AGRONEGÓCIO
Exportações de carne bovina seguem em crescimento: 24% em fevereiro
AGRONEGÓCIO
O Brasil exportou 235,9 mil toneladas de carne bovina em fevereiro, crescimento de 23,9% em relação a fevereiro de 2025, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. A receita gerada com os embarques chegou a cerca de R$ 6,97 bilhões, alta de 41,8% frente aos aproximadamente R$ 4,91 bilhões registrados um ano antes.
Além do maior volume exportado, os preços internacionais também contribuíram para o avanço do faturamento. O valor médio pago pela carne bovina brasileira ficou em torno de R$ 29,6 mil por tonelada, cerca de 14,5% acima do observado no mesmo período do ano passado. O resultado ganha relevância porque fevereiro teve 18 dias úteis, dois a menos que no mesmo mês de 2025.
No acumulado do primeiro bimestre, o desempenho segue positivo para o setor. As exportações brasileiras de carne bovina somaram 494,9 mil toneladas, crescimento de 17% em relação ao mesmo período do ano passado. A receita com os embarques da proteína atingiu aproximadamente R$ 14,28 bilhões, aumento de 34%.
O resultado reforça a posição do Brasil como maior exportador mundial de carne bovina, responsável por cerca de um quarto do comércio internacional da proteína. A demanda externa segue concentrada principalmente na Ásia, com destaque para a China, principal destino da carne brasileira, além de mercados relevantes no Oriente Médio e no Sudeste Asiático.
O desempenho também ocorre após um ano forte para o setor. Em 2025, o Brasil exportou cerca de 2,9 milhões de toneladas de carne bovina, volume recorde que consolidou o avanço das vendas externas brasileiras em meio à redução do rebanho em concorrentes importantes, como os Estados Unidos, e à recuperação gradual da demanda em mercados asiáticos.
Para produtores e frigoríficos, os números do início de 2026 indicam que o ciclo de exportações segue aquecido. A combinação de oferta elevada no Brasil, demanda externa consistente e preços internacionais firmes mantém o País com elevada competitividade no comércio global da proteína. Se esse ritmo for mantido ao longo do ano, o setor pode se aproximar novamente dos níveis recordes registrados nas exportações brasileiras de carne bovina.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Com dívidas superiores a R$ 1,3 trilhão, agro busca solução antes do início da safra 26/27
Com o fim do vazio sanitário se aproximando e o plantio da soja previsto para começar a partir de setembro nas principais regiões produtoras, o endividamento rural voltou ao centro das preocupações do agronegócio brasileiro.
Estimativas do setor apontam que o passivo total da agropecuária brasileira já supera R$ 1,3 trilhão, dos quais aproximadamente R$ 188 bilhões correspondem a dívidas financeiras diretas dos produtores. Diante desse cenário, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) intensificou as articulações para acelerar a votação do Projeto de Lei 5.122/2023, considerado uma das principais apostas para permitir a renegociação de débitos e recuperar a capacidade de investimento no campo.
A preocupação cresce justamente no momento em que agricultores começam a planejar a safra 2026/27, negociando sementes, fertilizantes, defensivos e operações de custeio. Após anos de custos elevados, juros altos e sucessivas adversidades climáticas, muitos produtores chegam ao novo ciclo com margens reduzidas e dificuldades para acessar novas linhas de crédito.
O problema ganhou dimensão nacional principalmente entre os produtores de soja, principal cultura agrícola do país. Apesar de o Brasil caminhar para colher mais de 180 milhões de toneladas da oleaginosa, a rentabilidade das propriedades sofreu forte pressão nos últimos anos. Em algumas regiões, as margens brutas recuaram mais de 30%, reflexo da combinação entre queda nos preços internacionais, valorização dos insumos e aumento dos custos financeiros.
Os reflexos desse cenário já aparecem nos indicadores do setor. Em 2025, o agronegócio registrou recorde de pedidos de recuperação judicial, enquanto a inadimplência rural avançou em diversas regiões produtoras. O ambiente mais desafiador levou instituições financeiras a endurecer critérios de concessão de crédito e exigir garantias adicionais, reduzindo a capacidade de financiamento de parte dos produtores.
Nesse contexto, ganhou força no Congresso Nacional o Projeto de Lei 5.122/2023. Embora tenha sido apresentado pelo deputado Domingos Neto, a proposta passou a ser uma das prioridades da Frente Parlamentar da Agropecuária, que atua para viabilizar instrumentos de renegociação de passivos, alongamento de prazos e recuperação da capacidade produtiva dos agricultores.
A avaliação de lideranças do setor é que a solução para o endividamento precisa ser definida antes do avanço do calendário agrícola. Isso porque grande parte da produtividade é construída antes mesmo do plantio, por meio de investimentos em correção de solo, fertilização, escolha de sementes e proteção fitossanitária. Sem acesso a crédito ou condições adequadas de renegociação, produtores podem reduzir aportes justamente em áreas que influenciam diretamente o desempenho da lavoura.
O debate vai além das propriedades rurais. O Brasil é líder mundial na produção e exportação de soja, cadeia que movimenta centenas de bilhões de reais anualmente e sustenta segmentos como biodiesel, proteína animal, logística, armazenagem e agroindústria. Por isso, especialistas alertam que a recuperação financeira dos produtores será decisiva não apenas para a safra 2026/27, mas para a manutenção da competitividade do agronegócio brasileiro nos próximos anos.
Enquanto aguardam uma definição em Brasília, agricultores seguem fazendo contas e ajustando o planejamento da próxima temporada. No campo, a percepção é de que o crédito poderá ser tão importante quanto o clima para determinar os resultados da próxima safra.
Fonte: Pensar Agro
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