CUIABÁ
Search
Close this search box.

JURÍDICO

Mulheres ocupam mais espaços de poder na Ordem

Publicado em

JURÍDICO

Um dos principais compromissos da gestão 2022-2025 do Conselho Federal da OAB é trabalhar para que a instituição avance ainda mais em termos de democracia, participação e inclusão. O resultado positivo começou já na formação da atual diretoria nacional que, pela primeira vez, conta com duas advogadas: Sayury Otoni, secretária-geral; e Milena Gama, secretária-geral adjunta.

Essa mudança fez com que a influência feminina nos rumos da Ordem aumentasse, uma vez que mulheres, hoje, estão à frente de setores estratégicos da instituição, como a corregedoria e política educacional. Há ainda um recorde de advogadas nas presidências de seccionais, fora a presença maciça em comissões nacionais.

Responsável pela Corregedoria Nacional da Ordem, Milena Gama ressalta a importância de uma mulher conduzir o trabalho de correição da carreira. “A Corregedoria é um espaço vital para a advocacia, que reúne orientação e prevenção das irregularidades, até muito mais do que investigação e punição. E, muitas vezes, essas irregularidades estão ligadas a casos de discriminação de gênero. Ter uma mulher como corregedora reforça o esforço da gestão em avançar sobre a equidade na advocacia”, afirma Milena.

Integrante de projetos vitais para o ensino e formação de profissionais da advocacia, como o Selo OAB Recomenda e o Exame da Ordem, Sayury Otoni ressalta a prioridade dada pela diretoria à promoção de uma advocacia de excelência: “Nossa gestão renova o compromisso da OAB com a qualidade do ensino do Direito. A formação jurídica de qualidade é condição fundamental para a prestação de serviço advocatício à sociedade brasileira. A OAB cuida e cuidará disso. Não admitiremos a precarização do ensino jurídico no nosso país”.

O avanço das mulheres nos espaços de gestão da OAB se mostra além da composição da diretoria. Pela primeira vez em sua história, o pleno do CFOAB tem paridade de gênero e há mulheres no comando de 10 comissões nacionais como a de Direitos Humanos, a da Mulher Advogada (CNMA); e a de Relações Institucionais. Além disso, cinco seccionais da Ordem são presididas por advogadas.

Leia Também:  Ministra Rosa Weber cumprimenta presidente eleito pela vitória nas urnas

Advocacia sem assédio

Nos primeiros 100 dias da gestão, a entidade atuou, por meio da diretoria nacional, do plenário e da CNMA para sustentar o tripé formado pela defesa dos direitos e prerrogativas, aperfeiçoamento legislativo e promoção da equidade de gênero no sistema de Justiça. Uma das principais iniciativas foi a criação, pela comissão, da campanha nacional de combate ao assédio praticado contra advogadas.

“A luta pela igualdade de gênero e pelo fim da violência contra a mulher é um compromisso diuturno. E não poderia ser diferente, já que as advogadas representam mais da metade dos quadros da Ordem e há uma cultura, na sociedade em geral, de assédio e desrespeito motivado por questões de gênero, que precisa ser definitivamente enterrada. O sistema de Justiça e a sociedade brasileira precisam encarar essa realidade”, afirma o presidente da OAB Nacional, Beto Simonetti.

A campanha “Advocacia sem Assédio” foi lançada em 8 de março, Dia Internacional da Mulher, tendo em vista o resultado de pesquisa da International Bar Association (IBA). O levantamento mostrou que, em 2019, a cada três advogadas, uma já havia sido assediada sexualmente, e, a cada duas mulheres, uma já sofrera assédio moral. A ação envolveu a criação de canal de denúncias para advogadas; de cartilha; além da realização de debates virtuais, rodas de conversa e eventos regionais.

“O fim do assédio e o respeito às prerrogativas das mulheres advogadas precisa ser um compromisso de todos os advogados, do Sistema de Justiça e da sociedade. A Comissão e o CNMA cumprem o papel de auxiliar nesse combate de forma efetiva, seja recolhendo e apurando denúncias, seja inserindo o debate de inclusão no meio jurídico e na esfera pública”, explica Cristiane Damasceno, presidente da CNMA.

Leia Também:  1ª Turma mantém decisão que negou direito de aposentadoria especial para juízes

Em maio, a OAB também prepara o lançamento de projeto de mentoria para advogadas com foco na inserção na carreira e desenvolvimento pessoal. O projeto está sendo coordenado pela CNMA.

Debate legislativo

A iniciativa de inserir a Ordem efetivamente nos debates em prol da equidade de gênero pode ser vista também nas discussões acerca de duas proposições legislativas prioritárias para o tema. Na primeira, sobre a criação do Estatuto da Vítima (Projeto de Lei 3890/2020), Cristiane Damasceno participou de audiência pública em 24 de fevereiro, na Câmara dos Deputados, e chamou atenção para a necessidade de humanização da condução dos casos de violência de gênero, entre outras, com a implementação de medidas como a extensão da oitiva das vítimas a todas as etapas do Processo Penal. A maior preocupação da Ordem diz respeito ao constrangimento e preconceito sofrido pelas vítimas em função das agressões.

A CNMA também se manifestou sobre a aprovação, pelo Congresso Nacional, da Proposta de Emenda à Constituição 18/2021, que isenta os partidos que descumpriram a cota mínima de 30% de mulheres candidatas da sanção prevista em lei – destinação de 5% do Fundo Partidário às iniciativas de participação política da mulher. “A anistia aprovada pelo Congresso enfraqueceu a lei de cotas para mulheres nas eleições. Vai contra todo o movimento atual de inclusão de gênero nos espaços político-decisórios e corre o risco de tornar a lei inócua”, afirma Cristiane.

No âmbito do Sistema de Justiça, a CNMA também participou do lançamento do Observatório de Excelências Femininas, iniciativa do Tribunal Superior do Trabalho (TST) com o objetivo de combater as desigualdades no âmbito da Justiça do Trabalho. A Ordem colocou-se à disposição para contribuir com a construção do Observatório.

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

ARTIGOS

Renato Nery: sua morte exige voz, justiça e memória

Publicados

em

A morte brutal do advogado e ex-presidente da OAB-MT, Dr. Renato Gomes Nery, não pode ser tratada com indiferença. Trata-se de um crime que atinge diretamente a advocacia e a democracia. Renato foi um homem honrado, combativo e comprometido com a justiça — sua memória exige respeito e posicionamento firme por parte da sociedade e das instituições.

É inaceitável que um colega de trajetória tão marcante seja silenciado sem uma reação proporcional à gravidade do que ocorreu. Tive a honra de iniciar minha vida institucional na OAB-MT como conselheiro estadual em sua gestão. Conheci de perto o homem e o advogado.

Como ex-presidente da OAB-MT, tenho a obrigação de falar de Renato Nery. Não posso me calar diante da execução de um colega que também ocupou essa honrosa função. A presidência da Ordem não é apenas um cargo: é um compromisso com a defesa intransigente da advocacia e da democracia. Renato honrou essa missão com coragem, combatividade e senso de justiça.

A execução do colega, agora apontada pelas investigações como motivada por disputas fundiárias, exige não apenas uma rigorosa apuração policial, mas também uma profunda reflexão sobre os riscos enfrentados pelos que exercem a advocacia com independência e compromisso. O advogado precisa ter, acima de tudo, segurança para atuar. Sem isso, toda a estrutura democrática se fragiliza.

Leia Também:  Evento leva mulheres do agro para conhecer agropecuária em Poconé

É essencial que todos os desdobramentos do crime sejam investigados com máxima seriedade, inclusive aqueles de natureza patrimonial – para afastar oportunistas. Nada pode ser omitido ou minimizado. Só assim evitaremos injustiças irreparáveis e honraremos verdadeiramente a memória de Renato.

Neste momento em que prisões foram realizadas, inclusive de pessoas apontados como mandantes, é justo reconhecer o trabalho diligente dos órgãos de segurança pública, especialmente da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa. A atuação firme e técnica tem sido crucial para elucidar os fatos e oferecer respostas à sociedade.

À família de Renato, deixo minha solidariedade mais sincera. Que o legado de integridade, coragem e compromisso deixado por ele sirva como farol para todos os que ainda acreditam no poder transformador da advocacia e na força da verdade.

Renato Nery merece ser lembrado, respeitado e defendido — em vida e na memória. Seu nome não pode ser esquecido, nem a sua luta ignorada.

Por Ussiel Tavares, advogado e ex-presidente da OAB-MT

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

CIDADES

POLÍTICA

MULHER

POLÍCIA

MAIS LIDAS DA SEMANA