CUIABÁ
Search
Close this search box.

POLITÍCA NACIONAL

Saiba mais sobre a MP que reformula crédito consignado para trabalhador do setor privado

Publicado em

POLITÍCA NACIONAL

A Câmara dos Deputados aprovou a Medida Provisória 1292/25, que reformula o acesso ao crédito consignado por parte de trabalhadores com carteira assinada (CLT), trabalhadores rurais e domésticos e microempreendedores (MEIs), criando uma plataforma centralizada para a comparação de propostas de empréstimo.

Veja o que muda para empregadores e trabalhadores por aplicativo; como fica o tratamento de dados, a identificação do trabalhador e a inspeção das novas medidas:

Obrigações dos empregadores
Para os empregadores que usarem sistemas ou plataformas digitais, as obrigações incluem:

  • realizar todos os procedimentos para descontar o valor do empréstimo;
  • fornecer informações verdadeiras sobre folha de pagamento ou a remuneração disponível do empregado, e disponibilizar termo de rescisão de contrato de trabalho, se for o caso; e
  • fazer todo o necessário para que o contrato de empréstimo com o banco escolhido pelo empregado funcione, mesmo sem acordo prévio ou convênio.

Os empregados deverão autorizar os descontos e concordar em compartilhar dados pessoais com os bancos credenciados e com a Dataprev (responsável pela plataforma), sempre respeitando a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Os bancos credenciados precisarão adaptar seus sistemas para se comunicarem com a plataforma Crédito do Trabalhador, além de cumprir outras obrigações previstas nas regras, sob risco de suspensão ou cancelamento da permissão.

Recolhimento dos valores
Segundo a portaria do Ministério do Trabalho, os valores do crédito consignado descontados do empregado deverão ser pagos pela guia do FGTS Digital, no mesmo prazo de pagamento do fundo.

Empregadores domésticos e microempreendedores individuais (MEI) pagarão os valores descontados do empregado usando o Documento de Arrecadação do eSocial (DAE).

Como a Caixa Econômica Federal gerencia o FGTS, o banco será responsável por receber os valores do consignado, repassá-los aos bancos que concederam o crédito e executar as garantias do FGTS, se necessário.

Acesso a dados
O texto autoriza a Dataprev a acessar e tratar dados pessoais dos empregados para operar a plataforma e os sistemas de troca de informações. Esses dados poderão ser compartilhados com os bancos que oferecem o consignado, sempre respeitando a LGPD.

Os bancos, porém, não poderão compartilhar entre si os dados pessoais dos trabalhadores nem usá-los para outras finalidades. Uma regra incluída pelo relator, no entanto, permite compartilhar esses dados com serviços de proteção ao crédito ou com empresas que gerenciam bancos de dados de análise de risco.

Leia Também:  Comissão aprova projeto que restabelece cobrança de imposto para carnes e café importados

Comitê gestor
A MP 1292/25 tira do Conselho Deliberativo do FGTS a responsabilidade de definir o número máximo de parcelas e a taxa máxima de juros mensais que pode ser cobrada pelos bancos no crédito consignado.

Ao mesmo tempo, o texto cria o Comitê Gestor das Operações de Crédito Consignado. Ele deverá definir as regras, os termos e as condições do contrato de consignado, e como ocorrerá o monitoramento e a avaliação do desempenho dessas operações de crédito.

O comitê será composto por representantes do Ministério do Trabalho e Emprego (que o coordenará), da Casa Civil e do Ministério da Fazenda.

Responsabilidades
Se o empregador não descontar o consignado do salário ou das verbas rescisórias do empregado, ou não repassar os valores aos bancos, ele responderá por perdas e danos. Se houver apropriação dos recursos, estará sujeito a penalidades administrativas, civis e criminais.

O relator, senador Rogério Carvalho (PT-SE) acrescentou que o empregador também deverá pagar os valores com juros e correções.

Em todas as situações, a MP deixa claro que a União não é responsável pelo descumprimento das obrigações nos contratos de financiamento feitos por meio da plataforma Crédito do Trabalhador.

Trabalhadores por aplicativo
Para trabalhadores de entrega ou transporte por aplicativo, o texto prevê a abertura de uma conta específica no banco onde o empréstimo for feito.

O desconto será de, no máximo, 30% dos repasses feitos pela plataforma, que poderão firmar contratos com os bancos para viabilizar os pagamentos. O contrato de empréstimo poderá prever que outra fonte de pagamento seja usada caso o trabalhador deixar de atuar na plataforma.

Se o trabalhador atuar em mais de uma plataforma, elas e os bancos poderão combinar que o trabalhador autorize o desconto de forma única.

Setor público
Quanto aos entes públicos federais, estaduais e municipais, o texto determina que eles tenham seus próprios sistemas para gerenciar o crédito consignado de seus empregados regidos pela CLT, podendo ou não usar a plataforma Crédito do Trabalhador.

A regra também se aplica a empresas estatais dependentes, autarquias e fundações. A exceção são as entidades fechadas de previdência complementar, para as quais os empréstimos aos participantes seguem regras próprias da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc).

Leia Também:  Projeto permite deduzir do Imposto de Renda as doações feitas para o fundo de calamidades

Todas as operações feitas deverão ter suas informações integradas ao aplicativo da carteira de trabalho digital para mostrar o apioi dado e avaliar o endividamento do trabalhador.

Educação financeira
A medida aprovada também prevê a promoção de ações de educação financeira para os trabalhadores beneficiados pela futura lei. Essas ações ocorrerão em parceria com o Poder Executivo, os bancos e a Dataprev.

A participação do trabalhador é opcional, gratuita, em linguagem simples e respeitando a legislação de proteção de dados pessoais.

Biometria
Para reforçar a segurança da identificação do interessado, o texto determina que os bancos e a Dataprev usem a biometria para verificar a identidade do trabalhador nos sistemas ou plataformas digitais.

Também serão aceitas assinaturas eletrônicas qualificadas, com certificado digital da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil), ou assinaturas eletrônicas avançadas, conforme a lei.

Inspeção do trabalho
O texto do senado Rogério Carvalho dá à inspeção do trabalho a responsabilidade de fiscalizar se as obrigações legais de pagamento do trabalhador estão sendo cumpridas. A inspeção poderá emitir um termo de débito salarial que vale como título de dívida, se verificar que houve retenção de descontos sem o repasse ao banco que concedeu o consignado.

Essa fiscalização vale para empréstimos e descontos de associações e sindicatos. Além disso, o texto cria multa administrativa de 30% contra o empregador, calculada sobre o valor não repassado ou sobre a remuneração atrasada.

Cooperativas singulares
O texto permite que cooperativas de crédito singulares continuem oferecendo crédito consignado em empresas empregadoras, usando os convênios que já existiam antes da edição da MP.

Essas cooperativas são formadas por pelo menos 20 pessoas que se unem para oferecer serviços financeiros exclusivos aos seus cooperados.

Se optarem por esse meio de atuação, poderão ofertar crédito apenas aos seus associados contratados pela CLT, e não poderão usar a plataforma para isso. Eles também deverão informar os dados para mostrar a situação de endividamento do trabalhador.

Reportagem – Eduardo Piovesan
Edição – Natalia Doederlein

Fonte: Câmara dos Deputados

Propaganda

POLITÍCA NACIONAL

Senado faz semana de esforço concentrado a partir de segunda-feira

Publicados

em

O Senado fará a partir de segunda-feira (10) uma semana de esforço concentrado para votar proposições em Plenário e nas comissões. A intenção é conciliar a agenda de votações e outras atividades (como audiências públicas e sessões especiais) com o período eleitoral.

Serão dois esforços concentrados antes das eleições, conforme anunciado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, em julho. As semanas de esforço concentrado (entre 10 e 14 de agosto e entre 31 de agosto e 3 de setembro) devem coincidir com os esforços concentrados na Câmara.

A pauta do Plenário ainda não foi divulgada pela Presidência do Senado, mas quatro medidas provisórias (MPs) aguardam votação dos senadores e podem entrar na ordem do dia. Todas as medidas tratam de crédito extraordinário. Uma delas vence antes do segundo esforço concentrado, marcado para 31 de agosto; por isso, precisa ser votada em breve para não perder a validade.

A medida com vencimento próximo é a MP 1.351/2026, que prevê subvenção econômica de R$ 330 milhões para empresas importadoras de gás liquefeito de petróleo, o gás de cozinha. A medida integra o pacote do governo para a contenção dos impactos nos preços do petróleo e de seus derivados causados pela guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. O prazo para votação termina no dia 25 de agosto.

A outras medidas que ainda estão pendentes de análise no Senado vencem em setembro e outubro e destinam créditos extraordinários para apoiar famílias atingidas por eventos climáticos extremos em Minas Gerais (MP 1.361/2026) e em Pernambuco e na Paraíba (MP 1.364/2026), além de ações de combate a incêndios florestais (MP 1.367/2026).

As MPs que liberam créditos extraordinários em situações de urgência permitem o uso dos recursos de imediato. Ainda assim, o Congresso Nacional deve analisar cada medida provisória no máximo em 120 dias. Se aprovada, ela se converte em lei, o que mantém o valor disponível ao Poder Executivo durante o ano. Caso contrário, o governo federal dispõe dos valores apenas durante o tempo de vigência da medida provisória.

Leia Também:  Comissão aprova proposta que melhora atendimento a alunos com altas habilidades

Comissões

Três comissões já divulgaram as pautas das reuniões deliberativas.

A Comissão de Relações Exteriores (CRE) tem reunião marcada para terça-feira (11), às 10h. Na pauta de dez itens, estão acordos, convenções e protocolos firmados pelo Brasil com outros países, entre eles o PDL 618/2026, que ratifica o Protocolo de Montevidéu sobre Compromisso com a Democracia no Mercosul (Ushuaia II), assinado em 2011.

Na quarta-feira (12), a partir das 10h, a Comissão de Esporte (CEsp) se reúne para votar dois projetos. Um deles é o PL 3.905/2025, que institui Política Nacional de Acesso à Atividade Física pelo SUS para prevenir e controlar o câncer.

Ainda na quarta, às 10h, a Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) analisa pauta com 56 itens. Entre eles, estão projetos de decreto legislativo que tratam de concessão e renovação de outorga para emissoras de rádio. Também pode ser votado o PL 3.844/2025, que inclui a cidadania digital entre os eixos da Política Nacional de Educação Digital (Pned). O texto traz, entre as ações previstas, o estímulo à educação midiática no ambiente de ensino, a orientação das famílias sobre consumo tecnológico e a ampliação de parcerias entre o governo e empresas privadas na área digital.

Audiências públicas

Nas comissões, além das reuniões deliberativas, estão marcadas as seguintes audiências públicas para a semana se esforço concentrado:

  • Segunda-feira (10), às 10h: a Subcomissão Permanente dos Povos Indígenas Yanomami debaterá a prestação de contas dos recursos orçamentários discricionários e dos créditos extraordinários destinados a ações no território Ianomâmi e dos recursos do Fundo Amazônia para projetos de proteção de comunidades indígenas.
  • Terça-feira (11), às 14h: a Comissão de Segurança Pública (CSP) avalia a implementação do Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas (Provita), examinando os protocolos de inclusão, acompanhamento, desligamento e reinserção social das pessoas protegidas.
  • Terça-feira (11), às 14h: a Comissão de Direitos Humanos (CDH) faz audiência pública para instruir o  instruir o Projeto de Lei (PL) 5.115/2025, que trata da instalação de centros-dia para pessoas idosas atendidas pelo Sistema Único de Assistência Social (Suas).
  • Quarta-feira (12), às 14h30: a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) faz audiência pública para lançar pesquisa sobre a relevância e as contrapartidas do setor filantrópico brasileiro, feita pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), encomendada pelo Fórum Nacional das Instituições Filantrópicas (Fonif).
  • Quinta-feira (13), às 10h: a CAS e a CDH fazem duas audiências conjuntas seguidas para debater o atendimento a pacientes com hemoglobinúria paroxística noturna no SUS e os desafios relacionados ao diagnóstico, tratamento e políticas públicas para a insuficiência adrenal no Brasil.
Leia Também:  Câmara aprova medida provisória que destina R$ 514,5 milhões para combater queimadas na Amazônia; acompanhe

Sessões especiais

Também estão marcadas sessões especiais e de debates temáticos do Senado e uma sessão solene do Congresso para a próxima semana.

  • Segunda-feira (10), às 10h: sessão especial do Senado para celebrar o Dia Nacional da Proteção de Dados.
  • Terça-feira (11), às 10h: sessão de debates temáticos no Plenário para discutir as políticas públicas de energias renováveis do Brasil e da América Latina e a liderança brasileira no setor, diante do contexto global.
  • Terça-feira (11), às 11h: sessão solene do Congresso para comemorar os 35 anos da TV Asa Branca, afiliada da Rede Globo no serão de Pernambuco.
  • Quarta-feira (12), as 10h: sessão especial do Senado para celebrar os 100 anos da Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn Nacional).
  • Quinta-feira (13), às 15h: sessão especial do Senado para celebrar o Agosto Lilás, campanha nacional de conscientização e enfrentamento da violência contra a mulher.
  • Sexta-feira (14), às 14h: sessão especial do Senado para celebrar os 69 anos de história da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo (Abrajet). 

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

Continue lendo

CIDADES

POLÍTICA

MULHER

POLÍCIA

MAIS LIDAS DA SEMANA