POLITÍCA NACIONAL
Ministro defende comunicação do governo e ressalta combate à desinformação e às fake news
POLITÍCA NACIONAL
O ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, Sidônio Palmeira, defendeu a comunicação do governo e ressaltou a importância do combate às notícias falsas em todas as áreas – desde esclarecimentos sobre as vacinas até a prevenção de golpes contra usuários do Pix e segurados do INSS, por exemplo. Sidônio participou de audiência pública conjunta das comissões de Fiscalização Financeira e Controle; de Comunicação da Câmara dos Deputados para responder críticas à comunicação do governo federal.
“A desinformação é o principal fator para famílias temerem vacinar as crianças. Isso está fazendo voltar a poliomielite e o sarampo, por exemplo. Nós temos problemas com isso, exatamente pela desinformação sobre a importância da vacina. O Brasil era um dos países que mais vacinavam”, disse.
Também falou sobre a “fake do Pix”, no início deste ano. Citou que mais de 1.700 anúncios falsos foram criados para golpes. “Tinha muita gente monetizando, ganhando dinheiro, o que é muito ruim, porque isso afeta a economia popular – e afetou a economia popular. Esse é um problema sério, que não é somente do governo, mas também do Estado e também do Congresso Nacional”, afirmou.
Segundo ele, em um ano, o prejuízo financeiro causado por fraudes e golpes chega a R$ 25,5 bilhões (dado de 2025). “Os golpes e o crime estão passando cada vez mais para as redes sociais. Esse é um problema que a gente vive, e temos que ver como combatê-lo. Eu sou da área de comunicação e sei que isso não tem absolutamente nada a ver com liberdade de expressão ou liberdade de manifestação. É muito importante buscarmos esse equilíbrio e fazermos a regulamentação disso”, disse.
“O Brasil registra uma tentativa de fraude ou de golpe a cada 2,8 segundos. Este dado também é muito interessante: 24% dos brasileiros perderam dinheiro com algum crime digital. Olha a dimensão que tem isso! Um quarto da população brasileira já perdeu algum dinheiro com isso. Essa é uma preocupação imensa nossa, do governo, de a gente cada vez mais ver o que fazer com isso”, afirmou.
Fraude no INSS
O deputado Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP) acusou a Secom de não ter orientado adequadamente os aposentados prejudicados pela fraude no INSS. Ele questionou o orçamento daquele órgão para campanhas de prevenção. “O esforço do governo para que as pessoas soubessem que foram vítimas não foi feito”, afirmou.
Na mesma linha, o deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS) disse que o governo deveria ter divulgado a fraude assim que foi detectada, ainda em 2023. “Se o governo soube, por que não evitou, antes da operação, que houvesse tanto roubo?”, questionou.
Em resposta, Sidônio Palmeira disse que a Controladoria-Geral da União (CGU) já abriu processo de responsabilização e que a Receita Federal conduz investigação sobre a fraude. Ele destacou que o governo está alinhado com os parlamentares da CPMI do INSS que apura o caso.
“A CPMI tem que ir ao fundo para descobrir os culpados. Os aposentados estão sendo ressarcidos, diferentemente do governo anterior, que nunca tomou providências contra isso”, disse.
Reportagem – Emanuelle Brasil
Edição – Wilson Silveira
Fonte: Câmara dos Deputados
POLITÍCA NACIONAL
Comissão aprova proibição de leilão e penhora de espaços culturais tombados
A Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 66/2026, do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que proíbe a penhora, o leilão e outras formas de expropriação de imóveis indispensáveis à preservação de bens tombados ou de patrimônios culturais imateriais reconhecidos pelo poder público.
A vedação vale sempre que o ato puder:
- comprometer a continuidade, a integridade ou a autenticidade do bem cultural;
- alterar o uso do espaço de forma incompatível com sua função cultural; e
- descaracterizar social, simbólica, econômica ou funcionalmente a prática protegida.
A regra vale para execuções fiscais, trabalhistas, cíveis ou administrativas, contra entes públicos ou privados. O projeto busca proteger o chamado “espaço cultural essencial”, o imóvel público ou privado com função indispensável para a manutenção desses bens tombados.
Se já houver processo judicial ou administrativo de penhora ou leilão sobre um desses bens, o juiz ou a autoridade competente é obrigado a suspender a ação de forma imediata.
A medida pode ser determinada de ofício ou a pedido do Ministério Público, do órgão de proteção ao patrimônio cultural ou de entidade representativa da comunidade envolvida.
A suspensão não impede a apuração da dívida. O projeto determina que sejam priorizadas soluções alternativas, como negociação, parcelamento ou compensação. Qualquer decisão que afaste a suspensão deverá ser expressamente fundamentada, sob pena de nulidade.
Exceções
O projeto admite exceções à proibição, porém somente se forem cumpridos cumulativamente os seguintes requisitos:
- parecer técnico favorável do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) ou de órgão cultural competente;
- estudo de impacto cultural, social e econômico, com participação da comunidade;
- autorização expressa do Poder Legislativo correspondente — Congresso Nacional, Assembleia Legislativa, Câmara Legislativa ou Câmara Municipal —, conforme o nível de reconhecimento do bem.
O estudo de impacto cultural deverá avaliar a historicidade da prática, os vínculos sociais e identitários com o espaço, a possibilidade real de continuidade em outro local e os impactos sobre trabalho e renda. A ausência de qualquer requisito torna o ato nulo.
Alternativas à expropriação
O poder público deverá priorizar saídas que preservem o espaço cultural, como a renegociação de dívidas, a transferência da gestão do imóvel para associações ou cooperativas da comunidade e a celebração de convênios ou parcerias voltadas à sustentabilidade do bem protegido.
Lindbergh Farias citou a ameaça de leilão do imóvel da Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro — sede do Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, reconhecido por lei federal como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil —, como exemplo do problema que o projeto busca resolver.

Para a relatora, deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) o projeto assegura, na prática, a continuidade das manifestações culturais. “A eventual alienação ou descaracterização desses espaços não representa apenas uma mudança de titularidade patrimonial, mas pode implicar a ruptura de vínculos históricos, sociais e simbólicos que sustentam determinadas práticas culturais”, disse.
Sâmia Bomfim afirmou que as alternativas propostas pelo projeto, como a renegociação de dívidas, a gestão compartilhada e a celebração de parcerias, oferecem uma perspectiva equilibrada entre a proteção do patrimônio cultural e a viabilidade econômica dos espaços envolvidos, buscando o diálogo e o consenso.
Próximos passos
A proposta ainda será analisada, em caráter conclusivo, pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.
Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Roberto Seabra
Fonte: Câmara dos Deputados
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