VÁRZEA GRANDE
Ações multidisciplinares e gratuitas beneficiam população da região do São Mateus
VÁRZEA GRANDE
É a primeira vez que o Projeto Areia chega ao estado de Mato Grosso, e a cidade de Várzea Grande foi escolhida para receber essa importante mobilização
O bairro São Mateus, em Várzea Grande, foi escolhido para ser a sede de uma mega ação social e de saúde do Projeto Areia, gratuitos à população. A iniciativa segue até quarta-feira, dia 25, oferecendo serviços como atendimento médico, odontológico, psicológico, vacinação, atualização e cadastramento do Bolsa Família, Cadastro Único e vacinação antirrábica em cães e gatos.
A oferta de serviços é realizada na sede da antiga unidade de saúde do bairro São Mateus, das 8h às 11h30 e das 13h30 às 16h.
Somente no período da manhã desta segunda-feira (23), mais de 120 atendimentos foram realizados. A aposentada Maria José Dias, de 69 anos, foi a primeira paciente atendida. Com dores na mão esquerda, buscou atendimento médico e saiu do local com o medicamento necessário para o alívio da dor. “Cheguei cedo, fui bem atendida e já saí com o remédio. Só tenho a agradecer”, relatou.
Com uma média de 30 voluntários, entre médicos, dentistas, psicólogos e estudantes de Medicina das faculdades São Camilo, São Leopoldo Mandic e Santa Marcelina, todas de São Paulo, o projeto tem como proposta levar atendimento de qualidade às comunidades em situação de vulnerabilidade pelo país.
É a primeira vez que o Projeto Areia chega ao estado de Mato Grosso, e a cidade de Várzea Grande foi escolhida para receber essa importante mobilização. A ação acontece em parceria com a Prefeitura Municipal de Várzea Grande, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, que cedeu estrutura física e apoio logístico para o funcionamento da iniciativa, e também participa diretamente com a oferta de vacinação e atualização do cartão vacinal de crianças, adultos e idosos e a atualização do Programa Bolsa Família.
A prefeita Flávia Moretti (PL) também esteve no local e parabenizou os voluntários pela ação. “É emocionante ver a mobilização de estudantes, professores e profissionais de saúde se unindo para ajudar quem mais precisa. É uma honra para Várzea Grande ser a primeira cidade do estado a receber esse projeto tão significativo”, destacou.
A iniciativa também conta com o apoio da Secretaria Municipal de Assistência Social, que realiza atendimento e atualização do Cadastro Único do Bolsa Família. Para a secretária Cristina Saito, a ação fortalece as políticas públicas do Município. “Somar com o trabalho que já realizamos é muito importante, e levar esse atendimento ao bairro São Mateus é estratégico, por se tratar de uma comunidade de grande vulnerabilidade”, afirmou.
A equipe do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) também participa da ação, oferecendo vacinação antirrábica para os animais da comunidade, garantindo o cuidado integral com a saúde das famílias, inclusive dos seus pets.
A INICIATIVA – A presidente do Projeto Areia, médica Maria Júlia Diniz, idealizou a ação ainda no Maranhão. “Esse projeto nasceu no meu coração, ao ver de perto a dor e a necessidade de muitas pessoas. Mobilizei um grupo de amigos e colegas de profissão e hoje percorremos o Brasil com esse objetivo: oferecer cuidado, escuta e acolhimento a quem precisa”, destacou. Segundo ela, o nome “Areia” simboliza o incômodo com as desigualdades sociais e a necessidade de ação concreta diante do sofrimento alheio.
Já a secretária municipal de Saúde, Deisi Bocalon, ressaltou a importância da parceria. “A Secretaria tem buscado constantemente ações que fortaleçam e ampliem a qualidade da saúde em Várzea Grande. O Projeto Areia é uma iniciativa que vem agregar com os atendimentos já oferecidos pelo Município e reforça o nosso compromisso com o cuidado das pessoas”, pontuou.
VÁRZEA GRANDE
Várzea Grande amplia proteção de bebês prematuros com aplicação inédita do Nirsevimabe pelo SUS
A Prefeitura de Várzea Grande, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, está reforçando os cuidados com a saúde de bebês prematuros ao disponibilizar, pela primeira vez, o anticorpo monoclonal Nirsevimabe, popularmente conhecido como “vacina Nirsevimabe”. O medicamento oferece imunização imediata para proteger os bebês contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principal causador de bronquiolite e pneumonia grave em crianças pequenas.
As doses integram o Protocolo de Uso do Nirsevimabe para Prevenção de Infecção do Trato Respiratório Inferior Associada ao Vírus Sincicial Respiratório em Bebês Prematuros ou com Comorbidades, disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O Nirsevimabe é destinado a um público específico e, em Várzea Grande, vem sendo administrado desde fevereiro deste ano, conforme prescrição médica e condição clínica do recém-nascido, na Maternidade Pública “Dr. Francisco Lustosa” e nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). A UBS Jardim Glória foi a primeira unidade, fora da maternidade, a aplicar a medicação.
Como explica Patrícia Pretel Feitosa, enfermeira responsável pela Imunização da Atenção Primária de Várzea Grande, a incorporação do Nirsevimabe ao SUS amplia a cobertura de proteção para todos os bebês prematuros que se enquadram nos critérios estabelecidos.
“O anticorpo tem indicações específicas, tanto em relação à dosagem quanto ao público-alvo”, destaca.
Somente entre os recém-nascidos prematuros, 19 doses foram aplicadas na maternidade entre fevereiro e o momento atual. Dependendo das condições de saúde e do peso da criança, algumas recebem a dose ainda durante a internação, enquanto outras aguardam o ganho de peso para receber o medicamento posteriormente em uma Unidade Básica de Saúde.
Patrícia explica ainda que, para recém-nascidos prematuros — aqueles nascidos com menos de 37 semanas de gestação —, a administração do Nirsevimabe deve ser feita por via intramuscular logo após o nascimento, ou assim que o bebê estiver clinicamente estável, ainda na maternidade.
“A dose do Nirsevimabe é única e varia apenas conforme a faixa de peso do paciente. Recém-nascidos e bebês com peso inferior a cinco quilos recebem uma dose única de 0,5 ml. Já aqueles com peso igual ou superior a cinco quilos recebem uma dose única de 1 ml”, explica.
Para crianças de até 24 meses de idade que apresentem comorbidades e permaneçam vulneráveis durante a segunda temporada de circulação do VSR, recomenda-se uma dose única, independentemente do peso, administrada em duas injeções de 1 ml cada, aplicadas em locais distintos.
Indicações para o uso do Nirsevimabe
- Prematuros (nascidos com menos de 37 semanas de gestação);
- Doença cardíaca congênita hemodinamicamente significativa;
- Doença pulmonar crônica da prematuridade;
- Imunocomprometimento grave, congênito ou adquirido;
- Fibrose cística;
- Doença neuromuscular;
- Anomalias congênitas das vias aéreas;
- Síndrome de Down.
Contexto
Segundo dados do Ministério da Saúde, o Vírus Sincicial Respiratório é responsável por cerca de 80% dos casos de bronquiolite e por até 60% das pneumonias em crianças menores de dois anos no Brasil.
Entre 2018 e 2024, foram registradas 83.740 internações de bebês prematuros. Somente em 2024, dos 82.005 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) atribuídos a vírus respiratórios, 32% (26.034 casos) foram causados pelo VSR.
A faixa etária mais atingida foi a de crianças com menos de um ano, que representaram 72,1% dos casos (18.759) e 42% dos óbitos (168 das 403 mortes registradas).
Os principais grupos de risco para desenvolver infecção respiratória grave causada pelo VSR são lactentes com menos de seis meses de idade, especialmente os prematuros, crianças com doença pulmonar crônica da prematuridade e aquelas com cardiopatias congênitas.
Essa maior vulnerabilidade está relacionada à imaturidade do sistema imunológico, à menor transferência de anticorpos maternos, ao menor calibre das vias aéreas, além de fatores como baixa reserva energética, desmame precoce, anemia, infecções respiratórias recorrentes e uso prévio de corticoides.
O VSR apresenta comportamento sazonal, com maior circulação nos meses mais frios do ano. Embora esse padrão varie entre as regiões brasileiras, a maior incidência costuma ocorrer durante o outono e o inverno.
Anualmente, o vírus é responsável por cerca de 3,6 milhões de hospitalizações em todo o mundo e aproximadamente 100 mil mortes de crianças menores de cinco anos, sendo metade desses óbitos em bebês com menos de seis meses de idade. (Com informações do Ministério da Saúde)
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