JURÍDICO
OAB e PGR se unem pelo funcionamento pleno do sistema de Justiça
JURÍDICO
A convite do presidente nacional da OAB, Beto Simonetti, o procurador-geral da República, Augusto Aras, esteve na sede do Conselho Federal da Ordem, nesta segunda-feira (21/3), para discutir ações conjuntas em favor da retomada completa do funcionamento do sistema de Justiça.
Na reunião, foram definidas as pautas estruturais comuns à advocacia e ao MP. As duas entidades vão requerer ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), nos próximos dias, a reabertura completa dos órgãos do Judiciário para o atendimento presencial.
Outra pauta comum é a atuação em prol dos direitos das vítimas, tema de projetos atuais do Ministério Público e também alvo da preocupação da OAB. Simonetti explicou que a Ordem tem trabalhado para fortalecer o uso da advocacia dativa como modo de ofertar às cidadãs e cidadãos assistência jurídica qualificada e, ao mesmo tempo, apoiar o mercado de trabalho da advocacia.
Aras apresentou ao presidente da Ordem o Movimento Nacional em Defesa dos Direitos das Vítimas e o Projeto Direito e Diversidade. “Tenho certeza de que uma instituição tão plural quanto a OAB enriquecerá muito as duas frentes”, disse. A colaboração entre OAB e PGR em prol da defesa dos direitos das vítimas será formalizada por meio de um termo de colaboração. O documento será enviado ao ministro da Justiça e à Secretaria Nacional de Justiça do Ministério.
Prerrogativas e independência
Simonetti e Aras também debateram temas como a defesa das prerrogativas da advocacia e dos membros do Ministério Público. O presidente da OAB destacou a necessidade de livre exercício profissional tanto para as duas carreiras. “A defesa de prerrogativas tem que ser uma luta intransigente. Deve ser feita com respeito à liberdade das carreiras e aos direitos e garantias, com urbanidade e transparência. Esse é um ponto de perfeita unidade entre OAB e PGR”, disse.
Eleições limpas
O fortalecimento da democracia e a atuação da OAB e da PGR em favor de um ambiente eleitoral limpo foi outro tema da reunião. “Queremos eleições livres, independentes, honestas, limpas, justas e com a defesa intransigente da soberania do voto”, afirmou Simonetti.
Aras, por sua vez, convidou as advogadas e os advogados do país a colaborarem com o MP na fiscalização do pleito. “Convido cada advogado a ser um agente de cidadania, um fiscal das eleições, de modo a enfrentar o abuso de poder econômico, político e as fake news”, disse. “Que, ao final do processo, o voto seja o diferencial verdadeiro, com o auxílio dos cerca de 14 mil procuradores e promotores eleitorais e dos mais de 1,3 milhão de advogados”, completou o procurador-geral da República.
Estado de Direito
“Esse consórcio entre OAB e PGR se reflete na sociedade. Queremos levar ao cidadão, a partir dessas conversas institucionais, o reforço à garantia dos direitos individuais, ao direito de defesa e aos direitos das vítimas. Para tanto, é necessário o respeito irrestrito à liberdade das carreiras e do próprio Estado de Direito”, disse Simonetti a Augusto Aras.
O procurador-geral da República, por sua vez, afirmou que advocacia e Ministério Público comungam do mesmo desafio: serem agentes de mudança social. “A OAB é porta-voz legítima da sociedade brasileira. Essa unidade de propósitos entre duas instituições com assento na Constituição Federal só tende a crescer. Tenho certeza de que a caminhada conjunta trará os melhores frutos à nação”, disse Aras.
Os dois ainda concordaram com a necessidade de atuar em favor do fortalecimento das instituições e da independência funcional de seus integrantes, com respeito às competências de cada Poder, e em favor de um ambiente de segurança jurídica e de respeito às garantias constitucionais, sobretudo o devido processo legal.
ARTIGOS
Renato Nery: sua morte exige voz, justiça e memória
A morte brutal do advogado e ex-presidente da OAB-MT, Dr. Renato Gomes Nery, não pode ser tratada com indiferença. Trata-se de um crime que atinge diretamente a advocacia e a democracia. Renato foi um homem honrado, combativo e comprometido com a justiça — sua memória exige respeito e posicionamento firme por parte da sociedade e das instituições.
É inaceitável que um colega de trajetória tão marcante seja silenciado sem uma reação proporcional à gravidade do que ocorreu. Tive a honra de iniciar minha vida institucional na OAB-MT como conselheiro estadual em sua gestão. Conheci de perto o homem e o advogado.
Como ex-presidente da OAB-MT, tenho a obrigação de falar de Renato Nery. Não posso me calar diante da execução de um colega que também ocupou essa honrosa função. A presidência da Ordem não é apenas um cargo: é um compromisso com a defesa intransigente da advocacia e da democracia. Renato honrou essa missão com coragem, combatividade e senso de justiça.
A execução do colega, agora apontada pelas investigações como motivada por disputas fundiárias, exige não apenas uma rigorosa apuração policial, mas também uma profunda reflexão sobre os riscos enfrentados pelos que exercem a advocacia com independência e compromisso. O advogado precisa ter, acima de tudo, segurança para atuar. Sem isso, toda a estrutura democrática se fragiliza.
É essencial que todos os desdobramentos do crime sejam investigados com máxima seriedade, inclusive aqueles de natureza patrimonial – para afastar oportunistas. Nada pode ser omitido ou minimizado. Só assim evitaremos injustiças irreparáveis e honraremos verdadeiramente a memória de Renato.
Neste momento em que prisões foram realizadas, inclusive de pessoas apontados como mandantes, é justo reconhecer o trabalho diligente dos órgãos de segurança pública, especialmente da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa. A atuação firme e técnica tem sido crucial para elucidar os fatos e oferecer respostas à sociedade.
À família de Renato, deixo minha solidariedade mais sincera. Que o legado de integridade, coragem e compromisso deixado por ele sirva como farol para todos os que ainda acreditam no poder transformador da advocacia e na força da verdade.
Renato Nery merece ser lembrado, respeitado e defendido — em vida e na memória. Seu nome não pode ser esquecido, nem a sua luta ignorada.
Por Ussiel Tavares, advogado e ex-presidente da OAB-MT
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