JURÍDICO
Em encontro no STF, mulheres debatem importância da igualdade de gênero
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“As mulheres são muito celebradas nas relações familiares e afetivas, mas são inviabilizadas e invisibilizadas nas relações de poder”. Assim afirmou a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Rosa Weber, no encerramento do evento “O Olhar Delas”, que discutiu com outras mulheres o papel feminino atualmente e a garantia dos direitos sociais. O encontro foi realizado nesta quarta-feira (8), dia em que é celebrado o Dia Internacional da Mulher, e contou com a participação da pesquisadora Margareth Dalcolmo, da atriz Regina Casé, da ministra Cármen Lúcia, do STF, e da estagiária do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) Alcineide Cordeiro, integrante do povo indígena Piratapuya.
“Mesmo quando nós, mulheres, logramos ocupar espaço institucional, maior é o esforço para sermos ouvidas em pé de igualdade com os homens”, destacou a ministra Rosa Weber. Segundo ela, apesar das adversidades enfrentadas pelas mulheres na sociedade, é preciso seguir adiante. “Devemos ter, no horizonte, a construção de uma democracia que, reconhecendo a existência de diferenças de gêneros, seja capaz de garantir a homens e mulheres a efetiva igualdade de direitos”.
Para a ministra Cármen Lúcia, a data não é motivo de comemoração, mas de reflexão. “A gente deve ter dignidade somente pela condição de ser humano. Ninguém deve ser violentado em qualquer uma das suas formas, seja física, psíquica, econômica e política, pela simples circunstância de ser o que é”.
Mulheres na ciência
A médica e pesquisadora Margareth Dalcolmo falou sobre a representatividade feminina no campo científico e sobre os desafios para aumentar o acesso das mulheres nas universidades e nos centros de pesquisas. “Apesar de serem metáforas bonitas, não somos guerreiras, amazonas, nem somos de aço. Somos feitas de uma substância chamada mulher, que se adequa, se adapta, se emociona, chora e sangra; e é isso que nos faz lutar”, disse.
Luta antirracista
Já Regina Casé falou sobre a luta antirracista e de gênero, principalmente nas questões relacionadas às desigualdades sociais enfrentadas pelas mulheres negras e que vivem em regiões periféricas. “Existem mulheres que trabalham exaustivamente e convivem muito pouco com seus filhos, que chegam à casa tarde ou que só os veem no fim de semana. São muitas mulheres que trabalham incessantemente pelo Brasil. Muitas delas têm inteligência, potencial e capacidade inventiva e criativa e, se estivessem em outro papel social, engrandeceriam muito mais o país”, afirmou.
Minorias
Para Alcineide Cordeiro, a desigualdade de gênero atinge ainda mais as minorias e os segmentos específicos da sociedade. “O lugar da mulher indígena é em todos os locais em que ela quiser estar. E, hoje, estamos ocupando todos os lugares que, historicamente, nos foram negados”, falou.
Memória
A ministra Rosa Weber também lembrou que, nesta quarta (8), completam-se 60 dias do dia do vandalismo no Tribunal. “Os envolvidos não lograram o seu intento, porque a nossa democracia restou inabalada e resta inabalável”, disse.
O Olhar Delas: veja fotos do evento e assista no YouTube do STF.
PS//GR
Fonte: STF
ARTIGOS
Renato Nery: sua morte exige voz, justiça e memória
A morte brutal do advogado e ex-presidente da OAB-MT, Dr. Renato Gomes Nery, não pode ser tratada com indiferença. Trata-se de um crime que atinge diretamente a advocacia e a democracia. Renato foi um homem honrado, combativo e comprometido com a justiça — sua memória exige respeito e posicionamento firme por parte da sociedade e das instituições.
É inaceitável que um colega de trajetória tão marcante seja silenciado sem uma reação proporcional à gravidade do que ocorreu. Tive a honra de iniciar minha vida institucional na OAB-MT como conselheiro estadual em sua gestão. Conheci de perto o homem e o advogado.
Como ex-presidente da OAB-MT, tenho a obrigação de falar de Renato Nery. Não posso me calar diante da execução de um colega que também ocupou essa honrosa função. A presidência da Ordem não é apenas um cargo: é um compromisso com a defesa intransigente da advocacia e da democracia. Renato honrou essa missão com coragem, combatividade e senso de justiça.
A execução do colega, agora apontada pelas investigações como motivada por disputas fundiárias, exige não apenas uma rigorosa apuração policial, mas também uma profunda reflexão sobre os riscos enfrentados pelos que exercem a advocacia com independência e compromisso. O advogado precisa ter, acima de tudo, segurança para atuar. Sem isso, toda a estrutura democrática se fragiliza.
É essencial que todos os desdobramentos do crime sejam investigados com máxima seriedade, inclusive aqueles de natureza patrimonial – para afastar oportunistas. Nada pode ser omitido ou minimizado. Só assim evitaremos injustiças irreparáveis e honraremos verdadeiramente a memória de Renato.
Neste momento em que prisões foram realizadas, inclusive de pessoas apontados como mandantes, é justo reconhecer o trabalho diligente dos órgãos de segurança pública, especialmente da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa. A atuação firme e técnica tem sido crucial para elucidar os fatos e oferecer respostas à sociedade.
À família de Renato, deixo minha solidariedade mais sincera. Que o legado de integridade, coragem e compromisso deixado por ele sirva como farol para todos os que ainda acreditam no poder transformador da advocacia e na força da verdade.
Renato Nery merece ser lembrado, respeitado e defendido — em vida e na memória. Seu nome não pode ser esquecido, nem a sua luta ignorada.
Por Ussiel Tavares, advogado e ex-presidente da OAB-MT
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