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“Nosso legado será uma Ordem mais participativa e inclusiva”, afirma nova presidente da CNMA

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Nomeada nesta semana como presidente da Comissão Nacional da Mulher Advogada (CNMA), a conselheira federal Cristiane Damasceno (DF) quer que o grupo contribua para tornar a Ordem ainda mais participativa e democrática para a Advocacia e para as mulheres advogadas.

“Nós, mulheres, temos avançado. Várias pautas têm sido sedimentadas porque muitas antes de nós fizeram muito pela Advocacia. Tivemos a paridade como marco muito importante, mas não podemos parar por aí. Muita coisa há de ser feita ainda a favor da advocacia feminina”, afirma Damasceno.

Ela atua como professora de Direito Penal e Processo Penal há quase 20 anos, foi conselheira seccional no Distrito Federal de 2016 a 2019, vice-presidente da OAB-DF de 2019 a 2021 e, agora, assumiu como conselheira federal para o mandato de 2022 a 2025, além de comandar um dos mais importantes colegiados da Ordem.

Abaixo, os principais trechos da entrevista com a nova presidente da Comissão Nacional da Mulher Advogada:

Qual é o primeiro recado que a senhora gostaria de passar para a advocacia feminina neste momento?

Cristiane Damasceno: É muito importante, quando decidimos ocupar espaços de poder, que tenhamos projetos fortes, que possamos colocar esses projetos em ação. Na Comissão Nacional da Mulher Advogada, nós teremos pautas como mercado de trabalho e nossas especificidades, o fato de sermos mães, por exemplo. É sobre essas questões que vamos começar a trabalhar. A construção da carreira vai ser uma pauta basilar da comissão. Queremos ensinar a fazer gestão de tempo, como trabalhar em home office e como abrir novos nichos de mercado. Queremos para hoje o empoderamento das mulheres.

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Além do mercado de trabalho, quais outras pautas estarão em destaque?

Cristiane Damasceno: A questão do assédio sexual e moral é uma coisa que nos preocupa demasiadamente. E não só a nós mulheres, mas como um todo no sistema. Então, para este Mês da Mulher [março de 2022], estamos preparando uma grande campanha de conscientização para a advocacia e para a sociedade combaterem o assédio sexual e moral contra as mulheres.

Em relação aos casos de violação das prerrogativas, quais ações serão adotadas pela CNMA?

Cristiane Damasceno: A violação de prerrogativas atinge toda a nossa classe, mas nós, mulheres, vivemos isso diuturnamente. Recentemente, tivemos o caso de uma advogada agredida por um cliente. O que vamos fazer é trabalhar junto com a Comissão Nacional de Defesa das Prerrogativas para realizar ações e campanhas em defesa de nossas prerrogativas.

O que as mulheres advogadas podem esperar da gestão de Beto Simonetti no Conselho Federal?

Cristiane Damasceno: Essa gestão quer aproximar a Advocacia da OAB. Vai ser uma gestão em que nós teremos as pessoas, as advogadas e advogados aqui dentro. É por isso que tanto eu quanto nosso presidente Beto Simonetti vamos percorrer o Brasil Queremos estar perto de você, queremos ouvir quais são as necessidades, para que possamos aplicar e criar uma política institucional de qualidade, que chegue até a Advocacia das nossas subseções e das nossas seccionais. Nós temos que deixar para a Advocacia um legado. E sabe qual é o legado? É deixar uma Ordem mais democrática, participativa e inclusiva. É isso que a gestão Beto Simonetti quer fazer por você, advogada.

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Renato Nery: sua morte exige voz, justiça e memória

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A morte brutal do advogado e ex-presidente da OAB-MT, Dr. Renato Gomes Nery, não pode ser tratada com indiferença. Trata-se de um crime que atinge diretamente a advocacia e a democracia. Renato foi um homem honrado, combativo e comprometido com a justiça — sua memória exige respeito e posicionamento firme por parte da sociedade e das instituições.

É inaceitável que um colega de trajetória tão marcante seja silenciado sem uma reação proporcional à gravidade do que ocorreu. Tive a honra de iniciar minha vida institucional na OAB-MT como conselheiro estadual em sua gestão. Conheci de perto o homem e o advogado.

Como ex-presidente da OAB-MT, tenho a obrigação de falar de Renato Nery. Não posso me calar diante da execução de um colega que também ocupou essa honrosa função. A presidência da Ordem não é apenas um cargo: é um compromisso com a defesa intransigente da advocacia e da democracia. Renato honrou essa missão com coragem, combatividade e senso de justiça.

A execução do colega, agora apontada pelas investigações como motivada por disputas fundiárias, exige não apenas uma rigorosa apuração policial, mas também uma profunda reflexão sobre os riscos enfrentados pelos que exercem a advocacia com independência e compromisso. O advogado precisa ter, acima de tudo, segurança para atuar. Sem isso, toda a estrutura democrática se fragiliza.

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É essencial que todos os desdobramentos do crime sejam investigados com máxima seriedade, inclusive aqueles de natureza patrimonial – para afastar oportunistas. Nada pode ser omitido ou minimizado. Só assim evitaremos injustiças irreparáveis e honraremos verdadeiramente a memória de Renato.

Neste momento em que prisões foram realizadas, inclusive de pessoas apontados como mandantes, é justo reconhecer o trabalho diligente dos órgãos de segurança pública, especialmente da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa. A atuação firme e técnica tem sido crucial para elucidar os fatos e oferecer respostas à sociedade.

À família de Renato, deixo minha solidariedade mais sincera. Que o legado de integridade, coragem e compromisso deixado por ele sirva como farol para todos os que ainda acreditam no poder transformador da advocacia e na força da verdade.

Renato Nery merece ser lembrado, respeitado e defendido — em vida e na memória. Seu nome não pode ser esquecido, nem a sua luta ignorada.

Por Ussiel Tavares, advogado e ex-presidente da OAB-MT

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