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O Veredito mostra advogado que ganha segunda chance na carreira

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Dando sequência a publicações de indicações de livros, filmes e séries que têm como tema o universo jurídico, nesta semana o site oab.org.br recebe a contribuição do vice-presidente do Conselho Federal da OAB, Rafael Horn. Ele indica o filme O Veredito, de 1982. “O filme é excelente ao tratar dos defeitos do ser humano e o quanto estes refletem no exercício da advocacia. No filme, o egoísmo, a indisciplina e a paixão cega do protagonista pela causa colocam em risco o direito a ser defendido”, afirma Horn. 

Leia abaixo a resenha do filme:

Frank Galvin (Paul Newman) é um advogado alcóolatra no fundo do poço. Desesperado, parte em busca de clientes em funerárias para oferecer seus serviços jurídicos às famílias dos mortos. Nos primeiros cinco minutos do filme O Veredito, de 1982, o personagem principal é apresentado sem verniz nenhum, sendo expulso de um velório, com as mãos trêmulas pela bebedeira e desmaiado em seu escritório. 

Na jornada de Frank, surge uma chance de redenção para tirá-lo da lama. Seu amigo Mickey (Jack Warden) lhe diz para pegar um caso supostamente fácil, de uma moça em coma após erro médico do hospital pertencente a Arquidiocese em Boston. Tudo parece bastante promissor. O advogado faria um acordo com a Igreja e receberia uma quantia considerável; a irmã e o cunhado da vítima, um casal jovem da classe trabalhadora, teriam a chance de se mudar da cidade. Um recomeço para todos.

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É claro que o acordo não é feito, afinal, trata-se de um filme de tribunal. 

Quando Frank está frente a frente ao arcebispo, já sabemos que ele dirá não. Ele quer ver o erro médico exposto e, assim, devolver à vítima uma certa dignidade. E aí quem está assistindo se vê obrigado a torcer, e muito: é a briga clássica dos mais fracos contra os poderosos. A Igreja contrata uma banca de profissionais capitaneada pelo experiente advogado Ed Concannon (James Mason), enquanto Frank tem apenas a ajuda de seu colega. 

Sidney Lumet, diretor de O Veredito, já havia mergulhado no mundo dos tribunais. Em 12 homens e uma sentença (1957), com Henry Fonda no papel principal, Lumet revelara o potencial dos dramas jurídicos de nos envolver intensamente.  

Os diálogos são todos muito bons, o filme tem roteiro de David Mamet e é baseado no livro homônimo de Barry Reed. Paul Newman está arrasador no papel. Todo o restante do elenco, também. Charlotte Rampling faz a namorada misteriosa, Laura Fischer, e Milo O’Shea interpreta um juiz de índole duvidosa.

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Porém, na vida real, o filme sofreu uma baita injustiça. Apesar de ter recebido cinco indicações – filme, ator principal, ator coadjuvante para James Mason, diretor e roteiro –, nem Newman nem seus colegas amealharam o Oscar. 

Há uma surpresa divertida para os mais atentos. O então jovem ator Bruce Willis aparece como figurante em uma das cenas no tribunal.  

O filme está disponível no serviço de streaming Star +.

Fonte: OAB Nacional

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Renato Nery: sua morte exige voz, justiça e memória

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A morte brutal do advogado e ex-presidente da OAB-MT, Dr. Renato Gomes Nery, não pode ser tratada com indiferença. Trata-se de um crime que atinge diretamente a advocacia e a democracia. Renato foi um homem honrado, combativo e comprometido com a justiça — sua memória exige respeito e posicionamento firme por parte da sociedade e das instituições.

É inaceitável que um colega de trajetória tão marcante seja silenciado sem uma reação proporcional à gravidade do que ocorreu. Tive a honra de iniciar minha vida institucional na OAB-MT como conselheiro estadual em sua gestão. Conheci de perto o homem e o advogado.

Como ex-presidente da OAB-MT, tenho a obrigação de falar de Renato Nery. Não posso me calar diante da execução de um colega que também ocupou essa honrosa função. A presidência da Ordem não é apenas um cargo: é um compromisso com a defesa intransigente da advocacia e da democracia. Renato honrou essa missão com coragem, combatividade e senso de justiça.

A execução do colega, agora apontada pelas investigações como motivada por disputas fundiárias, exige não apenas uma rigorosa apuração policial, mas também uma profunda reflexão sobre os riscos enfrentados pelos que exercem a advocacia com independência e compromisso. O advogado precisa ter, acima de tudo, segurança para atuar. Sem isso, toda a estrutura democrática se fragiliza.

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É essencial que todos os desdobramentos do crime sejam investigados com máxima seriedade, inclusive aqueles de natureza patrimonial – para afastar oportunistas. Nada pode ser omitido ou minimizado. Só assim evitaremos injustiças irreparáveis e honraremos verdadeiramente a memória de Renato.

Neste momento em que prisões foram realizadas, inclusive de pessoas apontados como mandantes, é justo reconhecer o trabalho diligente dos órgãos de segurança pública, especialmente da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa. A atuação firme e técnica tem sido crucial para elucidar os fatos e oferecer respostas à sociedade.

À família de Renato, deixo minha solidariedade mais sincera. Que o legado de integridade, coragem e compromisso deixado por ele sirva como farol para todos os que ainda acreditam no poder transformador da advocacia e na força da verdade.

Renato Nery merece ser lembrado, respeitado e defendido — em vida e na memória. Seu nome não pode ser esquecido, nem a sua luta ignorada.

Por Ussiel Tavares, advogado e ex-presidente da OAB-MT

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