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Na abertura do Ano Judiciário de 2022, Barroso destaca os 90 anos da JE e a importância do fortalecimento da democracia

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“Esta abertura do Ano Judiciário se dá no ano em que a Justiça Eleitoral (JE) completa 90 anos. Até 1932, quando da sua criação, o voto não era secreto, a apuração não era confiável e o lançamento dos resultados dos mapas eleitorais era o caminho da fraude. As mulheres não votavam e muito menos podiam ser votadas, direito conquistado após muitas lutas”. Foi com esse resgate da história da JE que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, abriu, nesta terça-feira (1º) o primeiro semestre forense de 2022.

Assista ao vídeo com o discurso do presidente do TSE.

Barroso fez uma defesa enfática da democracia, do sistema eletrônico de votação e do trabalho da imprensa profissional. O presidente da Corte Eleitoral lamentou também as tentativas de desqualificar o processo eleitoral brasileiro e lastimou o crescimento de casos de Covid-19, com a variante Ômicron, no país e no mundo.

JE 90 anos

Para Barroso, nesses 90 anos, a Justiça Eleitoral se tornou indispensável para a democracia brasileira. “Ela que cuida do alistamento dos eleitores, do registro das candidaturas e da organização das mesas de votação, da apuração de votos, da proclamação dos resultados, com inovações – como a nova urna eletrônica – que asseguram confiança, rapidez e eficiência na coleta e na apuração de votos. A Justiça Eleitoral, que eu presido provisoriamente, é um orgulho para o Brasil por sua agilidade e eficiência”, disse.

O ministro lembrou que a JE é composta por 27 Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), mais de 2,8 mil juízas e juízes, 15,4 mil servidoras e servidores. “Administramos a quarta maior democracia do mundo, com 150 milhões de eleitores. Cumprimento nesses anos todos os integrantes da família da Justiça Eleitoral por nos ajudarem a fazer um país melhor e maior”, afirmou.

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Saúde e pandemia

Barroso destacou a importância das ações dos profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS) na garantia de aplicação das vacinas e demais atividades relacionadas ao combate da pandemia de Covid-19. O ministro ressaltou que, por conta do avanço da variante Ômicron, foi adiado o retorno das atividades do TSE de forma presencial, até haver a segurança sanitária determinante ao exercício pleno do trabalho dos servidores e colaboradores da Justiça Eleitoral.

Combate à desinformação

O presidente do TSE lembrou as inúmeras tentativas de desqualificar o processo eleitoral, destacando, por outro lado, o fortalecimento das do Programa de Enfrentamento à Desinformação. O Tribunal renovou a parceria com agências de checagem e com as principais redes sociais em operação no Brasil, como Facebook, Instagram, Twitter, Google/YouTube, TikTok e WhatsApp.

“Com o WhatsApp, ainda nesta semana que passou, falei com o head internacional da plataforma. Notícias circularam informando que seria aumentado o número de integrantes dos grupos e de pessoas às quais mensagens poderiam ser repassadas. O diretor da empresa afirmou que não era bem isso o que estava em cogitação, mas assegurou que até as eleições nada mudará”, destacou Barroso.

Já sobre outras plataformas de mensagem que queiram operar no Brasil, o entendimento do presidente do TSE é de que as empresas têm de se sujeitar à legislação brasileira e às autoridades judiciais do país. “Nenhuma mídia social pode, impunemente, se transformar num espaço de pedofilia, venda de armas, de drogas, de notas falsas ou de campanhas de ataques contra a democracia”, salientou.

De outro lado, Barroso enalteceu o trabalho da imprensa, cumprimentando os profissionais que cobrem as sessões e ações do TSE levando ao público informações verdadeiras, separando, com propriedade, fato de opiniões. “No mundo da pós-verdade, dos fatos alternativos, nunca foi tão importante o trabalho da imprensa nacional”, destacou o ministro.

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Missão internacional

Durante a sessão, Barroso informou que está em Washington (EUA), na sede da Organização dos Estados Americanos (OEA), onde acompanhará a divulgação, nesta quarta-feira (2), do relatório final da missão internacional sobre as Eleições de 2020 no Brasil. No último fim de semana, o ministro acompanhou, como observador internacional, as eleições de Portugal, que, segundo ele, ocorreram de forma “civilizada e respeitosa”.

Preparação para as Eleições 2022

Barroso, que se despede do Tribunal no fim deste mês, agradeceu aos ministros da Corte e congratulou a gestão que estará à frente da preparação das Eleições 2022, conduzida pelos ministros Edson Fachin e Alexandre de Moraes, que serão empossados presidente e vice-presidente da Corte no dia 22 de fevereiro. “Ter estado à frente do TSE, na companhia das pessoas com quem tenho podido viver a aventura de produzir eleições limpas e seguras, foi uma das alegrias da minha vida. Nos tratamos com respeito, consideração e afetuosidade. Essas são as energias que empurram a história, que movimentam o mundo e que trazem a vida boa”, disse.

Ministério Público

Ao cumprimentar os ministros do TSE, o procurador-geral Eleitoral, Augusto Aras, elogiou o trabalho da Justiça Eleitoral, destacando a atuação da Corte Eleitoral durante esses 90 anos e o importante papel das urnas eletrônicas para a garantia de eleições limpas e seguras.

“Reforço aqui o quanto precisamos de paz, o quanto precisamos de uma Justiça Eleitoral que desafia, a cada período eleitoral, a vontade de milhões de brasileiros que sofrem todos os influxos possíveis. A todos que compõe a JE e ao Ministério Público Eleitoral compete propiciar segurança jurídica para que a vontade do eleitor se concretize”, afirmou.

MM, TP/LC

Fonte: TSE

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Renato Nery: sua morte exige voz, justiça e memória

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A morte brutal do advogado e ex-presidente da OAB-MT, Dr. Renato Gomes Nery, não pode ser tratada com indiferença. Trata-se de um crime que atinge diretamente a advocacia e a democracia. Renato foi um homem honrado, combativo e comprometido com a justiça — sua memória exige respeito e posicionamento firme por parte da sociedade e das instituições.

É inaceitável que um colega de trajetória tão marcante seja silenciado sem uma reação proporcional à gravidade do que ocorreu. Tive a honra de iniciar minha vida institucional na OAB-MT como conselheiro estadual em sua gestão. Conheci de perto o homem e o advogado.

Como ex-presidente da OAB-MT, tenho a obrigação de falar de Renato Nery. Não posso me calar diante da execução de um colega que também ocupou essa honrosa função. A presidência da Ordem não é apenas um cargo: é um compromisso com a defesa intransigente da advocacia e da democracia. Renato honrou essa missão com coragem, combatividade e senso de justiça.

A execução do colega, agora apontada pelas investigações como motivada por disputas fundiárias, exige não apenas uma rigorosa apuração policial, mas também uma profunda reflexão sobre os riscos enfrentados pelos que exercem a advocacia com independência e compromisso. O advogado precisa ter, acima de tudo, segurança para atuar. Sem isso, toda a estrutura democrática se fragiliza.

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É essencial que todos os desdobramentos do crime sejam investigados com máxima seriedade, inclusive aqueles de natureza patrimonial – para afastar oportunistas. Nada pode ser omitido ou minimizado. Só assim evitaremos injustiças irreparáveis e honraremos verdadeiramente a memória de Renato.

Neste momento em que prisões foram realizadas, inclusive de pessoas apontados como mandantes, é justo reconhecer o trabalho diligente dos órgãos de segurança pública, especialmente da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa. A atuação firme e técnica tem sido crucial para elucidar os fatos e oferecer respostas à sociedade.

À família de Renato, deixo minha solidariedade mais sincera. Que o legado de integridade, coragem e compromisso deixado por ele sirva como farol para todos os que ainda acreditam no poder transformador da advocacia e na força da verdade.

Renato Nery merece ser lembrado, respeitado e defendido — em vida e na memória. Seu nome não pode ser esquecido, nem a sua luta ignorada.

Por Ussiel Tavares, advogado e ex-presidente da OAB-MT

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