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Conselho Federal da OAB e OAB-PI receberão doação de busto de Esperança Garcia

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A Secretaria de Cultura do Estado do Piauí doará ao Conselho Federal da OAB e à seccional do Piauí dois bustos de Esperança Garcia, reconhecida como a primeira advogada brasileira. O secretário da pasta piauiense, Carlos Anchieta, esteve, na manhã desta segunda-feira (6/2), no Conselho Pleno da OAB Nacional, informando sobre a doação. 

Na última sessão plenária da OAB de 2022, o colegiado a reconheceu como a primeira advogada do país. O presidente Beto Simonetti comunicou, então, aos presentes, que a direção nacional aprovou, além do reconhecimento,  a construção de um busto em homenagem a ela, a ser colocado na sede do Conselho Federal. Tomando conhecimento do projeto, a Secretaria de Cultura do Piauí decidiu oferecer as peças, a serem feitas por um artista local. 

“Pela noção de direitos ali reivindicados, na verdade uma petição escrita por aquela que venha ser a primeira advogada do Brasil, a nossa Esperança Garcia, hoje podemos dizer que a Ordem dos Advogados do Brasil, essa entidade sui generis, também é a Casa de Esperança Garcia”, disse Carlos Anchieta. 

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Para celebrar essa nova morada, o governo do Piauí convidou o reconhecido artista plástico piauiense Braga Tepi, para conceder um busto de Esperança Garcia, uma obra que será abrigada de forma definitiva, tanto pela seccional do Piauí quanto pela sede nacional da OAB. Serão duas obras idênticas, mas exclusivas, assinadas pelo artista para representar a importância dela para a advocacia brasileira.

De acordo com Anchieta, o lugar nos quadros da Ordem é um lugar conquistado tão somente por ela. “Esperança Garcia se fez reconhecer por suas próprias palavras, ninguém precisou falar por ela, mas ela falou com muitas e muitos, dando voz aos invisíveis, sem dúvida uma das mais nobres finalidades do direito brasileiro.”

Mulher negra e escravizada denunciou violências

Beto Simonetti, na sessão que aprovou o reconhecimento, ressaltou a história da homenageada. “Mulher negra e escravizada peticionou, com o pouco conhecimento que tinha, das letras da lei, ao governador da capitania do Piauí para denunciar as violências pelas quais ela, suas companheiras e seus filhos passavam. A decisão é absolutamente oportuna”, disse o presidente da OAB Nacional.

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Nesta segunda, ele agradeceu a iniciativa e a atenção destinada à OAB. “Fico muito honrado com essa iniciativa do estado do Piauí e peço a gentileza ao secretário Anchieta que leve o agradecimento de toda advocacia brasileira à vossa excelência governador do estado.”

Em série de textos que homenagearam juristas que marcaram a história, publicada ao longo do mês de agosto, quando se celebra, no dia 11, o Dia do Advogado, Esperança Garcia teve sua história contada e registrada.

Confira aqui a íntegra. 

Confira aqui o estudo sobre Esperança Garcia coordenado pela advogada Maria Sueli Rodrigues de Sousa.

Fonte: OAB Nacional

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Renato Nery: sua morte exige voz, justiça e memória

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A morte brutal do advogado e ex-presidente da OAB-MT, Dr. Renato Gomes Nery, não pode ser tratada com indiferença. Trata-se de um crime que atinge diretamente a advocacia e a democracia. Renato foi um homem honrado, combativo e comprometido com a justiça — sua memória exige respeito e posicionamento firme por parte da sociedade e das instituições.

É inaceitável que um colega de trajetória tão marcante seja silenciado sem uma reação proporcional à gravidade do que ocorreu. Tive a honra de iniciar minha vida institucional na OAB-MT como conselheiro estadual em sua gestão. Conheci de perto o homem e o advogado.

Como ex-presidente da OAB-MT, tenho a obrigação de falar de Renato Nery. Não posso me calar diante da execução de um colega que também ocupou essa honrosa função. A presidência da Ordem não é apenas um cargo: é um compromisso com a defesa intransigente da advocacia e da democracia. Renato honrou essa missão com coragem, combatividade e senso de justiça.

A execução do colega, agora apontada pelas investigações como motivada por disputas fundiárias, exige não apenas uma rigorosa apuração policial, mas também uma profunda reflexão sobre os riscos enfrentados pelos que exercem a advocacia com independência e compromisso. O advogado precisa ter, acima de tudo, segurança para atuar. Sem isso, toda a estrutura democrática se fragiliza.

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É essencial que todos os desdobramentos do crime sejam investigados com máxima seriedade, inclusive aqueles de natureza patrimonial – para afastar oportunistas. Nada pode ser omitido ou minimizado. Só assim evitaremos injustiças irreparáveis e honraremos verdadeiramente a memória de Renato.

Neste momento em que prisões foram realizadas, inclusive de pessoas apontados como mandantes, é justo reconhecer o trabalho diligente dos órgãos de segurança pública, especialmente da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa. A atuação firme e técnica tem sido crucial para elucidar os fatos e oferecer respostas à sociedade.

À família de Renato, deixo minha solidariedade mais sincera. Que o legado de integridade, coragem e compromisso deixado por ele sirva como farol para todos os que ainda acreditam no poder transformador da advocacia e na força da verdade.

Renato Nery merece ser lembrado, respeitado e defendido — em vida e na memória. Seu nome não pode ser esquecido, nem a sua luta ignorada.

Por Ussiel Tavares, advogado e ex-presidente da OAB-MT

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