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Leilões de elite confirmam a força da genética bovina na ExpoZebu
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Termina neste domingo (03.05), em Uberaba (480 km da capital, Belo Horizonte), Minas Gerais, a ExpoZebu 2026, com os leilões de gado de elite que movimentaram mais de R$ 218 milhões, em um dos maiores volumes já registrados no evento.
A agenda comercial da feira previu 41 leilões e 11 shoppings de animais, consolidando Uberaba como principal centro de negócios da pecuária de elite no País. Mesmo com o encerramento dos remates neste domingo, a comercialização segue até amanhã (04.05) com vendas diretas nos chamados “shoppings”, modelo em que os animais são negociados com preço fixo.
O volume financeiro reflete a valorização da genética zebuína, base da pecuária brasileira. Segundo a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), cerca de 80% do rebanho nacional tem origem em raças zebuínas, como Nelore, Gir, Guzerá e Brahman — predominância que explica o peso desses leilões sobre a produção de carne e leite no País.
O Brasil produz em torno de 10 milhões de toneladas de carne bovina por ano e lidera as exportações globais. Minas Gerais responde por cerca de 10% do abate nacional, enquanto o Triângulo Mineiro concentra parte relevante dos criatórios de genética, centrais de inseminação e programas de melhoramento.
Nos leilões, o que está em jogo não é apenas o animal, mas o desempenho que ele entrega no campo. Ganho de peso, fertilidade, precocidade e eficiência alimentar são fatores que determinam o valor. Em muitos casos, são negociadas cotas de animais de alto valor, permitindo que mais de um produtor tenha acesso à mesma genética.
Entre os destaques desta edição, remates tradicionais como o “Elo de Raça”, “Noite do Nelore Nacional” e leilões voltados ao Gir Leiteiro e Sindi registraram médias elevadas, com animais ultrapassando centenas de milhares de reais. Em um dos casos, uma fêmea teve 50% negociados por R$ 360 mil, indicando valor total próximo de R$ 720 mil.
A estrutura de comercialização também evoluiu. Mais de 30 leilões foram transmitidos ao vivo, permitindo lances online e ampliando a participação de compradores de diferentes regiões e até do exterior.
Para o produtor, o resultado da feira deixa um recado claro: a genética passou a ser parte do custo de produção. Em um cenário de margens mais apertadas e maior exigência por eficiência, investir em qualidade do rebanho deixou de ser opção e passou a ser condição para competir.
Serviço | ExpoZebu 2026 – Agenda final de comercialização
Local: Parque Fernando Costa, Uberaba (MG)
Domingo (03.05)
- 09h30 — Leilão Liquidação Fazenda Bom Jardim (presencial em Uberlândia e transmissão online)
- 14h00 — 6º Leilão Virtual Fazenda Diamante (transmissão online)
- 14h00 — Leilão Da Garantia (transmissão online)
Segunda-feira (04.05)
- Encerramento da agenda comercial oficial
- Continuidade das vendas diretas nos shoppings de animais
Shoppings de animais (venda direta)
- Funcionamento geral: 08h às 18h (podendo se estender até 20h em alguns espaços)
- Locais: Parque Fernando Costa e propriedades no entorno (BR-050 e região)
Fonte: Pensar Agro
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Justiça Federal concede 10 anos para produtor pagar dívidas com a Caixa
A 2ª Vara Federal Cível e Criminal de Cáceres (MT) determinou que a Caixa Econômica Federal reestruture o pagamento de uma dívida de crédito rural de R$ 925,6 mil, concedendo ao produtor um prazo de 10 anos para a quitação, com a primeira parcela fixada para março de 2027. A decisão, proferida pela juíza federal Ana Lya Ferraz da Gama Ferreira no dia 1º de julho de 2026, suspende a execução extrajudicial que estava em curso pelo banco e blinda o produtor contra restrições cadastrais, ao mesmo tempo em que veda a cobrança de juros moratórios ou multas sobre o saldo devedor.
O despacho afasta a mora — a inadimplência técnica — e obriga o banco a reformular o contrato, fundamentando-se na comprovação técnica de uma quebra superior a 50% na produtividade da safra de soja na propriedade. Ao analisar o pedido, o Judiciário entendeu que o contrato original, diante dos prejuízos climáticos, tornava-se inexequível, ameaçando a continuidade da atividade agrícola. A decisão rejeitou o argumento da Caixa, que invocava o princípio da liberdade contratual e a nova regulamentação do Conselho Monetário Nacional (CMN) para recusar o alongamento da dívida.
Impactos e desdobramentos
A decisão ocorre em um momento de tensão regulatória. No mesmo dia da sentença, entrou em vigor a Resolução nº 5.314 do CMN, que alterou o Manual de Crédito Rural (MCR) para conferir às instituições financeiras maior autonomia para decidir sobre prorrogações de dívidas, sob o critério de “conveniência e decisão” bancária. A sentença de Mato Grosso, portanto, não é apenas um caso isolado de cobrança, mas um sinal de alerta para o mercado financeiro: a autonomia concedida pelo CMN aos bancos não é absoluta perante o Judiciário.
Embora o efeito desta decisão não seja automático para outros produtores — ou seja, não se trata de uma lei que obriga todos os bancos a alongarem dívidas em todo o país —, o caso funciona como um “leading case” ou precedente persuasivo. Advogados do setor agropecuário devem utilizar este entendimento em outros tribunais para demonstrar que, quando há comprovação de frustração de safra, o direito ao alongamento da dívida de crédito rural deve prevalecer sobre normas administrativas de conveniência bancária.
O novo cenário de judicialização
Para o setor produtivo, a decisão abre uma porta de saída, mas exige cautela. O precedente demonstra que o Judiciário não agirá como um “cancelador” de dívidas. A magistrada só concedeu o benefício porque a defesa apresentou laudos técnicos irrefutáveis sobre a quebra de produtividade. Isso sinaliza que produtores que buscam o Judiciário para evitar a falência precisarão de governança impecável: contabilidade em dia, monitoramento climático e provas técnicas de que a inadimplência é fruto do clima, não de má gestão.
Para o sistema financeiro, a notícia traz um aumento no risco de “judicialização” do crédito rural. Se os tribunais consolidarem o entendimento de que a prorrogação de 10 anos é uma medida de justiça social e econômica, os bancos serão forçados a recalibrar suas carteiras de risco. O efeito prático disso pode ser uma maior seletividade na concessão de crédito, com exigências mais rigorosas de garantias, ou até mesmo um aumento nas taxas de juros para compensar a possibilidade de, em caso de quebra de safra, o pagamento ser alongado judicialmente por uma década.
O caso segue para as instâncias superiores, já que a Caixa Econômica Federal deve recorrer da decisão. Até que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) pacifique o tema, o cenário será de insegurança jurídica, com produtores buscando amparo nos tribunais federais para garantir a viabilidade das lavouras em anos de insucesso climático.
Fonte: Pensar Agro
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