JURÍDICO
OAB sedia lançamento de obra sobre direito, mídia e liberdade de expressão
JURÍDICO
Nesta quarta-feira (15/3), o Conselho Federal da OAB abriu suas portas para o lançamento de “Direito, Mídia e Liberdade de Expressão: Custos da Democracia”. O livro é organizado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski, pelo professor de Direito Financeiro na USP Heleno Torres e pelo professor de Direito Penal na USP Pierpaolo Cruz Bottini.
“É uma alegria sediar o lançamento dessa obra, muito necessária, dada a atual quadra da história em que nos encontramos. Esse livro é fundamental para trazer esclarecimentos sobre temas pulsantes na sociedade ”, disse o presidente da OAB Nacional, Beto Simonetti.
A publicação, editada pela Quartier Latin, trata dos contornos da liberdade de expressão no ordenamento jurídico brasileiro, do marco regulatório da comunicação social, das garantias constitucionais contra a censura e da proteção do sigilo de fonte, da relação entre mídia e a proteção de dados, dos problemas contemporâneos das fake news, das agressões a jornalistas, da mídia e seus impactos no processo penal. Além disso, também discute o direito ao esquecimento e às biografias não autorizadas e a tributação de jornais e periódicos.
A origem da obra
O livro é fruto de cursos ministrados pelos organizadores durante o ano de 2020, quando houve propagação de notícias falsas sobre a pandemia de covid-19. Conforme Lewandowski, “esse livro tem origem em conversas, quando entendemos que era necessário que a academia recuperasse o papel de contribuir sobre os problemas importantes do país e que não poderia ficar à margem desse processo, sobretudo nesse contexto histórico que pareceu tumultuado”.
Segundo Torres, para “construir uma sociedade livre, uma sociedade justa”, faz-se necessário valorizar e respeitar a mídia que produz conteúdo com responsabilidade. “Nesse sentido, é importante identificar a validade do princípio da liberdade de expressão, nessa integração entre uma mídia independente, uma mídia forte”, pontuou Torres.
“Mais que um livro jurídico, esse livro é uma ode à liberdade de expressão, porque ele define conceitos, ele enfrenta questões concretas e ele oferece soluções”, finalizou Pierpaollo Bottini, que preside a Comissão Especial de Defesa da Liberdade de Expressão do CFOAB.
A obra foi escrita, em conjunto, por: André Singer, Antonio Lavareda, Carlos Eduardo Frazão, Carlos Eduardo Lins da Silva, Carolina Lopes Scodro, Daiane Ayumi Kassada, Daniel Pereira Campos, Enrique Ricardo Lewandowski, Eugênio Bucci, Evandro Proença Süssekind, Fabíola Sucasas Negrão Covas, Fábio Calheiros do Nascimento, Gabriela Marcassa Thomaz de Aquino, Gabriel Campos Soares da Fonseca, Gaudêncio Torquato, Helena Najjar Abdo, Heleno Torres, Isabel Arruda Quadros da Silva, José Antonio Dias Toffoli, Karoline Ferreira Martins, Laudenor Pereira Neto, Leonardo Attuch, Lucas Henrique de Lucia Gaspar, Luís Nassif, Marcus Vinicius Furtado Coêlho, Margarete Coelho, Marina Brecht Fernandes, Márcio Chaer, Otavio Luiz Rodrigues Jr, Pierpaolo Cruz Bottini, Ramon Alberto dos Santos e Yuri Sahione Pugliese.
Compareceram ao evento o membro honorário vitalício do Conselho Federal da OAB e presidente da Comissão Nacional de Estudos Constitucionais da OAB Nacional, Marcus Vinicius Furtado Coêlho; o membro honorário vitalício do CFOAB Ophir Cavalcante; a ex-conselheira federal da OAB Margareth Coêlho, conselheiros do CFOAB, o ministro do Superior Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, o ministro do STF José Antonio Dias Toffoli, ministros de tribunais superiores, representantes do Ministério Público e autoridades do Executivo e Legislativo.
Fonte: OAB Nacional
ARTIGOS
Renato Nery: sua morte exige voz, justiça e memória
A morte brutal do advogado e ex-presidente da OAB-MT, Dr. Renato Gomes Nery, não pode ser tratada com indiferença. Trata-se de um crime que atinge diretamente a advocacia e a democracia. Renato foi um homem honrado, combativo e comprometido com a justiça — sua memória exige respeito e posicionamento firme por parte da sociedade e das instituições.
É inaceitável que um colega de trajetória tão marcante seja silenciado sem uma reação proporcional à gravidade do que ocorreu. Tive a honra de iniciar minha vida institucional na OAB-MT como conselheiro estadual em sua gestão. Conheci de perto o homem e o advogado.
Como ex-presidente da OAB-MT, tenho a obrigação de falar de Renato Nery. Não posso me calar diante da execução de um colega que também ocupou essa honrosa função. A presidência da Ordem não é apenas um cargo: é um compromisso com a defesa intransigente da advocacia e da democracia. Renato honrou essa missão com coragem, combatividade e senso de justiça.
A execução do colega, agora apontada pelas investigações como motivada por disputas fundiárias, exige não apenas uma rigorosa apuração policial, mas também uma profunda reflexão sobre os riscos enfrentados pelos que exercem a advocacia com independência e compromisso. O advogado precisa ter, acima de tudo, segurança para atuar. Sem isso, toda a estrutura democrática se fragiliza.
É essencial que todos os desdobramentos do crime sejam investigados com máxima seriedade, inclusive aqueles de natureza patrimonial – para afastar oportunistas. Nada pode ser omitido ou minimizado. Só assim evitaremos injustiças irreparáveis e honraremos verdadeiramente a memória de Renato.
Neste momento em que prisões foram realizadas, inclusive de pessoas apontados como mandantes, é justo reconhecer o trabalho diligente dos órgãos de segurança pública, especialmente da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa. A atuação firme e técnica tem sido crucial para elucidar os fatos e oferecer respostas à sociedade.
À família de Renato, deixo minha solidariedade mais sincera. Que o legado de integridade, coragem e compromisso deixado por ele sirva como farol para todos os que ainda acreditam no poder transformador da advocacia e na força da verdade.
Renato Nery merece ser lembrado, respeitado e defendido — em vida e na memória. Seu nome não pode ser esquecido, nem a sua luta ignorada.
Por Ussiel Tavares, advogado e ex-presidente da OAB-MT
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