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Conselheiros do CNJ e OAB dialogam sobre definição das metas nacionais da Justiça

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O presidente da OAB Nacional, Beto Simonetti, recebeu, na quarta-feira (17/8), os conselheiros do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) Marcelo Terto e Marcos Vinícius Jardim e a desembargadora do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) Tânia Reckziegel, que também já integrou o órgão. O grupo debateu temas variados, focados em aprimorar e estimular a atuação da advocacia em diferentes áreas.  

Dentre as discussões feitas, Terto e Jardim afirmaram que estão demandando, no processo de elaboração das próximas metas do CNJ, a participação da advocacia. “Viemos discutir a participação ativa da OAB e da advocacia na elaboração das metas do Poder Judiciário, com a perspectiva de oferecer elementos qualitativos de elaboração e avaliação dos números da Justiça brasileira”, explicou Terto.

Simonetti comunga da preocupação. “É pensar se as decisões estão boas, para além dos números. O que me preocupa é que pode ser que, para atingir as metas, os juízes possam julgar olhando para a quantidade. É interessante pensar em metas novas, ou elaborar melhor as já estabelecidas no sentido de não perder de vista a qualidade em cada área do direito em nome do jurisdicionado”, disse. 

Para este ano, são 12 metas. A primeira e recorrente recomenda que os juízes julguem mais processos que os distribuídos aos gabinetes deles. A lista inclui também julgar os processos mais antigos, estimular a conciliação, priorizar o julgamento dos processos relativos aos crimes contra a Administração Pública, à improbidade administrativa e aos ilícitos eleitorais, das ações coletivas, dos recursos repetitivos (STJ), dos processos relacionados ao feminicídio e violência doméstica e familiar (Justiça Estadual), reduzir a taxa de congestionamento (mede o percentual de processos que ficaram parados sem solução, em relação ao total tramitado no período de um ano), estimular a inovação no Judiciário e promover a transformação digital, Justiça 4.0.

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Essas metas são, majoritariamente, na análise dos conselheiros, quantitativas. E a advocacia pode contribuir com aspectos qualitativos, amparada no olhar do jurisdicionado sobre o funcionamento da Justiça. Assim, também faz parte da proposta a realização de evento no CNJ em que se integre a advocacia na compreensão da metodologia e do procedimento para a elaboração dessas metas. Assim, podem ser identificados os espaços nos quais a advocacia contribua de maneira mais ativa.

Opinião dos tomadores dos serviços

“Hoje, a avaliação é feita amparada puramente em números. A visão do usuário, do advogado, da advogada, ainda é muito lateral. As metas são criadas, alteradas e reavaliadas anualmente, e é chegada a hora de acrescentar tempero da opinião dos tomadores dos serviços essenciais prestados pelo Sistema de Justiça”, avalia Terto.

Como a presidência do CNJ será alterada em setembro e a consulta pública sobre o tema está programada para outubro, a fixação das novas metas deve se dar em novembro. Em setembro, ocorrerá a 2ª Reunião preparatória para o 16º Encontro Nacional do Poder Judiciário, evento tradicionalmente realizado ao final de cada ano que reúne a cúpula do Judiciário para reflexão e aprovação de diretrizes para Justiça brasileira, quando as metas são apresentadas e aprovadas.

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Marcos Vinícius Jardim afirma que a proposta é relevante, tendo em vista o ideário de que Justiça não se faz apenas com números. “Ao se pensar que a Justiça é voltada para o povo, e o advogado é quem representa o cidadão brasileiro, então é interessante que as metas do Poder Judiciário também tenham a colaboração da advocacia. É muito importante a gente ter essa interatividade também”, ressalta. 

Ele lembra, ainda, que a elaboração dessas metas faz parte da fundação da instituição, tendo o CNJ sido criado com a finalidade de trabalhar também a gestão do Judiciário. E, assim, a participação da advocacia é fundamental. 

Dentre as pautas abordadas, o grupo também discutiu a criação de uma Comissão Especial de Direito Militar e uma Ouvidoria da Mulher no CFOAB. Quanto a ambas, o presidente da OAB Nacional afirmou que já estão em andamento e logo devem ser formalizadas.

Fonte: OAB Nacional

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Renato Nery: sua morte exige voz, justiça e memória

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A morte brutal do advogado e ex-presidente da OAB-MT, Dr. Renato Gomes Nery, não pode ser tratada com indiferença. Trata-se de um crime que atinge diretamente a advocacia e a democracia. Renato foi um homem honrado, combativo e comprometido com a justiça — sua memória exige respeito e posicionamento firme por parte da sociedade e das instituições.

É inaceitável que um colega de trajetória tão marcante seja silenciado sem uma reação proporcional à gravidade do que ocorreu. Tive a honra de iniciar minha vida institucional na OAB-MT como conselheiro estadual em sua gestão. Conheci de perto o homem e o advogado.

Como ex-presidente da OAB-MT, tenho a obrigação de falar de Renato Nery. Não posso me calar diante da execução de um colega que também ocupou essa honrosa função. A presidência da Ordem não é apenas um cargo: é um compromisso com a defesa intransigente da advocacia e da democracia. Renato honrou essa missão com coragem, combatividade e senso de justiça.

A execução do colega, agora apontada pelas investigações como motivada por disputas fundiárias, exige não apenas uma rigorosa apuração policial, mas também uma profunda reflexão sobre os riscos enfrentados pelos que exercem a advocacia com independência e compromisso. O advogado precisa ter, acima de tudo, segurança para atuar. Sem isso, toda a estrutura democrática se fragiliza.

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É essencial que todos os desdobramentos do crime sejam investigados com máxima seriedade, inclusive aqueles de natureza patrimonial – para afastar oportunistas. Nada pode ser omitido ou minimizado. Só assim evitaremos injustiças irreparáveis e honraremos verdadeiramente a memória de Renato.

Neste momento em que prisões foram realizadas, inclusive de pessoas apontados como mandantes, é justo reconhecer o trabalho diligente dos órgãos de segurança pública, especialmente da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa. A atuação firme e técnica tem sido crucial para elucidar os fatos e oferecer respostas à sociedade.

À família de Renato, deixo minha solidariedade mais sincera. Que o legado de integridade, coragem e compromisso deixado por ele sirva como farol para todos os que ainda acreditam no poder transformador da advocacia e na força da verdade.

Renato Nery merece ser lembrado, respeitado e defendido — em vida e na memória. Seu nome não pode ser esquecido, nem a sua luta ignorada.

Por Ussiel Tavares, advogado e ex-presidente da OAB-MT

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