MARCELO NEVES
Predestinado a ser um grande Campeão
MARCELO NEVES
O dia 23 de setembro de 2022 entrou para a história como a data em que o futebol de Mato Grosso conquistou o seu primeiro título nacional. A categoria de aspirantes, um sub-23, criada pela CBF em 2017, é a última fase de formação do atleta profissional de acordo com a FIFA.
E foi nesta competição que o Cuiabá conquistou seu título brasileiro. Um título que coroa o trabalho da diretoria do Dourado nas categorias de base. Investimentos, CT, estrutura, equipe de captação de jogadores e tudo isso coordenado por um profissional experiente como é o Pedro Smania, que trabalhando na base do São Paulo, ajudou a revelar jogadores como Antony, Éder Militão, Liziero, Gabriel Sara, Pablo Maia, Igor Gomes, Rodrigo Nestor, entre outros. Smania chegou em março ao Dourado e de lá pra cá, a mudança no trabalho é percebida e a conquista de um título nacional mostra que o clube está no caminho certo.
Este é o segundo ano em que o Cuiabá disputa a competição, no ano passado a campanha não foi boa, porém este ano, o Dourado teve a melhor campanha da primeira fase e eliminou Sport-PE e Fluminense antes de chegar à decisão contra o Red Bull Bragantino. Mas o mais importante que o troféu conquistado, são os frutos que esta equipe trará para o futuro do clube.
Na equipe principal, Joaquim e Denilson já ganham espaço e começam a trilhar o caminho das conquistas também no profissional. Outros nomes de destaque deste time são Vinicius Boff, Lucas Cardoso, Gustavo Nescau, Ricardo Cerqueira, JP, Ojeda, entre outros. O belo trabalho do técnico William Araújo também merece destaque. Montou um time que joga bonito, que dá espetáculo e que mesmo saindo um ou outro jogador, a equipe mantém o padrão e orgulha seu torcedor.
Como diz o hino, nasceste predestinado a ser um grande campeão. E assim, o Cuiabá vai se tornando cada vez mais forte no futebol nacional. Foi o primeiro clube de Mato Grosso a conquistar a Copa Verde. O primeiro a disputar a Série A neste novo formato e agora o primeiro a conquistar um título nacional.
Parabéns Cuiabá, que seu futuro seja ainda mais vitorioso.
MARCELO NEVES
Uma Copa do Mundo de contradições
A Copa do Mundo de Clubes entra na última rodada da fase de grupos, e assim como na Copa do Mundo de seleções, surpresas e favoritos mostram sua cara em vários jogos, assim como algumas zebras. E isso tem sido evidente até aqui. Exemplos como empate de um Al-Hilal contra o Real Madrid, vitória do Inter Miami diante do Porto e atuações de equipes periféricas que chamam a atenção.
Com as vitórias de Botafogo diante do PSG, a vitória do Flamengo diante do Chelsea e os empates de Fluminense e Palmeiras frente à Borussia Dortmund e Porto respectivamente, aqueles vira-latas da imprensa brasileira sempre puxam as famosas cartas do “europeu joga sem interesse”, “eles não ligam para o torneio”, “é uma pré-temporada de luxo”, e coisas assim.
Agora esse mesmo vira-latismo (termo muito utilizado por Nélson Rodrigues) começou a usar a desculpa do cansaço e do calor enfrentado pelos times europeus. Mas será mesmo que esses aspectos afetam apenas os times europeus? Em um balanço feito pelo site Sofascore em partidas realizadas nos últimos 12 meses, nenhum time europeu jogou mais de 60 jogos no período, vejam na imagem abaixo:

Ou seja, antes da Copa do Mundo iniciar, o Flamengo foi quem mais atuou no período com 77 jogos disputados, enquanto o time europeu com mais jogos disputados foi o Real Madrid com 62 jogos. Mas aí você pode dizer que os times brasileiros tiveram férias no período enquanto os europeus continuaram atuando.
Então vamos fazer um balanço de fevereiro até o início da Copa do Mundo (entre 1º/02 até 31/05), lembrando que em janeiro as equipes brasileiras já estavam jogando os estaduais em pleno verão. Neste período entre fevereiro e maio quem mais jogou foram Fluminense e Palmeiras, 30 jogos cada um. A equipe europeia que mais atuou no período foi o PSG com 28 jogos.
Ainda em comparação, o Flamengo também fez 28 jogos enquanto o Chelsea entrou em campo 23 vezes. O Botafogo entrou em campo 26 vezes, o Real Madrid jogou 27 jogos, assim como a Inter de Milão. Já o Bayern entrou em campo 21 vezes e o Porto apenas 17 jogos.
É óbvio que são momentos distintos, enquanto as partidas dos europeus é na fase final da temporada, os times brasileiros estão na fase inicial. E ainda assim, o número de lesões musculares nos times brasileiros foi superior ao dos times europeus no mesmo período.
Quando a disputa é do Mundial de Clubes, realizado em dezembro, os europeus estão no meio da temporada, enquanto os brasileiros estão realizando mais de 70 partidas, e não vemos as desculpas de cansaço por aqui. O Botafogo no ano passado, venceu a Libertadores, três dias depois entrava em campo contra o Palmeiras pelo título brasileiro e no dia seguinte viajou para encarar o Pachuca do México dois dias depois e foi derrotado. Mas a nossa imprensa vira-lata preferiu diminuir o futebol brasileiro o relegando como uma força periférica e enfraquecida diante de continentes como asiático, africano e da América do Norte.
Mas diante dos desempenhos das equipes europeias na Copa do Mundo de Clubes, onde os brasileiros estão fazendo frente e colocando dificuldades nos times de lá, os especialistas brasileiros preferem alegar cansaço, forte calor e desinteresse por parte dos jogadores europeus.
Vamos lembrar que a Copa do Mundo de seleções no ano que vem será disputada no mesmo período de agora e no mesmo país, ou seja, forte calor e final de temporada europeia, será que em caso de fracasso europeu, nossos vira-latas irão alegar as mesmas desculpas atuais?
A verdade é que o futebol brasileiro, especificamente de clubes, tem evoluído muito dentro de campo. Temos visto variações táticas, intensidade alta, aplicação tática dos jogadores, e em várias partidas do campeonato brasileiro o que se vê quando elogiam as partidas é: “parece um jogo da Premier League”.
Vejo nessa Copa do Mundo alguns times da elite mundial, e sim, eles são europeus. Bayer, Real Madrid, PSG, Manchester City, Juventus e Inter continuam sendo favoritos ao título, mas não irei me surpreender caso um time brasileiro vença a competição. A distância não é tão grande assim como querem fazer você pensar.
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