POLÍTICA
Audiência debate soluções para as obras do Portão do Inferno e o futuro do Parque da Quineira
POLÍTICA
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) realizou audiência pública na Câmara Municipal de Chapada dos Guimarães, na noite de quinta-feira (17), para discutir duas questões de grande relevância para o município: a situação da Rodovia MT-251, no trecho conhecido como Portão do Inferno, e a gestão do Parque Estadual da Quineira.
O debate foi solicitado pelo deputado Wilson Santos (PSD) e reuniu autoridades estaduais e municipais, Ministério Público, representantes da sociedade civil e moradores da região. O objetivo foi promover um diálogo aberto e técnico sobre os problemas enfrentados pela população e discutir soluções para as duas pautas.
A Rodovia MT-251 é uma das principais vias de acesso entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães, utilizada diariamente por turistas, moradores e produtores. No entanto, o trecho conhecido como Portão do Inferno está há quase dois anos com restrições de tráfego devido a problemas de instabilidade geológica, deslizamentos e risco de colapso da pista.
O deputado Wilson Santos (PSD) afirmou que o governo estadual está empenhado em definir uma solução e que o projeto do túnel ou do viaduto deve ser apresentado à sociedade nas próximas semanas. “A situação não avançou como esperávamos, mas o governo está estudando alternativas. Também estamos cobrando a pavimentação da MT-020, via Água Fria, que pode ser uma saída viável para aliviar a situação do Portão do Inferno”, disse o parlamentar.
Durante a audiência, o geólogo e professor da UFMT Caiubi Kuhn lembrou que os estudos feitos pela universidade já haviam alertado para a inviabilidade do projeto inicial de retaludamento – técnica que consiste em desmontar o morro, retirando camadas do topo até a base. Segundo ele, essa obra foi iniciada e depois suspensa, após a constatação, pelo próprio governo, de que seria inviável.
Foto: RONALDO MAZZA/ALMT
“Não tinha via de acesso, as condições geológicas não eram favoráveis e os estudos já indicavam problemas no projeto desde o início. Agora, mais de um ano depois, o estado reconheceu que o retaludamento não seria possível”, afirmou o professor.
O governo do estado anunciou recentemente que estuda a construção de um túnel como alternativa, mas esse projeto ainda não foi detalhado nem apresentado oficialmente à sociedade. Para Caiubi Kuhn, qualquer obra realizada no local deve, necessariamente, resolver o risco de queda de blocos rochosos. Ele defende que o viaduto seria a opção mais segura, porém não houve explicações sobre a escolha do túnel.
O promotor de Justiça Leandro Voloscko, da comarca de Chapada, explicou que o Ministério Público Estadual e o Ministério Público Federal ajuizaram uma ação civil pública para impedir a continuidade do retaludamento e exigir estudos mais aprofundados.
“Recebemos com alívio a notícia de que o governo não vai mais fazer o retaludamento, mas lamentamos que ainda não haja uma definição clara sobre qual obra será feita. É urgente que a população receba informações transparentes sobre o andamento desse processo”, disse o promotor.
Além dos riscos à segurança, o impasse no Portão do Inferno gerou sérios prejuízos econômicos para Chapada dos Guimarães. O transporte de mercadorias passou a ser feito por rotas alternativas mais longas, aumentando o custo de vida na cidade e dificultando o turismo.
A moradora Ilsa Pereira relatou as dificuldades enfrentadas no dia a dia. “O chapadense está pagando um preço altíssimo. Antes, um taxista ganhava até cinco mil por mês com turistas. Hoje, não chega a um salário mínimo porque ninguém quer vir para a Chapada. O café custa 40 reais porque o transporte é mais caro. E quem precisa ir para Cuiabá para fazer tratamento médico? Paga do bolso, porque o carro da saúde não dá conta”, desabafou.
O produtor de hortaliças e frutas Marcos Antônio Sguarezi também relatou dificuldades no escoamento da produção. Hoje temos que rodar mais de 200 quilômetros para levar nossos produtos para Cuiabá. Muitos pequenos produtores desistiram porque ficou inviável competir com caminhões pesados na descida da Serra de São Vicente. É risco de acidente, perda de mercadoria e custo elevado”, lamentou.
O prefeito de Chapada, Osmar Froner, falou do impacto econômico da situação. “Pequenas empresas fecharam, principalmente no início, quando houve o fechamento total da via em pleno período chuvoso. Sem alternativa de escoamento rápido, os prejuízos se multiplicaram, tanto para o comércio quanto para o turismo”, destacou.
O presidente da Câmara de Chapada, José Otávio (PL), reforçou a preocupação com o aumento do custo de vida. “Os produtos ficaram mais caros porque o transporte é mais longo e mais caro. A logística ficou inviável para pequenos comerciantes e produtores”, disse.
Parque da Quineira: preservação e questionamentos sobre o manejo – Outro tema discutido na audiência foi o Parque Estadual da Quineira, área de preservação ambiental localizada dentro do perímetro urbano de Chapada dos Guimarães. A obra de reestruturação do parque foi licitada recentemente, com investimento de R$ 13,7 milhões, e deve durar cerca de um ano.
A proposta prevê a construção de pista de caminhada, estacionamento, guarita de entrada, playground, academia ao ar livre, restaurante e uma passarela sobre a nascente da Quineira.
A secretária adjunta de Cidades, Rafaela Damiani, explicou que o parque será gratuito e a gestão ficará sob responsabilidade do município.
“A obra está devidamente licenciada e o parque será um espaço de lazer e preservação ambiental para a população. O restaurante, por exemplo, será concessionado e isso ajudará na manutenção do espaço”, afirmou.
Moradores e empresários questionaram a falta de diálogo prévio com a população sobre o parque. A empresária Lauristela Guimarães cobrou a inclusão do plano de manejo no projeto. “O plano de manejo é o coração do parque, define o que pode e o que não pode ser feito. Nós temos doutores em geologia e especialistas que podem ajudar. Não podemos começar a obra sem definir isso”, alertou.
O prefeito Osmar Froner reconheceu a importância do parque, mas defendeu mais discussões públicas sobre a implantação.”O governo fez um plano de uso e uma concepção de obra boa, mas é importante discutir com todos para evitar polêmicas futuras”, disse.
O presidente da Câmara, José Otávio, também lamentou que o projeto não tenha sido apresentado à população antes do lançamento do edital. “Diferente da reforma da praça, o projeto da Quineira não foi discutido com a sociedade. Isso gera insegurança e dúvidas”, declarou.
Encaminhamentos – Ao final da reunião, o deputado Wilson Santos anunciou que novas audiências deverão ser realizadas para acompanhar o andamento dos dois temas.
“Voltaremos a Chapada com o pré-projeto do túnel ou do viaduto para o Portão do Inferno e vamos continuar cobrando o andamento da obra da Quineira, sempre ouvindo a população”, concluiu.
Fonte: ALMT – MT
POLÍTICA
Mulheres na ALMT: trajetória iniciada há quase sete décadas ganha novo capítulo
Vera Lúcia Araújo – Verinha -15ª Legislatura (2003-2017).
Foto: Helder Faria
Teté Bezerra -17ª Legislatura (2011-2015).
Foto: Helder Faria
A participação feminina na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) atravessa quase sete décadas desde a eleição de Oliva Enciso, em 1958. No último domingo (4), essa história ganhou um novo capítulo com a eleição de Samantha do Abilio (PL) e Alessandra Ferreira (Podemos), que ocuparão duas das 24 cadeiras da Casa a partir de 2027.
Oliva foi a primeira mulher eleita deputada estadual em Mato Grosso, 26 anos depois da conquista do direito ao voto feminino no Brasil. Professora, atuou na educação e na assistência social e também foi vereadora de Campo Grande antes de chegar à Assembleia para a 4ª Legislatura, entre 1959 e 1963, quando Mato Grosso ainda não havia sido dividido.
A historiadora Dejenana Keila Oliveira Campos explica que a participação institucional das mulheres na política mato-grossense começou a ganhar espaço ainda nas décadas de 1920 e 1930, influenciada pela luta e conquistas dos direitos sociais e políticos. Em Mato Grosso, organizações de mulheres, a educação e a imprensa contribuíram para ampliar a presença feminina na vida pública.
A conquista do direito ao voto, porém, não significou acesso imediato aos cargos eletivos. Dejenana aponta que a estrutura política estadual foi historicamente marcada pelo coronelismo, pelas relações familiares e por uma organização patriarcal. Enquanto os homens tiveram o acesso à política tratado como algo natural, as mulheres precisaram construir reconhecimento público por outros caminhos, como a educação, a escrita e a atuação social.
A coordenadora do Núcleo de Estudos sobre a Mulher e as Relações de Gênero da Universidade Federal de Mato Grosso (Nuepom-UFMT), Madalena Rodrigues, também relaciona a baixa representação feminina às estruturas sociais construídas historicamente. “A política de Mato Grosso é uma política patriarcal, cercada pelos homens”, afirma. Segundo ela, as barreiras estão relacionadas não apenas ao gênero, mas também à classe e à raça.
Diferentes caminhos — Ao longo das décadas, as mulheres chegaram à política por diferentes trajetórias. Dejenana aponta que, em Mato Grosso, uma delas foi o capital político familiar, com candidaturas construídas a partir da trajetória de pais, maridos ou outros homens da família. Educação, movimentos sociais e sindicais, atuação profissional e mandatos municipais também se consolidaram como portas de entrada.
A ex-deputada estadual Vera Araújo, a Verinha, percorreu uma trajetória ligada à educação e ao movimento sindical. Professora e dirigente do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT), foi eleita vereadora de Cuiabá em 2000 e, dois anos depois, conquistou uma cadeira na ALMT, sendo a única mulher entre os 24 deputados estaduais eleitos.
Verinha relata que ocupar um espaço predominantemente masculino significava conviver com cobranças sobre sua capacidade. “Se você faz essa opção, essa decisão de disputar o poder, você tem que provar que você dá conta, que você é competente. Senão eles vêm, dizem: ‘Ah, não deu conta porque é mulher’”, afirma.
Mãe de três filhos, ela também se preocupava que algum problema familiar fosse relacionado à decisão de estar na política. “Eu sempre me preocupei muito com isso, porque eu percebo que, quando a mulher faz essa disputa de poder, ela acaba carregando com ela essa culpa de que nada dê errado com seus filhos, com a sua casa, com a sua família. Porque, se alguma coisa dá errado, ela vai ser culpada porque saiu para o espaço público”, relata.
Mesmo dividindo os cuidados com os filhos e as tarefas domésticas com o companheiro, Verinha afirma que a preocupação permanecia. “Quando a mulher faz essa opção de sair para disputa do espaço de poder, ela acaba sendo responsabilizada duplamente”, acrescenta.
Registros produzidos durante o mandato mostram iniciativas em áreas como educação, saúde e fiscalização do poder público. Entre elas estão a legislação relacionada ao tempo de espera em filas de bancos, uma proposta de combate ao nepotismo e a lei que instituiu o Dia Estadual de Controle à Anemia Falciforme. Outra proposta que se tornou lei instituiu a meia-entrada para professores da rede pública estadual em estabelecimentos de lazer, entretenimento e difusão cultural.
Da candidatura à permanência — A cientista política Christiany Fonseca avalia que a maioria feminina no eleitorado não se transforma automaticamente em presença equivalente nos espaços de representação. O caminho até o mandato envolve acesso aos partidos, recursos de campanha, redes políticas, apoio e condições efetivas de competição. “É preciso conseguir entrar, competir, vencer e depois permanecer na política”, resume.
Para Christiany, analisar apenas o número de candidaturas não é suficiente, pois estar registrada na disputa não significa necessariamente ser tratada pelo partido como uma candidatura prioritária e competitiva. A divisão das responsabilidades de cuidado, a disponibilidade de tempo e as redes construídas ao longo da trajetória também interferem nesse processo.
Nas eleições gerais de 2026, as mulheres corresponderam a 34% das candidaturas registradas em Mato Grosso, mesmo percentual de 2022. Entre as 24 cadeiras da próxima legislatura estadual, duas serão ocupadas por mulheres.
A eleição de Samantha do Abilio e Alessandra Ferreira ocorre 16 anos depois do último pleito em que duas mulheres foram eleitas simultaneamente para mandatos titulares na ALMT. Em 2010, Luciane Bezerra e Teté Bezerra foram escolhidas para a 17ª Legislatura, entre 2011 e 2015.
Quase sete décadas depois da eleição de Oliva Enciso, a chegada de Samantha e Alessandra acrescenta um novo capítulo a uma trajetória marcada pela ampliação das formas de participação feminina e pela permanência do debate sobre acesso, condições de disputa e presença das mulheres nos espaços de poder.
Mulheres que ocuparam cadeiras na ALMT
4ª Legislatura (1959–1963)
Oliva Enciso
9ª Legislatura (1979–1983)
Sarita Baracat
11ª Legislatura (1987–1991)
Thaís Bérgo Duarte Barbosa
12ª, 13ª e 14ª Legislaturas (1991–2003)
Serys Slhessarenko
12ª Legislatura (1991–1995)
Malba Varjão — suplente
13ª Legislatura (1995–1999)
Zilda Pereira Leite — suplente
15ª Legislatura (2003–2007)
Vera Lúcia Araújo
Ana Carla Muniz
16ª Legislatura (2007–2011)
Chica Nunes
Vilma Moreira — suplente
17ª Legislatura (2011–2015)
Luciane Bezerra
Teté Bezerra
18ª, 19ª e 20ª Legislaturas (2015-2027)
Janaina Riva
20ª Legislatura (2023–2027)
Marildes Ferreira — suplente
Profa. Graciele (Graciele Marques dos Santos) — suplente
Valdeníria Dutra — suplente
Sheila Klener — suplente
Sandy de Paula — suplente
Priscila Dourado — suplente
Edna Sampaio — suplente
Eliane Xunakalo — suplente e primeira mulher indígena a assumir temporariamente uma cadeira na história da ALMT.
*Os períodos indicados correspondem às legislaturas, não necessariamente ao tempo de exercício de cada parlamentar.
Fonte: ALMT – MT
-
POLITÍCA NACIONAL6 dias atrásConheça os 24 deputados distritais eleitos no DF para 2027-2030
-
POLITÍCA NACIONAL6 dias atrásTSE destaca normalidade no 1º turno e redução das denúncias de desinformação
-
PICANTES6 dias atrásSimone Mendes lança seis músicas inéditas em novo projeto: ‘O MELHOR DE MIM! ‘
-
EDUCAÇÃO5 dias atrásO JOVEM DA GERAÇÃO ATUAL E A ATENÇÃO DELE AO MUNDO AO SEU REDOR
-
POLITÍCA NACIONAL6 dias atrásAlagoas elege Arthur Lira e Marina JHC para o Senado
-
POLITÍCA NACIONAL6 dias atrásFufuca e Lahesio Bonfim são os novos senadores pelo Maranhão
-
Cáceres4 dias atrásCáceres, 248 anos de história, cultura e orgulho!
-
POLITÍCA NACIONAL6 dias atrásGoiás elege Gustavo Gayer e Gracinha Caiado ao Senado




