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A JE Mora ao Lado: mesário atua como voluntário desde a redemocratização, em 1988

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Há 34 anos, João de Jesus de Souza Barros, de Portel (PA), contribui para a democracia no Brasil como mesário voluntário nas eleições. A primeira vez que atuou foi nas Eleições Municipais de 1988. Desde então, já são 17 pleitos na história do professor de 60 anos, que não pretende parar tão cedo.

Veja entrevista no canal do TSE no YouTube.

Uma das convicções mais fortes de João é a de que o povo é soberano para decidir os rumos da nação. E de que o trabalho do mesário é garantir que a manifestação da vontade de cada brasileiro ou brasileira apto a votar seja registrada de forma livre, segura e transparente. “Em todas as seções em que trabalhei nunca houve nenhum problema. Ninguém impugnou a urna, não houve confusão. Nós sempre trabalhamos com a transparência”, relata.

JE mora ao lado, João de Jesus - 15.02.2022

Para o professor, a questão da escolha dos locais de votação em sua cidade é uma preocupação, tanto sob o ponto de vista da segurança e do conforto quanto pela questão da acessibilidade. “Aqui em Portel já tivemos algumas dificuldades para montar a seção eleitoral, devido a muitos dos espaços não serem adequados. Atualmente já temos melhores espaços para desenvolvermos o nosso trabalho”, conta.

O trabalho como mesário voluntário nunca foi visto por João de Jesus como um fardo, mas como uma contribuição para o país, o seu estado e o seu município. “Eu nunca reclamei. Nunca achei que eu estava ali obrigado. Eu sempre achei que estava ali contribuindo com o meu país”, confessa. Por isso, no trabalho com crianças do Ensino Fundamental, ele se preocupa em transmitir aos alunos a importância desse civismo. “Eu tenho contribuído da forma que posso para que as coisas possam acontecer”, acredita.

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Como posso ser mesário voluntário?

As pessoas que se interessarem em servir como mesários nas eleições de outubro podem se informar na página do mesário voluntário no portal no TSE e fazer a inscrição na página do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do estado. Será necessário informar o número do título de eleitor, o nome completo, a data de nascimento e os nomes dos pais. A inscrição também pode ser feita por meio do aplicativo e-Título.

Em regra, qualquer brasileiro ou brasileira que esteja em situação cadastral regular junto à Justiça Eleitoral e seja maior de 18 anos pode ser mesário, seja voluntário, seja convocado. As exceções são os candidatos, seus cônjuges e parentes até segundo grau; membros de diretórios de partidos políticos com função executiva; autoridades e agentes policiais que exerçam cargo de confiança no Poder Executivo; e quem trabalha na Justiça Eleitoral.

Ao longo de todo o ano eleitoral os mesários são capacitados por meio de uma plataforma de ensino à distância (EaD), ou, ainda, por meio do aplicativo Mesário. Os TREs, de acordo com a possibilidade logística e sanitária, também podem organizar treinamentos presenciais. No treinamento, os futuros mesários terão noções sobre o fluxo de votação, os procedimentos a serem adotados na seção eleitoral e as soluções para eventuais problemas. Também recebem um checklist de início do trabalho e do encerramento do dia de votação.

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Vantagens de ser mesário

Além da oportunidade de atuar efetivamente para o fortalecimento da democracia brasileira e do Estado Democrático de Direito, os mesários são recompensados com o direito a dois dias de folga no trabalho – caso tenha participado do treinamento, mais dois dias são acrescentados.

Além disso, o trabalho como mesário pode servir como critério de desempate em concursos públicos (caso esteja previsto no edital). O mesário universitário conta com mais uma vantagem: 30 horas de crédito na grade extracurricular, se a instituição universitária onde ele esteja matriculado for conveniada com o TRE local.

Série Mesários – a JE Mora ao Lado 

Essa história faz parte da série Mesários – a Justiça Eleitoral Mora ao Lado. Os textos estão sendo publicados a partir de fevereiro, mês em que a Justiça Eleitoral comemora 90 anos. A ideia é mostrar que a atuação para garantir o processo democrático por meio das eleições só é possível graças às mesárias e aos mesários que participam ativamente do processo eleitoral em todo o país.

RG/CM, DM

Leia mais:

10.02.2022 – A JE Mora ao Lado: Kevanio atua como mesário para contribuir com a democracia

08.02.2022 – A JE Mora ao Lado: mesário viaja para a cidade onde nasceu para votar e trabalhar nas eleições

03.02.2022 – A JE Mora ao Lado: amor e carinho são elementos fundamentais para ser mesária, destaca voluntária

01.02.2022 – A JE Mora ao Lado – série mostra histórias de pessoas que atuam para garantir a cidadania por meio do voto

Fonte: TSE

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Renato Nery: sua morte exige voz, justiça e memória

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A morte brutal do advogado e ex-presidente da OAB-MT, Dr. Renato Gomes Nery, não pode ser tratada com indiferença. Trata-se de um crime que atinge diretamente a advocacia e a democracia. Renato foi um homem honrado, combativo e comprometido com a justiça — sua memória exige respeito e posicionamento firme por parte da sociedade e das instituições.

É inaceitável que um colega de trajetória tão marcante seja silenciado sem uma reação proporcional à gravidade do que ocorreu. Tive a honra de iniciar minha vida institucional na OAB-MT como conselheiro estadual em sua gestão. Conheci de perto o homem e o advogado.

Como ex-presidente da OAB-MT, tenho a obrigação de falar de Renato Nery. Não posso me calar diante da execução de um colega que também ocupou essa honrosa função. A presidência da Ordem não é apenas um cargo: é um compromisso com a defesa intransigente da advocacia e da democracia. Renato honrou essa missão com coragem, combatividade e senso de justiça.

A execução do colega, agora apontada pelas investigações como motivada por disputas fundiárias, exige não apenas uma rigorosa apuração policial, mas também uma profunda reflexão sobre os riscos enfrentados pelos que exercem a advocacia com independência e compromisso. O advogado precisa ter, acima de tudo, segurança para atuar. Sem isso, toda a estrutura democrática se fragiliza.

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É essencial que todos os desdobramentos do crime sejam investigados com máxima seriedade, inclusive aqueles de natureza patrimonial – para afastar oportunistas. Nada pode ser omitido ou minimizado. Só assim evitaremos injustiças irreparáveis e honraremos verdadeiramente a memória de Renato.

Neste momento em que prisões foram realizadas, inclusive de pessoas apontados como mandantes, é justo reconhecer o trabalho diligente dos órgãos de segurança pública, especialmente da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa. A atuação firme e técnica tem sido crucial para elucidar os fatos e oferecer respostas à sociedade.

À família de Renato, deixo minha solidariedade mais sincera. Que o legado de integridade, coragem e compromisso deixado por ele sirva como farol para todos os que ainda acreditam no poder transformador da advocacia e na força da verdade.

Renato Nery merece ser lembrado, respeitado e defendido — em vida e na memória. Seu nome não pode ser esquecido, nem a sua luta ignorada.

Por Ussiel Tavares, advogado e ex-presidente da OAB-MT

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