, poderia falar um pouco sobre como foi gerir a OAB num momento de pandemia?
Rafael Lara Martins – A pandemia nos impõe a reinvenção da forma como estávamos acostumados a trabalhar, a estudar e até mesmo a viver. Esses desafios batem à porta da advocacia, e o papel da OAB-GO está no fomento ao trabalho da advocacia. Será essencialmente qualificar o advogado para o enfrentamento dessas demandas que a contemporaneidade vem impondo à profissão. O futuro é agora e precisamos preparar a advocacia para tal. Por meio da nossa Escola Superior de Advocacia e da Caixa de Assistência dos Advogados temos projetos que visam acolher e estar ao lado da advocacia jovem, da advocacia estabelecida e da advocacia sênior. Com pouco mais de três meses de gestão, já colocamos em prática um projeto que certamente revolucionará a relação da advocacia goiana com o empreendedorismo e mercado de trabalho: a incubadora de novos escritórios. Além disso, também teremos o planejamento de carreira e o networking, que é a promoção do encontro de quem busca um lugar com aqueles que buscam pessoas.
CFOAB – Gostaria de falar de outros temas que julga importantes?
Rafael Lara Martins – Quero ressaltar que teremos também como desafio, principalmente neste ano de eleições, garantir o equilíbrio nas posições e preservar a isenção política da atuação institucional. Manteremos a distância saudável de todos os poderes, com proximidade suficiente para o diálogo necessário de construção, mas mantendo a distância adequada para o endurecimento nas pautas que forem necessárias, sempre com respeito institucional e admiração das lideranças que temos aqui em Goiás. Em nosso grupo, dispomos da representação de praticamente todas as ideologias políticas do Estado e com respeito e dedicação mútua avançaremos na construção de uma Ordem independente.
ARTIGOS
Renato Nery: sua morte exige voz, justiça e memória
A morte brutal do advogado e ex-presidente da OAB-MT, Dr. Renato Gomes Nery, não pode ser tratada com indiferença. Trata-se de um crime que atinge diretamente a advocacia e a democracia. Renato foi um homem honrado, combativo e comprometido com a justiça — sua memória exige respeito e posicionamento firme por parte da sociedade e das instituições.
É inaceitável que um colega de trajetória tão marcante seja silenciado sem uma reação proporcional à gravidade do que ocorreu. Tive a honra de iniciar minha vida institucional na OAB-MT como conselheiro estadual em sua gestão. Conheci de perto o homem e o advogado.
Como ex-presidente da OAB-MT, tenho a obrigação de falar de Renato Nery. Não posso me calar diante da execução de um colega que também ocupou essa honrosa função. A presidência da Ordem não é apenas um cargo: é um compromisso com a defesa intransigente da advocacia e da democracia. Renato honrou essa missão com coragem, combatividade e senso de justiça.
A execução do colega, agora apontada pelas investigações como motivada por disputas fundiárias, exige não apenas uma rigorosa apuração policial, mas também uma profunda reflexão sobre os riscos enfrentados pelos que exercem a advocacia com independência e compromisso. O advogado precisa ter, acima de tudo, segurança para atuar. Sem isso, toda a estrutura democrática se fragiliza.
É essencial que todos os desdobramentos do crime sejam investigados com máxima seriedade, inclusive aqueles de natureza patrimonial – para afastar oportunistas. Nada pode ser omitido ou minimizado. Só assim evitaremos injustiças irreparáveis e honraremos verdadeiramente a memória de Renato.
Neste momento em que prisões foram realizadas, inclusive de pessoas apontados como mandantes, é justo reconhecer o trabalho diligente dos órgãos de segurança pública, especialmente da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa. A atuação firme e técnica tem sido crucial para elucidar os fatos e oferecer respostas à sociedade.
À família de Renato, deixo minha solidariedade mais sincera. Que o legado de integridade, coragem e compromisso deixado por ele sirva como farol para todos os que ainda acreditam no poder transformador da advocacia e na força da verdade.
Renato Nery merece ser lembrado, respeitado e defendido — em vida e na memória. Seu nome não pode ser esquecido, nem a sua luta ignorada.
Por Ussiel Tavares, advogado e ex-presidente da OAB-MT
-
MATO GROSSO6 dias atrásOperação contra o tráfico de fauna resulta na apreensão de 25 aves silvestres em Nova Xavantina
-
MATO GROSSO6 dias atrásPolícia Militar prende mulher e apreende adolescente por tráfico de drogas em Tapurah
-
MATO GROSSO6 dias atrásPM prende dois homens por estelionato e tráfico de drogas em Várzea Grande
-
Sinop6 dias atrásPrefeitura de Sinop fortalece inclusão social com projeto AABB Comunidade em parceria com Assistência Social e Educação
-
ESPORTES6 dias atrásFluminense arranca empate na Argentina, mas segue em situação delicada na Libertadores
-
ESPORTES5 dias atrásJogo do Flamengo na Colômbia é cancelado após atos de violência da torcida
-
MATO GROSSO7 dias atrásPolícia Civil desarticula núcleo financeiro de grupo criminoso envolvido com tráfico de drogas
-
POLÍTICA4 dias atrásDeputado Alex Sandro cobra instalação de passarelas na Avenida da FEB para evitar tragédias e preparar região para o BRT




