JURÍDICO
OAB-TO celebra 33 anos nesta sexta-feira
JURÍDICO
Fundada em 1º de abril de 1989, a seccional da Ordem em Tocantins celebra, nesta sexta-feira, 33 anos de idade. É uma seccional jovem, a mais nova da Ordem, criada no contexto da redemocratização do país, quando o norte de Goiás se separou do restante do estado para virar o Tocantins. A história da entidade começa na subseção da cidade de Miracema, que primeiro abrigou a sede.
Depois, houve a mudança para Palmas, capital do Tocantins. No início, eram poucas centenas de advogados que precisaram de muita união e esforço para conseguir levantar recursos para o básico, como a construção de prédios e a criação das subseções no novo estado. A primeira sede histórica abriga atualmente o Museu do Advogado Tocantinense.
Qualidade de vida dos advogados
O atual presidente da entidade é o advogado Gedeon Pitaluga, o sétimo a presidir a seccional. Recentemente, Gedeon foi reeleito pela advocacia de Tocantins. Ele preside a entidade desde 2019, com foco na melhoria da qualidade de vida dos advogados e advogadas do estado e na defesa das prerrogativas da classe.
Pitaluga foi empossado no cargo, para o segundo mandato, na última quarta-feira (30), pelo presidente nacional da Ordem. Beto Simonetti. Ele agradeceu o apoio da OAB Nacional ao estado e celebrou o aniversário da entidade, reforçando a importância do trabalho em conjunto da seccional e do Conselho Federal.
“Foi uma honra ser empossado pelo presidente e amigo, Beto Simonetti, nesta nossa segunda gestão. A nossa história mostra que a OAB-TO sempre lutou em defesa das prerrogativas da advocacia, se tornando uma referência para todo o país. Em nossa gestão, foram mais de 30 desagravos, em todas as regiões do estado. A nossa advocacia é unida e forte, aproximamos a OAB dos colegas que militam no interior do estado e esperamos crescer ainda mais com a nossa parceria com o presidente Beto Simonetti”, celebrou Gedeon Pitaluga.
Histórico dos presidentes
O primeiro presidente da entidade foi o advogado Coriolano Santos Marinho, que cumpriu um mandato como interino, durante seis meses, até a realização da primeira eleição da nova seccional, em junho de 1989. O primeiro presidente eleito foi o advogado Augusto Pinheiro, que comandou a entidade entre 1989 e 1995.
Em seguida, veio Luciano Ayres, que ficou à frente da entidade durante quatro gestões, entre 1995 e 2006, até hoje é o advogado que presidiu a OAB-TO por mais tempo. Já o advogado Ercílio Bezerra assumiu os dois mandatos seguintes, entre 2007 e 2012, focando o trabalho no reconhecimento da entidade pela sociedade tocantinense.
No período entre 2013 e 2015, a seccional foi presidida pelo advogado Epitácio Brandão, que voltou as atenções para aproximar advogados e advogadas da entidade. Na sequência, a OAB-TO teve o advogado Walter Ohofugi como presidente, entre 2016 e 2018, antecedendo a atual gestão da seccional.
Atualmente, a OAB-TO conta com 8.782 advogados inscritos, dos quais 73 são estagiários e 994 têm no Tocantins a sua inscrição suplementar. Além do presidente Gedeon Pitaluga, a diretoria da entidade é composta pelas advogadas Priscila Madruga Ribeiro Gonçalves (vice-presidente), Jandra Pereira de Paula (secretária-geral) e Alana Carlech Correa (secretária-geral adjunta), além do advogado Thomas Jefferson Gonçalves (diretor-tesoureiro). No Conselho Federal da OAB, representam a seccional os conselheiros José Pinto Quezado, Huascar Mateus Basso Teixeira e Ana Laura Pinto Cordeio de Miranda Coutinho. Os suplentes são os conselheiros Adwardys de Barros Vinhal, Eunice Ferreira de Souza Kuhn e Helia Nara Parente Santos Jacome.
ARTIGOS
Renato Nery: sua morte exige voz, justiça e memória
A morte brutal do advogado e ex-presidente da OAB-MT, Dr. Renato Gomes Nery, não pode ser tratada com indiferença. Trata-se de um crime que atinge diretamente a advocacia e a democracia. Renato foi um homem honrado, combativo e comprometido com a justiça — sua memória exige respeito e posicionamento firme por parte da sociedade e das instituições.
É inaceitável que um colega de trajetória tão marcante seja silenciado sem uma reação proporcional à gravidade do que ocorreu. Tive a honra de iniciar minha vida institucional na OAB-MT como conselheiro estadual em sua gestão. Conheci de perto o homem e o advogado.
Como ex-presidente da OAB-MT, tenho a obrigação de falar de Renato Nery. Não posso me calar diante da execução de um colega que também ocupou essa honrosa função. A presidência da Ordem não é apenas um cargo: é um compromisso com a defesa intransigente da advocacia e da democracia. Renato honrou essa missão com coragem, combatividade e senso de justiça.
A execução do colega, agora apontada pelas investigações como motivada por disputas fundiárias, exige não apenas uma rigorosa apuração policial, mas também uma profunda reflexão sobre os riscos enfrentados pelos que exercem a advocacia com independência e compromisso. O advogado precisa ter, acima de tudo, segurança para atuar. Sem isso, toda a estrutura democrática se fragiliza.
É essencial que todos os desdobramentos do crime sejam investigados com máxima seriedade, inclusive aqueles de natureza patrimonial – para afastar oportunistas. Nada pode ser omitido ou minimizado. Só assim evitaremos injustiças irreparáveis e honraremos verdadeiramente a memória de Renato.
Neste momento em que prisões foram realizadas, inclusive de pessoas apontados como mandantes, é justo reconhecer o trabalho diligente dos órgãos de segurança pública, especialmente da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa. A atuação firme e técnica tem sido crucial para elucidar os fatos e oferecer respostas à sociedade.
À família de Renato, deixo minha solidariedade mais sincera. Que o legado de integridade, coragem e compromisso deixado por ele sirva como farol para todos os que ainda acreditam no poder transformador da advocacia e na força da verdade.
Renato Nery merece ser lembrado, respeitado e defendido — em vida e na memória. Seu nome não pode ser esquecido, nem a sua luta ignorada.
Por Ussiel Tavares, advogado e ex-presidente da OAB-MT
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