POLITÍCA NACIONAL
Homenagem destaca papel do monitor educacional e discute demandas da categoria
POLITÍCA NACIONAL
Em homenagem ao Dia do Monitor Educacional — celebrado em 31 de julho —, a Câmara Legislativa realizou sessão solene na manhã desta terça-feira (5). O evento foi uma iniciativa do deputado distrital Jorge Vianna (Democrata), autor da lei que deu origem à data comemorativa.
A solenidade reuniu representantes da categoria e gestores da Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEE-DF) para enaltecer o trabalho dos monitores educacionais, principalmente no apoio aos alunos com deficiência. “Os monitores são fundamentais. Sem vocês, provavelmente não teríamos o sucesso da inclusão, embora ainda existam desafios”, analisou a secretária de Educação do DF, Iêdes Braga.
A profissão tem o papel de “suporte operacional às atividades de cuidado, higiene e estímulo de crianças”, conforme definido na lei que regulamenta a carreira de assistência à educação no DF.
Para a coordenadora da Regional de Ensino de Taguatinga, Daniela Freitas, o monitor educacional é uma referência para a comunidade escolar. “Vocês são a ponte entre o professor, o estudante, a família e a gestão da escola. Os monitores criam um vínculo muito importante tanto para os alunos quanto para as mães, que se sentem seguras ao deixar os filhos na escola”, observou a coordenadora.

Demandas
De acordo com o monitor e sindicalista Sergio Dionizio, a categoria enfrenta falta de reconhecimento nas escolas e dificuldades com a redistribuição dos monitores. Os profissionais trocam anualmente de escola, o que ocasiona frequentes mudanças na rotina dos trabalhadores. “Nós precisamos do fim da redistribuição ou, pelo menos, que seja feita no ano corrente, não no início do ano seguinte”, pleiteou Sergio. Ele explicou que, dessa forma, os monitores teriam mais tempo e melhores condições para reorganizar suas rotinas e dinâmicas familiares.
A monitora Fabiana Zumba acrescentou que a redistribuição anual dificulta que os monitores sejam reconhecidos pela gestão das escolas e consigam desenvolver suas carreiras profissionais. “É muito difícil concorrer para cargos de gestão quando você é novato todo ano. Demora tempo para ser reconhecido pela gestão e pela comunidade escolar como uma funcionária competente, uma pessoa capacitada. Essa redistribuição acaba nos prejudicando”, constatou Fabiana.
Ao longo da sessão solene, participantes também citaram avanços da categoria, como o aumento da quantidade de monitores na rede pública e a criação da Lei nº 7.889/2026, que exige a disponibilização de equipamentos de proteção individual (EPIs) aos monitores. A legislação, promulgada em maio deste ano, garante o acesso a luvas descartáveis, máscaras faciais e álcool 70%, entre outros itens necessários para o suporte na higiene, alimentação e cuidados pessoais dos alunos.

A norma também se aplica aos educadores sociais voluntários, que desempenham funções semelhantes aos monitores, mas na condição de voluntários temporários, não de servidores efetivos. Segundo o autor da lei, deputado Jorge Vianna, a oferta de EPIs é importante porque esses trabalhadores são expostos a secreções e outros fluidos corporais ao desempenharem suas atividades.
Além da questão da salubridade, o parlamentar falou sobre agressões sofridas pelos monitores, como arranhões e tapas por parte de alunos. “Vocês estão com hematomas e ninguém fala nada. Precisamos discutir isso de forma mais séria. Nós não podemos aceitar agressão no ambiente de trabalho com a justificativa de que o aluno não tem controle”, defendeu Jorge Vianna.
Ao final do evento, foi realizada a entrega de moções de louvor. A sessão solene completa está disponível no YouTube da TV Câmara Distrital.
Confira fotos da sessão no Flickr da CLDF
Informamos que a cobertura realizada pela Agência CLDF, durante o
período eletivo, estará ajustada à Lei 9.504/1997 e às orientações da Justiça Eleitoral.
Fonte: Câmara Legislativa – DF
POLITÍCA NACIONAL
Na CMO, especialistas pedem mais recursos para melhorar educação infantil
Em audiência pública na Comissão Mista de Orçamento (CMO), na tarde desta quarta-feira (5), especialistas reconheceram avanços na educação infantil, mas pediram mais recursos no Orçamento público para atendimento de qualidade nessa etapa, que acolhe crianças de zero a 5 anos de idade.
O debate sobre o financiamento do setor e a execução orçamentária das políticas públicas destinadas às creches e pré-escolas foi pedido pela deputada Professora Luciene Cavalcante (PSOL-SP).
— Estamos aqui pensando e discutindo o Orçamento do Brasil, e precisamos de mais recursos para a educação infantil — declarou a deputada, defendendo mecanismos de acompanhamento e rastreio dos recursos públicos para o setor.
O deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL-SP), que também é professor, afirmou que a qualidade da educação infantil passa pela discussão de vários temas, como piso salarial dos docentes, concurso público, formação de profissionais e estrutura de escolas e creches.
Giannazi manifestou preocupação com a transferência de recursos públicos para organizações sociais, o que promoveria uma “terceirização da educação”. Segundo o deputado, o dinheiro público precisa ser investido pelos governos de forma eficiente e direta nas creches e escolas públicas.
— Defendemos uma educação pública gratuita e de qualidade, da creche à pós-graduação — declarou o deputado.
Na visão do professor Fábio Hoffmann Pereira, pesquisador da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e representante da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, o debate sobre o gasto público para uma educação infantil de qualidade passa, necessariamente, pelo entendimento de que a educação é um direito social e um dever do estado.
— Pensar o financiamento de creches e da educação infantil é criar condições concretas para que o Estado cumpra sua obrigação de implantar uma educação de qualidade — disse o professor.
A coordenadora do Movimento Somos Todas Professoras, Berta Lúcia Souza Lima, disse que quem atua “no chão da creche” sabe da necessidade de mais recursos para a educação infantil. Segundo ela, o desafio do movimento é cobrar a implementação da Lei 15.326, de 2026, que reconhece os professores da educação infantil como profissionais do magistério público.
— A educação infantil é a que precisa de mais recursos, pois demanda mais profissionais, alimentação mais saudável e materiais didáticos específicos. Estamos trabalhando, fazendo nosso trabalho, formando cidadãos — argumentou.
Avanços
Para a presidente da Associação Nacional de Pesquisa em Financiamento da Educação (Fineduca), professora Adriana Dragone Silveira, a educação avançou muito no Brasil com o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), criado em 2006. Ela apontou, no entanto, que é preciso discutir a ampliação do atendimento infantil e também pensar a qualidade do gasto, sem as limitações impostas pelo teto de gastos.
— Fica aqui a defesa de que é preciso retirar os recursos da educação de dentro do arcabouço fiscal — registrou Adriana.
A advogada Marina Fragata Chicaro, representante da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, ressaltou a importância do investimento na educação infantil como estratégia de construção do futuro de país. Ela lembrou que, conforme amparo constitucional e legal, a criança deve ser vista como prioridade absoluta. Assim, ponderou a advogada, é preciso direcionar os recursos orçamentários de forma mais “qualitativa e equitativa”.
— Há muito a fazer, mas temos avanços. E boa parte deles têm a ver com os incentivos que o Orçamento tem feito — registrou Marina Chicaro.
Diretor de Monitoramento, Avaliação e Manutenção da Educação Básica do Ministério da Educação, Valdoir Pedro Wathier reconheceu que a questão das creches e da educação infantil é um desafio para o país, desde a quantidade e a localização das creches até a qualidade do ensino ofertado para as crianças.
Wathier afirmou que o Fundeb tem tido um crescimento de 4% acima da inflação nos últimos anos — o que, segundo ele, representaria uma evolução expressiva dos valores direcionados à educação no Orçamento.
Controle
De acordo com o diretor de Controle Externo da Educação do Tribunal de Contas da União (TCU), Paulo Malheiros da Franca Junior, houve um crescimento significativo da educação dentro do Orçamento federal, por conta de novas modalidades de financiamento.
O diretor ressaltou que o controle externo contribui para a qualidade do gasto público e pediu respaldo legal para que esse tipo de fiscalização sobre os recursos da educação seja ampliado. Ele também defendeu dar força de lei a critérios que já estão presentes em portarias, como medidas de transparência e acesso público a dados orçamentários.
— Seria importante ter esse amparo em lei. O não acesso aos dados termina inviabilizando o papel dos órgãos de controle — registrou o diretor do TCU.
CMO
A CMO é um colegiado permanente do Congresso Nacional, integrado por deputados e senadores.
Presidida pelo deputado Domingos Neto (PSD-CE), a comissão tem a responsabilidade constitucional de examinar, emitir parecer e votar as leis que definem o planejamento e os gastos do governo federal.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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