CUIABÁ
Search
Close this search box.

JURÍDICO

“Salto de uma década no triênio”, almeja presidente da OAB-AC

Publicado em

JURÍDICO


À frente da seccional da OAB-AC, Rodrigo Aiache pretende dar atenção a algo que já faz no escritório que fundou: dar oportunidades aos jovens advogados. Na OAB-AC, o foco de sua gestão é o lançamento de projetos para o grupo de recém-inscritos na Ordem e a criação de um modelo de formação continuada. Além disso, ele deseja dar um “salto de gestão de uma década no triênio”, apostando na formalização de processos administrativos e na modernização da tecnologia.

O presidente da OAB-AC tem 41 anos, nasceu em Campina Grande (PB) – apenas porque o pai estava estudando lá, pois foi criado no Acre. É graduado em Direito pela Universidade Federal do Acre (UFAC), mestre em direito político e econômico pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e especialista em direito processual civil pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). Integrou a Comissão de Direitos Humanos da OAB-AC, foi presidente da Escola Superior de Advocacia (ESA) da seccional do Acre e vice-presidente e presidente da Caixa de Assistência dos Advogados (CAA) da Ordem acriana.

Seu escritório, fundado há 10 anos, tem um corpo jurídico e administrativo repleto de jovens profissionais. “Apostamos na capacitação e, principalmente, na busca pela abertura de novas oportunidades”, diz

Confira a íntegra da entrevista. 

CFOAB – Qual será o foco de sua gestão?

Rodrigo Aiache – Nos propomos a fazer uma gestão participativa, inclusiva e transparente e é exatamente assim que queremos trabalhar nos próximos três anos. Começamos janeiro focando na profissionalização dos processos internos e queremos dar um salto na gestão de uma década em nosso triênio, de modo a ampliar e aperfeiçoar os serviços e a assistência à advocacia. Teremos um triênio de muito trabalho em prol da advocacia, em que queremos atuar de forma efetiva na proteção das prerrogativas, na garantia de direitos, na capacitação e, principalmente, na busca pela abertura de novas oportunidades.

CFOAB – Como se dará esse salto? Pode dar exemplos?

Rodrigo Aiache – Queremos estabelecer avanços em alguns pontos, como na formalização e na profissionalização dos processos. Nossas rotinas administrativas, por exemplo. Quando iniciamos nossa gestão, vimos que a administração interna se construiu em um formato de informalidade exacerbada, sem a atenção mínima a pontos, que geram vulnerabilidade nas contratações. Além disso, no tocante à gestão de pessoal, como política permanente, era inexistente. Não verificamos uma rotina de aproveitamento de competências ou de valorização funcional e isso é de suma importância dentro de qualquer estrutura, pública ou privada. Temos também como missão hoje a reestruturação de nosso parque tecnológico, nosso site e a implementação de novas ferramentas tecnológicas, como o portal da transparência. 

Leia Também:  Comandante-geral do Corpo de Bombeiros é eleito presidente de conselho nacional

CFOAB – Qual a importância da OAB para a advocacia?

Rodrigo Aiache – A OAB, ao longo de sua história, sempre exerceu um papel de proeminência perante a classe da advocacia, atuando de maneira proativa em temas de relevante importância nacional, garantindo direitos e defendendo a advocacia como uma atividade independente e forte. Em um país polarizado, onde direitos e garantias fundamentais são ocasionalmente relativizados, a OAB se constitui como a última linha de defesa da advocacia da forma como ela foi concebida. E, certamente, atuará de forma efetiva na garantia de nossa classe.

CFOAB – Qual a importância da OAB na sua vida?

Rodrigo Aiache – A OAB faz parte da minha vida desde quando me tornei advogado. Entendo que a OAB é a nossa casa e deve ser cuidada com muito respeito e para mim é uma das maiores honras de minha vida conduzir a advocacia acriana, presidindo esta instituição que tanto respeito e admiro. Ingressei institucionalmente na OAB-AC em 2007 e passei por vários cargos (diretor-adjunto da ESA, diretor-geral da ESA, vice-presidente da Caixa de Assistência e presidente da Caixa de Assistência). Me sinto honrado por ter sido escolhido como representante da advocacia acriana. 

CFOAB – Pode contar um pouco da sua história com a advocacia, de onde surgiu o interesse?

Rodrigo Aiache – Por minha mãe ser advogada, desde cedo me vi entre livros e processos. Lembro-me que, ainda criança, certa vez estava folheando um dos volumes dos “Comentários à Constituição”, de José Cretella Junior, e ela disse para tomar cuidado, pois era seu instrumento de trabalho. Essa relação com minha mãe acabou me aproximando do direito, faculdade que eu quis cursar desde sempre. Tive a alegria de estudar na Universidade Federal do Estado do Acre, onde me formei em 2005, ano em que ingressei nos quadros da Ordem, exercendo a advocacia de maneira ininterrupta desde então. Mas me vi também como um eterno acadêmico e a vontade de permanecer na academia sempre foi algo que primei muito. Assim, ingressei assim que me formei em cursos de pós-graduação, tendo concluído o mestrado em 2007. E tudo isso me impulsionou a prosseguir em uma advocacia voltada ao campo empresarial, área na qual atuo. 

Leia Também:  Juristas que marcaram a história do país: Rui Barbosa

CFOAB – Tem algum programa, campanha ou medida que gostaria de focar e julga importante para o estado?

Rodrigo Aiache – Acredito que a jovem advocacia é o sustentáculo de nossa carreira e, por esta razão, temos buscado atuar fortemente em prol dos nossos advogados e advogadas em início de carreira, com oportunidades de capacitação continuada. Lançaremos em breve programas voltados a toda a advocacia acriana, com a oferta de cursos cada vez mais arrojados e robustos. Queremos capacitar, cada vez mais, nossos profissionais. Nesse contexto queremos a cada dia que passa reduzir os abismos que ainda existem entre a OAB e os advogados. Que nossos profissionais entendam a OAB como a sua casa.

CFOAB – Por fim, poderia falar um pouco sobre como é gerir a OAB num momento de pandemia? Expectativas, desafios, perspectivas daqui para frente.

Rodrigo Aiache – A pandemia foi um dos maiores desafios da humanidade e certamente para os poderes públicos. O Judiciário brasileiro avançou vários anos em poucos meses e a advocacia foi grandemente impactada com isso, notadamente pela virtualização quase completa dos processos. Gerir a OAB-AC nesse momento de transição, em que o mundo se vê saindo desse período pandêmico, graças aos avanços obtidos com a vacinação, é um grande desafio. Tenho a intenção de manter os avanços conquistados e avançar ainda mais, garantindo a proteção das pessoas e a da vida profissional de nossos advogados e advogadas. As expectativas são as melhores possíveis, pois estamos muito empenhados em entregar à advocacia acriana tudo o que nos propusemos a fazer. Tenho convicção que conseguiremos avançar muito no próximo triênio.

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

ARTIGOS

Renato Nery: sua morte exige voz, justiça e memória

Publicados

em

A morte brutal do advogado e ex-presidente da OAB-MT, Dr. Renato Gomes Nery, não pode ser tratada com indiferença. Trata-se de um crime que atinge diretamente a advocacia e a democracia. Renato foi um homem honrado, combativo e comprometido com a justiça — sua memória exige respeito e posicionamento firme por parte da sociedade e das instituições.

É inaceitável que um colega de trajetória tão marcante seja silenciado sem uma reação proporcional à gravidade do que ocorreu. Tive a honra de iniciar minha vida institucional na OAB-MT como conselheiro estadual em sua gestão. Conheci de perto o homem e o advogado.

Como ex-presidente da OAB-MT, tenho a obrigação de falar de Renato Nery. Não posso me calar diante da execução de um colega que também ocupou essa honrosa função. A presidência da Ordem não é apenas um cargo: é um compromisso com a defesa intransigente da advocacia e da democracia. Renato honrou essa missão com coragem, combatividade e senso de justiça.

A execução do colega, agora apontada pelas investigações como motivada por disputas fundiárias, exige não apenas uma rigorosa apuração policial, mas também uma profunda reflexão sobre os riscos enfrentados pelos que exercem a advocacia com independência e compromisso. O advogado precisa ter, acima de tudo, segurança para atuar. Sem isso, toda a estrutura democrática se fragiliza.

Leia Também:  Contribuição previdenciária sobre o valor da receita bruta da agroindústria é constitucional

É essencial que todos os desdobramentos do crime sejam investigados com máxima seriedade, inclusive aqueles de natureza patrimonial – para afastar oportunistas. Nada pode ser omitido ou minimizado. Só assim evitaremos injustiças irreparáveis e honraremos verdadeiramente a memória de Renato.

Neste momento em que prisões foram realizadas, inclusive de pessoas apontados como mandantes, é justo reconhecer o trabalho diligente dos órgãos de segurança pública, especialmente da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa. A atuação firme e técnica tem sido crucial para elucidar os fatos e oferecer respostas à sociedade.

À família de Renato, deixo minha solidariedade mais sincera. Que o legado de integridade, coragem e compromisso deixado por ele sirva como farol para todos os que ainda acreditam no poder transformador da advocacia e na força da verdade.

Renato Nery merece ser lembrado, respeitado e defendido — em vida e na memória. Seu nome não pode ser esquecido, nem a sua luta ignorada.

Por Ussiel Tavares, advogado e ex-presidente da OAB-MT

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

CIDADES

POLÍTICA

MULHER

POLÍCIA

MAIS LIDAS DA SEMANA