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Inflação de 0,06% reforça expectativa de Selic a 14% nesta quarta e permite juros menores

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A queda dos preços dos alimentos levou a prévia da inflação oficial a apenas 0,06% em julho e reforçou a expectativa de redução dos juros. A expectativa é de que, diante deste cenário, o Comitê de Política Monetária (Copom) anuncie nesta quarta-feira (05.08) a nova taxa básica de juros. O mercado espera um corte de 0,25 ponto percentual, o que reduziria a Selic de 14,25% para 14% ao ano e pode iniciar um alívio gradual no custo do crédito para o produtor rural.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) desacelerou depois de avançar 0,41% em junho. No acumulado de 2026, a alta chegou a 3,51%. Em 12 meses, caiu de 4,80% para 4,52%, aproximando-se do teto de 4,5% estabelecido para a meta de inflação.

Os dados foram pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O principal alívio veio do grupo alimentação e bebidas, que recuou 0,66%. Os produtos comprados para consumo dentro das residências ficaram, em média, 1,14% mais baratos.

Entre as maiores quedas aparecem tomate, com recuo de 19,95%, batata-inglesa, de 10,03%, e café moído, de 3,13%. Também houve redução nos preços médios das carnes, dos cereais, das oleaginosas, dos óleos vegetais e dos derivados de açúcar.

A diminuição ocorre em um período de maior entrada de algumas safras no mercado e de recuperação da oferta de produtos agrícolas. Hortaliças, frutas e outros alimentos perecíveis costumam apresentar oscilações mais fortes porque dependem do clima, do calendário de colheita e da velocidade de comercialização.

Para o produtor, porém, a queda registrada no supermercado precisa ser analisada com cuidado. O índice reúne preços pagos pelo consumidor e inclui custos de beneficiamento, embalagem, transporte, armazenamento, distribuição e margem do varejo. Portanto, não reproduz exatamente o valor recebido dentro da propriedade.

Em culturas perecíveis, uma oferta maior pode reduzir rapidamente os preços ao produtor. O aumento da produção ajuda a controlar a inflação e favorece o consumidor, mas exige planejamento da comercialização para evitar perdas e preservar a margem da atividade.

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Nas carnes, o recuo médio foi de 0,36% em julho. A redução pode estimular o consumo doméstico de carne bovina, suína e de frango, especialmente entre famílias que haviam substituído proteínas ou diminuído as compras durante os períodos de maior inflação.

Cereais, leguminosas e oleaginosas ficaram 0,38% mais baratos no mês e acumulam queda de 4,43% em 12 meses. Óleos e gorduras recuaram 1,33%, enquanto açúcares e derivados caíram 0,85%. Leite e derivados seguiram em direção diferente, com alta de 0,19% em julho e de 4,29% em 12 meses.

A alimentação fora do domicílio também permaneceu mais cara. O grupo avançou 0,55%, com alta de 0,66% nas refeições. O comportamento mostra que os custos de restaurantes e serviços de alimentação ainda refletem despesas com mão de obra, energia, aluguel, transporte e processamento, mesmo quando parte da matéria-prima fica mais barata.

A desaceleração da inflação aumenta a pressão por juros menores. O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), anuncia nesta quarta-feira (05.08), à noite, sua nova decisão sobre a taxa básica de juros, a Selic. A expectativa predominante no mercado é de redução de 0,25 ponto percentual, dos atuais 14,25% para 14% ao ano.

Um corte dessa dimensão não muda imediatamente as contas do produtor, mas pode sinalizar o início de um ciclo de redução do custo financeiro. O efeito tende a aparecer gradualmente nas linhas com recursos livres, no financiamento de máquinas, na antecipação de recebíveis e nas operações utilizadas para custear atividades não atendidas pelo crédito rural controlado.

Juros menores também podem aliviar as renegociações de dívidas, favorecer o alongamento dos compromissos e reduzir o custo de novos investimentos em armazenagem, irrigação, agricultura de precisão e recuperação de pastagens. O benefício dependerá da continuidade da queda da inflação e da disposição dos bancos para repassar as reduções.

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O relatório semanal do RaboResearch considera que a economia brasileira entrou no segundo semestre com sinais mais consistentes de desinflação. A avaliação aponta os alimentos como principal fator de alívio, mas mantém atenção sobre o câmbio, o petróleo e os juros internacionais.

Os combustíveis contribuíram positivamente em julho. O etanol ficou 2,50% mais barato, o óleo diesel recuou 1,32% e a gasolina caiu 0,68%. Para o campo, a redução do diesel é especialmente relevante porque o combustível participa dos custos das máquinas agrícolas, do transporte da produção e do deslocamento de insumos.

O cenário externo, contudo, ainda pode alterar essa trajetória. O petróleo Brent voltou a operar perto do equivalente a R$ 410 por barril, enquanto o dólar comercial encerrou a terça-feira ao redor de R$ 5,13. Alta do petróleo e desvalorização do real podem pressionar diesel, frete, fertilizantes e defensivos agrícolas.

O câmbio produz efeitos diferentes dentro do agronegócio. Um dólar mais valorizado favorece a conversão das receitas obtidas com soja, milho, café, algodão, açúcar e carnes vendidos ao exterior. Ao mesmo tempo, encarece fertilizantes, defensivos, peças e outros produtos importados.

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed), banco central norte-americano, manteve os juros entre 3,50% e 3,75% ao ano. A permanência das taxas em patamar elevado ajuda a atrair recursos para o mercado norte-americano e pode limitar uma valorização mais forte do real.

A inflação mais baixa dos alimentos é uma notícia favorável para o consumo e para a perspectiva de redução dos juros no Brasil. Para o produtor, o ganho será mais consistente se vier acompanhado de crédito menos caro, estabilidade do dólar e redução dos custos de produção, sem que o recuo dos preços comprometa a renda obtida com a safra.

Fonte: Pensar Agro

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Brasil confirma dumping no leite importado, mas tarifa não sai do papel

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O governo brasileiro confirmou que empresas da Argentina e do Uruguai venderam leite em pó ao País em condições desleais, mas manteve suspensas as tarifas criadas para proteger o produtor nacional. A decisão mantém o produto estrangeiro entrando sem a cobrança adicional enquanto são avaliados os efeitos da medida sobre a indústria e os consumidores.

A investigação do Departamento de Defesa Comercial (Decom), ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), encontrou dumping e prejuízo à produção brasileira. A prática ocorre quando uma empresa exporta um produto por valor artificialmente baixo, prejudicando os concorrentes no mercado comprador.

Em junho, o Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex) aprovou tarifas diferentes para cada exportador, com vigência prevista até 8 de junho de 2031. Dependendo da empresa, a cobrança poderia superar 100% do preço médio do leite em pó importado.

A própria resolução, porém, suspendeu imediatamente a aplicação das tarifas por razões de interesse público. Com isso, o dumping foi reconhecido, mas o leite argentino e uruguaio continua entrando no Brasil sem a medida de defesa comercial.

No fim de julho, o governo abriu uma avaliação para calcular os possíveis efeitos da cobrança sobre produção, distribuição, comércio e consumo. Não há prazo definido para que o Gecex tome uma decisão final.

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A suspensão provocou reação da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e de entidades da cadeia leiteira. O setor argumenta que o produto importado reduz o preço pago ao pecuarista e atinge principalmente pequenas e médias propriedades, com menor capacidade para suportar períodos prolongados de baixa remuneração.

“Não adianta reconhecer que há mais de 60% de dumping nesse leite em pó que entra no Brasil e não aplicar as tarifas”, afirmou o presidente da FPA, Pedro Lupion. Segundo ele, a concorrência está retirando produtores da atividade e afetando a economia de pequenos municípios.

A pressão das importações aumentou neste ano. Dados apresentados pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) mostram que o País importou o equivalente a 1,02 bilhão de litros de leite em produtos lácteos entre janeiro e maio, recorde para o período e crescimento de 10,5% em relação a 2025.

O leite em pó respondeu pelo equivalente a 754 milhões de litros. Argentina e Uruguai forneceram 653 milhões, ou 86% desse volume. Como o produto é reidratado e utilizado por indústrias de alimentos, sua entrada influencia a demanda pelo leite cru produzido no Brasil.

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A CNA sustenta que a tarifa não provocaria aumento relevante no custo da alimentação porque atingiria apenas o leite em pó não fracionado, vendido em embalagens superiores a 800 gramas e utilizado principalmente como insumo industrial. Leite em pó embalado para o consumidor, leite longa vida e queijos não estão incluídos na medida.

O processo foi aberto em dezembro de 2024, após pedido da CNA. A investigação concluiu que houve dumping, dano à cadeia produtiva brasileira e relação entre as importações e o prejuízo interno.

Agora, a disputa está concentrada na aplicação das tarifas. Para o produtor, o reconhecimento da prática tem pouco efeito enquanto a cobrança permanecer suspensa. A proteção somente chegará ao mercado se o Gecex concluir que o benefício para a pecuária leiteira supera eventuais impactos sobre a indústria e os preços ao consumidor.

Fonte: Pensar Agro

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