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Mesmo com leve alta nos preços, algodão enfrenta custos históricos

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Apesar de uma leve valorização nos preços do algodão no mercado brasileiro nesta semana, o cenário para a cotonicultura ainda é marcado por instabilidade econômica. A combinação entre custos de produção elevados, recuo nas exportações e sinais de saturação da demanda global levanta dúvidas sobre a rentabilidade da próxima safra e pressiona o planejamento dos produtores.

Segundo especialistas, a recente alta de 0,25% nas cotações em São Paulo — com a pluma negociada a R$ 4,07 por libra-peso — está mais ligada a movimentações pontuais da indústria têxtil do que a uma tendência sustentada de valorização. Em outras regiões, como Rondonópolis (MT), o avanço foi semelhante, mas insuficiente para alterar o quadro de margens apertadas e custo elevado por hectare.

No Mato Grosso, principal polo produtor do país, o custo para o cultivo de algodão na safra 2025/26 permanece acima de R$ 10,6 mil por hectare — segundo maior da série histórica. Ainda que tenha ocorrido uma queda tímida de 0,17% nos gastos em junho, puxada pela redução nos preços de micronutrientes e corretivos do solo, os valores seguem altos o suficiente para exigir atenção redobrada à chamada relação de troca.

A comparação entre preços da pluma e fertilizantes revela um alívio pontual. Para adquirir uma tonelada de fertilizante do tipo KCL, por exemplo, o produtor precisaria de 17,25 arrobas de algodão — número ainda elevado, mas 21% menor do que a média dos últimos anos. No caso do SAM, a relação é de 13,96 arrobas por tonelada, também abaixo do padrão histórico.

Esse pequeno fôlego no custo dos insumos pode abrir espaço para negociações mais favoráveis na próxima safra, mas não resolve o problema estrutural de compressão nas margens, agravado pela estagnação dos preços internacionais e pelas incertezas no câmbio e no comércio global.

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Enquanto os custos preocupam no campo, os números da balança comercial acendem um sinal de alerta. Nas primeiras três semanas úteis de julho, as exportações brasileiras de algodão somaram 81,99 mil toneladas — com uma média diária de 5.856 toneladas. Trata-se de uma retração de quase 20% em relação ao mesmo período do ano passado. A receita cambial caiu ainda mais: quase 30% abaixo do desempenho anterior.

Apesar da manutenção da projeção anual de 2,9 milhões de toneladas exportadas, analistas alertam para uma desaceleração do apetite externo, reflexo da demanda mais fraca em países asiáticos e da oferta elevada em mercados concorrentes, como os Estados Unidos e a Austrália.

A perspectiva para a safra 2025/26 é de manutenção da área cultivada, em torno de 2,12 milhões de hectares. No entanto, a produção total pode recuar levemente, ficando em torno de 3,86 milhões de toneladas. A explicação está na pressão de preços globais mais baixos, que têm levado produtores a reconsiderar o plantio de culturas de maior risco.

De acordo com especialistas, enquanto pequenos e médios produtores tendem a migrar parte de suas áreas para lavouras com melhor retorno esperado, grandes grupos agrícolas ainda indicam intenção de manter ou até expandir as áreas destinadas ao algodão. Esse equilíbrio pode sustentar a estabilidade, ao menos em termos de volume.

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A safra 2024/25 teve a produção revisada para 3,89 milhões de toneladas, graças a ajustes na área plantada na Bahia — mesmo diante de um clima adverso e de produtividade abaixo da média histórica. No Mato Grosso, porém, o rendimento por hectare caiu ligeiramente para 1,86 tonelada, com relatos de preocupação quanto à densidade da pluma colhida.

No mercado interno, o consumo da pluma foi revisto para 680 mil toneladas em 2024/25 e pode atingir 720 mil toneladas no ciclo seguinte, segundo estimativas de analistas. Ainda assim, esse volume representa apenas uma fração da produção nacional, o que torna o desempenho das exportações ainda mais decisivo para o equilíbrio do setor.

O algodão brasileiro vive um momento de transição, em que a leve recuperação dos preços domésticos ainda não é suficiente para compensar os desafios estruturais do setor. A perda de ritmo nas exportações, o custo elevado de produção e a concorrência global intensa colocam os produtores diante de um cenário que exige planejamento rigoroso, boa gestão financeira e cautela na tomada de decisão para a próxima safra.

Com estabilidade na área plantada e perspectivas de consumo interno em leve alta, o desempenho do algodão nos próximos meses dependerá sobretudo de fatores macroeconômicos — como o câmbio, a demanda asiática e o comportamento dos preços internacionais. Até lá, o setor caminha entre a resiliência e a incerteza.

Fonte: Pensar Agro

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Rural Show projeta novo salto em negócios e reforça avanço do agro

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A cidade de  Ji-Paraná (373 km da capital, Porto Velho), se prepara para a 13ª edição da Rondônia Rural Show Internacional, que será realizada entre 25 e 30 de maio. A expectativa é de ampliar novamente o volume de negócios e consolidar a feira como uma das principais vitrines do agronegócio na região Norte. Na edição de 2025, o evento movimentou cerca de R$ 3,5 bilhões em negócios, com mais de 270 mil visitantes e cerca de 650 expositores, segundo o governo estadual. Para 2026, a projeção do setor é de crescimento, puxado pela maior demanda por tecnologia, crédito e soluções produtivas no campo.

Realizada em um momento de expansão da fronteira agrícola no Norte, a feira tem ganhado peso não apenas regional, mas também nacional, ao reunir produtores, empresas, instituições financeiras e centros de pesquisa em um ambiente voltado à geração de negócios. A expectativa é de que a edição deste ano mantenha o ritmo de crescimento, impulsionada principalmente por investimentos em mecanização, irrigação e genética animal.

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O avanço da Rondônia Rural Show acompanha a própria evolução do agronegócio no Estado. Rondônia vem ampliando sua participação na produção nacional, com destaque para a pecuária de corte e leite, além do crescimento da soja e do milho. Esse movimento tem elevado a demanda por tecnologia e assistência técnica, abrindo espaço para eventos que conectam oferta e demanda dentro do setor.

A feira também se consolida como plataforma de acesso a crédito. Instituições financeiras costumam concentrar no evento o lançamento de linhas de financiamento e condições especiais para aquisição de máquinas, equipamentos e insumos. Em um cenário de maior seletividade no crédito rural, esse tipo de ambiente ganha relevância para o produtor que busca viabilizar investimentos.

Outro eixo do evento é a difusão tecnológica. Empresas e instituições apresentam soluções voltadas ao aumento de produtividade e à redução de custos, com foco em sistemas mais eficientes e adaptados às condições da região Norte. A presença de startups e empresas de inovação tem crescido, refletindo a digitalização do campo.

Além da agricultura e da pecuária, a feira abre espaço para cadeias emergentes e produtos de valor agregado, ampliando as oportunidades para pequenos e médios produtores. A diversidade de expositores e a programação técnica reforçam o caráter de capacitação e atualização profissional do evento.

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Serviço
Evento: 13ª Rondônia Rural Show Internacional
Data: 25 a 30 de maio de 2026
Local: Rodovia BR-364, km 333 (11 km de Ji-Paraná, sentido Presidente Médici)
Cidade: Ji-Paraná (RO)

Fonte: Pensar Agro

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