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Prisão de Bolsonaro repercute nos discursos de deputados no Plenário da Câmara

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A prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro foi o principal tema dos discursos desta terça-feira (25) no Plenário da Câmara dos Deputados. Parlamentares governistas elogiaram o funcionamento da Justiça com o início do cumprimento da pena do ex-presidente, condenado por liderar uma organização criminosa na tentativa de golpe de Estado e de impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Já parlamentares da oposição classificaram a prisão de Bolsonaro como um “golpe institucional”.

O Supremo Tribunal Federal (STF) declarou nesta terça que o processo do ex-presidente por golpe de Estado transitou em julgado, ou seja, não cabem mais recursos. Assim, ele já pode cumprir a pena de 27 anos e 3 meses de prisão.

Bolsonaro começou a cumprir a pena em regime fechado na sede da Polícia Federal em Brasília. Ele já estava em prisão preventiva desde sábado (22) por ter violado a tornozeleira eletrônica que usava em prisão domiciliar e por haver, segundo o STF, risco de fuga.

O deputado Helder Salomão (PT-ES) destacou que quem atentou contra o Estado Democrático de Direito começa a pagar por seus crimes. “Que sirva de exemplo para que ninguém ouse mais uma vez tentar golpe de Estado no nosso país”, afirmou.

O deputado João Daniel (PT-SE) parabenizou o Judiciário pela “atuação séria e coerente, sem abrir mão de todas as prerrogativas do direito à defesa, mas que faz cumprir a Constituição”.

Prisão de generais
O deputado Chico Alencar (Psol-RJ) disse que o dia de hoje é histórico porque, pela primeira vez, generais foram presos para cumprir pena após o devido processo legal. “Isso tudo deve ser louvado porque é um passo adiante na construção da democracia brasileira”, declarou, ao citar os generais e ex-ministros do governo Bolsonaro Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira, presos nesta terça.

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A deputada Maria do Rosário (PT-RS) afirmou que o Brasil conclui uma etapa importante da construção democrática com a prisão dos condenados por liderar o golpe de Estado. “O Brasil oferece um símbolo de que aqueles que tentam rasgar a Constituição, atacar as instituições e a Nação brasileira não receberão a leniência e o apoio das instituições e do Brasil”, disse a parlamentar.

Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
Discussão e votação de propostas legislativas. Dep. Chico Alencar (PSOL - RJ)
Chico Alencar: primeira vez, generais foram presos após o devido processo legal

O deputado Tadeu Veneri (PT-PR) também ressaltou a importância histórica da data e a associou aos 50 anos da morte do jornalista Vladimir Herzog pela ditadura militar. “Não poderia ser um dia mais significativo. Cinquenta anos depois, ainda que tarde, faz-se justiça: Bolsonaro irá cumprir os próximos anos na cadeia; e Vladimir Herzog continua vivo na memória de todos que querem democracia”, declarou.

Críticas ao STF
Para o líder do Novo, deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), há um “golpe” que está consumado pelo STF que, segundo o parlamentar, coloca pessoas “inocentes e perseguidas” na cadeia “de forma ilegal e inconstitucional”. “Esta Casa precisa votar a anistia e virar esta página”, disse Van Hattem, ao defender o Projeto de Lei 2162/23, que anistia os participantes dos atos de 8 janeiro de 2023, entre outros.

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O texto teve sua urgência aprovada em 17 de setembro e aguarda inclusão na pauta do Plenário.

Para o deputado Capitão Alberto Neto (PL-AM), a prisão do ex-presidente mostra que o Brasil está sob a “ditadura da toga”.

Essa foi a mesma crítica levantada pelo deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), vice-líder da oposição. “Hoje estamos vivendo um estado de exceção, regime totalitário comandado à mão de ferro pela Suprema Corte do país, que rasga, reiteradas vezes, a Carta Magna. Presidente Bolsonaro é mais um preso político sem julgamento justo de uma trama que fizeram para vencer as eleições e colocar o presidente Bolsonaro na cadeia”, afirmou.

Na opinião do deputado Pr. Marco Feliciano (PL-SP), nunca houve um processo “tão injusto e tão rápido” no STF. “Parece que foram sacrificando aos poucos, torturando aos poucos o presidente Bolsonaro para agora sair então a prisão definitiva de um presidente que não roubou o país, que não estava em nenhum tipo de escândalo, de mensalão, de nada.”

O deputado Sargento Gonçalves (PL-RN) disse que o Judiciário está sendo usado como “ferramenta de perseguição política e ideológica” em que deputados com mandato precisam se autoexilar para não serem presos. “Nós vivenciamos a verdadeira ditadura da toga, na qual um único ministro tira as leis da sua cabeça, não respeita a Constituição”, criticou, citando o ministro Alexandre de Moraes.

Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Pierre Triboli

Fonte: Câmara dos Deputados

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Debatedores defendem manutenção do prazo de 20 anos para patentes de remédios

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Participantes de audiência pública na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados defenderam, nesta terça-feira (14), a manutenção do prazo de 20 anos para a vigência de patentes no Brasil, contados da data de depósito do pedido.

Os palestrantes argumentaram que o cumprimento desse limite é importante para garantir a sustentabilidade do Sistema Único de Saúde (SUS) e permitir a entrada de medicamentos genéricos e biossimilares no mercado, o que reduz preços e amplia o acesso da população a tratamentos de ponta.

Na audiência, representantes da indústria nacional e do governo rejeitaram qualquer extensão do período de exclusividade. O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos e Biossimilares (PróGenéricos), Tiago de Moraes Vicente, resumiu a posição do setor com o lema “20 anos e nem um dia mais”.

Segundo Tiago Vicente, qualquer tentativa de estender esse prazo, seja por via judicial ou legislativa, é nociva e gera prejuízos bilionários ao sistema público e ao bolso do consumidor.

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Química Fina (Abifina), Andrey Freitas, reforçou que o prazo atual é “mais do que suficiente” para o retorno financeiro das empresas inovadoras. Ele citou um estudo internacional indicando que 91% dos produtos oncológicos, que estão entre os mais complexos e caros, recuperam seus investimentos em pesquisa e desenvolvimento em apenas oito anos.

“Do ponto de vista econômico, a gente não tem nenhum tipo de dado concreto que comprove a necessidade de extensão de patente”, ressaltou Freitas.

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Para o presidente da Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais (Alanac), Henrique Tada, a extensão do prazo “não trata de proteger uma invenção, mas de manter um único fornecedor por mais tempo”, o que prejudica a concorrência e o parque industrial nacional.

Propriedade intelectual
Apesar da defesa do limite temporal, os debatedores reconheceram a importância da propriedade intelectual para o desenvolvimento do país.

A coordenadora-geral de Promoção e Regulação do Complexo Industrial do Ministério da Saúde, Constance Chabin, destacou que a patente é um instrumento importante de incentivo à inovação que permite o fortalecimento tecnológico e econômico da indústria.

Bruno Spada / Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Impactos da extensão de patentes sobre o orçamento da União e no financiamento do SUS. Coordenadora-Geral de Promoção e Regulação do Complexo Industrial - Ministério da Saúde, Constance Marie Meiners Chabin.
Constance Chabin: pedidos judiciais de extensão de patentes geram impacto no SUS

Andrey Freitas acrescentou que o Brasil é defensor da propriedade industrial e que a legislação atual ajudou a construir uma indústria farmacêutica sólida. “Não dá para falar sobre indústria farmacêutica no Brasil sem estar associada diretamente a uma defesa ferrenha de proteção patentária”, declarou.

O equilíbrio, segundo os especialistas, reside em respeitar o privilégio temporário do inventor, mas garantir que a inovação entre em domínio público após os 20 anos.

Impactos no SUS
O debate ocorreu em um momento de pressão sobre os prazos das patentes. Constance Chabin informou que, apenas no primeiro semestre de 2026, foram contabilizados 41 pedidos judiciais de extensão de patentes, a maioria alegando atrasos na análise pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). No entanto, ela ressaltou que muitos atrasos podem ser imputados às próprias empresas depositantes.

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Um estudo do Ministério da Saúde estimou que a extensão das patentes por via judicial pode gerar um impacto financeiro no SUS entre R$ 7,1 bilhões e R$ 16,2 bilhões.

De acordo com Chabin, apenas cinco medicamentos são responsáveis por 70% desse impacto estimado.“Os impactos não são só de ordem orçamentária”, destacou. “A compra de medicamentos com preço elevado gera um atraso na incorporação de tecnologias realmente inovadoras, porque estamos pagando um preço elevado por tecnologias que entraram no mercado há 10, 12 anos atrás.”

Projetos
O presidente da Comissão de Defesa do Consumidor, deputado Clodoaldo Magalhães (PV-PE), alertou para a existência de projetos de lei no Congresso que tentam restabelecer mecanismos de extensão de prazo extintos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2021.

Ele também destacou a necessidade de a sociedade se mobilizar para que o investimento em inovação não ocorra em prejuízo da vida e da longevidade das pessoas. “Toda essa inovação, para que vai servir, se não para a vida humana?”, refletiu.

Clodoaldo Magalhães disse aguardar a sanção do projeto de lei (PL 2583/20) que garante a autonomia do Brasil na produção de medicamentos, vacinas, equipamentos e insumos médicos. A proposta, já aprovada pela Câmara e pelo Senado, cria a Estratégia Nacional de Saúde.

Reportagem – Noéli Nobre
Edição – Ana Chalub

Fonte: Câmara dos Deputados

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