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POLITÍCA NACIONAL

Especialistas dizem que Sistema Nacional de Cultura só funcionará com fundo de financiamento

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Em audiência pública da Comissão de Cultura da Câmara dos Depuados nesta terça-feira (1º), representantes do setor cultural apontaram a necessidade de um fundo de financiamento como um requisito para a regulamentação do Sistema Nacional de Cultura.

O SNC foi criado por uma lei do ano passado (Lei 14.835/24) e é um sistema de articulação, gestão, informação, fomento e promoção de políticas públicas culturais que envolve estados e municípios, com controle da sociedade civil.

O Sistema Nacional de Cultura é uma pactuação entre entes federados e há uma dificuldade natural em formar pactos com consenso. É o que afirma a secretária dos Comitês de Cultura do Ministério da Cultura, Roberta Martins. Ela defende o sistema como uma garantia a acesso a serviços públicos pela população.

“A gente tem o exemplo do audiovisual, que tem um sistema quase perfeito porque estabelece uma arrecadação do próprio setor que o retroalimenta. Esse debate tem mais complexidade porque é preciso que se criem fundos, porque eles precisam ser alimentados”, afirmou.

A presidente do Fórum Nacional dos Secretários Estaduais de Cultura e Secretária da Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, Danielle Barros, também acredita que o Sistema Nacional de Cultura vai se emancipar apenas quando houver financiamento contínuo, fora do radar de disputas políticas. “Nós não podemos ter um sistema pautado numa lei que tem uma temporalidade, numa lei que ora está ameaçada por um corte de orçamento, ora está ameaçada por uma questão ideológica do Congresso”, ressaltou.

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Patrimônio cultural
O coordenador do Fórum de Entidades em Defesa do Patrimônio Cultural Brasileiro, Marcos Olender, que também é professor da Universidade Federal de Juiz de Fora, aproveitou a ocasião para defender o fundo nacional para o patrimônio cultural. O projeto de lei (PL 1868/21) já foi aprovado em duas comissões da Câmara e se encontra na Comissão de Constituição e Justiça.

Participação da sociedade
O representante do Nordeste do Conselho Nacional de Política Cultural, Shaolin Barreto, fez um apelo para que a sociedade civil esteja sempre no centro das discussões do sistema nacional de cultura. “O Sistema Nacional de Cultura precisa estar presente no dia a dia da nossa comunidade. É um sistema que precisa abraçar toda nossa população. Ele não pode ser simplificado a um edital lançado uma vez por ano.”

Ele citou estudantes e trabalhadores como classes que também precisam participar do diálogo cultural no dia a dia do Sistema Nacional de Cultura para ampliar os processos de participação nos conselhos de cultura.

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Na avaliação da deputada Lenir de Assis (PT-PR), que presidiu a reunião, o momento atual reflete uma nova forma de tratar a cultura. “É fundamental avançarmos nessa discussão, nesse debate, na implementação, na consolidação de todos os mecanismos da cultura.”

A reunião foi pedida pela presidente da Comissão de Cultura, deputada Denise Pessôa (PT-RS). Ela considera que o debate sobre o tema na Câmara aproxima o Legislativo dos gestores, e permite que os parlamentares acompanhem o andamento da regulamentação.

Reportagem – Luiz Cláudio Canuto
Edição – Ana Chalub

Fonte: Câmara dos Deputados

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POLITÍCA NACIONAL

Especialistas alertam para riscos da venda de veículos elétricos potentes disfarçados de bicicletas

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Especialistas em segurança de trânsito alertaram nesta quarta-feira (6) para brechas na legislação brasileira que permitem a venda de veículos elétricos leves potentes, como patinetes, monociclos e ciclomotores, disfarçados de bicicletas elétricas. Segundo eles, a prática dificulta a fiscalização e coloca pedestres e ciclistas em risco nas vias urbanas.

Felipe Alves, diretor da Zona 30 Consultoria em Mobilidade Humana, disse que a rápida evolução da mobilidade ativa tem desafiado as autoridades brasileiras a manterem o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e as resoluções complementares atualizados.

Um dos pontos centrais, segundo ele, são os critérios de potência e velocidade adotados para classificar esses veículos. Como exemplo, ele aponta uma incoerência: enquanto a potência geral para autopropelidos é de até 1kW, existe uma exceção de até 4kW para monociclos.

“Esses monociclos são veículos que não trazem muita segurança e podem circular a até 70 km/h. Eu acho meio perigoso”, alertou.

O debate foi promovido pela comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa o Projeto de Lei 8085/14 e outras 270 propostas que alteram o CTB.

O relator, deputado Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ), questionou o representante da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) sobre a eficácia da Resolução 996/23 para diferenciar esses equipamentos de mobilidade individual e evitar riscos à segurança viária.

“Há um plano para atualizar as normas de registro e licenciamento diante do aumento de acidentes?”, questionou Ribeiro.

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Em resposta, o coordenador Daniel Tavares disse que a norma trouxe mais clareza ao enquadramento dos veículos e busca corrigir distorções, como a classificação indevida de ciclomotores como autopropelidos.

“A ideia da resolução é exatamente separar o joio do trigo e trazer clareza”, disse.

Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Regulamentação e as condições de circulação de veículos de mobilidade elétrica leve. Dep. Aureo Ribeiro (SOLIDARIEDADE - RJ)
Aureo Ribeiro, relator, citou aumento de acidentes envolvendo esses veículos

Norma atual
Conforme a resolução, equipamentos autopropelidos e bicicletas elétricas devem possuir potência de até 1kW (monociclos até 4kW) e velocidade máxima de 32 km/h, sendo exigido, nas bicicletas, pedal e proibido o acelerador; ciclomotores podem atingir até 4kW de potência e velocidade de 50 km/h, exigindo habilitação.

Segundo Tavares, não há, no momento, previsão de alteração da regulamentação, mas sim esforços de conscientização e diálogo com municípios, que possuem competência para regulamentar a circulação desses veículos.

Transporte público
Ribeiro questionou ainda a representante do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento Brasil, Lorena Freitas, quais práticas internacionais poderiam orientar a integração de veículos elétricos leves ao transporte público.

Ela defendeu uma melhor distribuição do espaço viário e a redução das velocidades urbanas como principal ação para frear as mortes no trânsito. Segundo Lorena, em média, uma redução de 30 km/h aumenta o tempo de viagem em apenas 27 segundos por quilômetro.

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“Não temos como pensar em incluir novos modos de transporte se a gente não discute a readequação das velocidades”, disse.

Marlon Marcillio, diretor da Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE), destacou o forte crescimento do mercado de elétricos, movimentando R$ 20 bilhões no último ano e gerando 50 mil empregos diretos.

“A mobilidade elétrica no Brasil não é mais uma tendência, é uma realidade econômica, social e urbana. O caminho não é proibir, é regulamentar”, disse.

Segundo ele, o foco deve ser a criação de um cadastro nacional e orientações de trânsito para condutores a partir dos 16 anos.

Proteção a pedestres e ciclistas
Raphael Pazos, fundador da Comissão de Segurança no Ciclismo do Rio de Janeiro, apresentou seis propostas de alteração no CTB com foco na proteção dos “elos mais frágeis do trânsito”, como pedestres e ciclistas.

Ele defendeu a revogação da Resolução 996/23 por entender que a norma permite que veículos potentes com acelerador circulem em calçadas e ciclovias.

“É inadmissível que, da noite para o dia, praticamente 99% da frota de ciclomotores virou autopropelido por uma mudança de classificação”, disse. Para o ativista, a solução não é ocupar o espaço dos pedestres, mas reduzir a velocidade dos carros nas vias.

Reportagem – Murilo Souza
Edição – Geórgia Moraes

Fonte: Câmara dos Deputados

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