POLITÍCA NACIONAL
Comissão especial aprova parecer sobre proposta que permite renegociar precatórios
POLITÍCA NACIONAL
A comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa a Proposta de Emenda à Constituição que limita o pagamento de precatórios (PEC 66/23) aprovou nesta terça-feira (15) o relatório do deputado Baleia Rossi (MDB-SP). O parecer seguirá para análise do Plenário ainda hoje.
Após acordo, o colegiado decidiu que os dois destaques apresentados ao texto serão discutidos em Plenário. Um deles, de autoria do deputado Gilson Daniel (Pode-ES), trata da uniformização previdenciária para os municípios, substituindo a imposição de regras idênticas por regras “assemelhadas” ao regime de Previdência da União.
Baleia Rossi argumenta que o relatório vai “fazer justiça principalmente com o cidadão”, à medida que os prefeitos terão mais recursos disponíveis para impulsionar a economia municipal. Ele ressaltou o “alto nível de debate” da PEC 66 e elogiou a participação dos dois polos da discussão, a Frente Nacional de Prefeitos e as associações de servidores públicos.
Meta fiscal
O parecer prevê incorporação gradual, a partir de 2027, das despesas anuais da União com precatórios e requisições de pequeno valor (RPV), na meta fiscal em no mínimo 10% a cada ano.
Faixas de negociação
O relatório estabelece nove faixas de negociação para o pagamento de precatórios. Conforme o endividamento do município será aplicado um percentual da receita corrente líquida (RCL), com variação de 1% a 5% para quitação da dívida.
IPCA
Outra reivindicação dos prefeitos adotadas por Rossi foi a mudança do indexador da dívida da taxa Selic para o IPCA + 2%.
Previdência
O parecer também estabelece critérios para a quitação de débitos municipais com o Regime Geral da Previdência Social (RGPS): o pagamento será limitado a 1% da RCL e poderá ser parcelado em 300 vezes com correção monetária pelo IPCA com juros de no máximo 4% ao ano.
Renegociação
Favorável à PEC, o deputado Rogério Correia (PT-MG) elogiou a possibilidade de renegociação das dívidas de municípios com a União em até 360 meses com as mesmas condições previstas para os estados no Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). “Os prefeitos saem daqui com algumas vitórias importantes”, reforçou.
Reforma previdenciária
Para o deputado Gilson Daniel o parecer de Rossi atende às demandas municipais: “O relatório final proposto pela Câmara é o melhor relatório, se comparado com o Senado, e ajuda muitos municípios”, disse.
No entanto, ele frisou a importância de incluir na PEC critério sobre a reforma previdenciária, sem isso, argumenta Gilson Daniel, seria impossível o equilíbrio das contas municipais. “São 2.079 municípios que deveriam fazer sua reforma da Previdência, apenas 822 municípios o fizeram”, informou.
Desrespeito aos credores
Para a deputada Professora Luciene Cavalcante (Psol-SP), a nova renegociação das ordens de pagamento emitidas pelo Judiciário é um desrespeito aos direitos dos credores. “Essa seria a oitava vez que essa Casa se debruça para dizer que não vai cumprir constitucionalmente um direito que é líquido e certo. Isso é gravíssimo e inconstitucional”, disse ao reforçar que 90% dos precatórios são créditos alimentares.
Na mesma linha, a deputada Bia Kicis (PL-DF) disse que os credores não podem ser prejudicados pela irresponsabilidade fiscal dos municípios. “Não é justo que para resolver um problema real e grave de dificuldade financeira isso caia de novo nos ombros daquela pessoa vulnerável que é credora”. Segundo ela, o texto do Senado dá mais segurança jurídica para os credores, ao prever prazos mais curtos de renegociação.
Reportagem – Emanuelle Brasil
Edição – Roberto Seabra
Fonte: Câmara dos Deputados
POLITÍCA NACIONAL
Após acordo, redução de tributos sobre combustíveis vai à sanção
O Plenário do Senado aprovou um projeto de lei complementar com redução de alíquotas de tributos federais sobre a importação, a produção e a comercialização de óleo diesel rodoviário, biodiesel, gasolina, etanol e querosene de aviação. Fruto de amplo acordo entre governo e Congresso, o PLP 114/2026 teve 61 votos a favor e 2 contrários. A relatora foi a senadora Teresa Leitão (PT-PE).
O projeto foi apresentado como maneira de reduzir o impacto da guerra entre Estados Unidos e Irã nos preços desses combustíveis. Agora segue para sanção da Presidência da República. No texto aprovado, há também incentivos para produção de fertilizantes e para a Copa do Mundo Feminina de Futebol de 2027.
— O objetivo desse projeto de lei complementar é estabelecer regras para renúncias de receitas destinadas a mitigar os impactos econômicos causados pelo choque no mercado internacional de energia decorrente do conflito no Oriente Médio e conceder benefícios tributários relacionados à política nacional de minerais críticos e estratégicos, ao programa de desenvolvimento da indústria de fertilizantes e à realização da Copa Feminina — resumiu a relatora, que é líder do governo no Senado.
Segundo o Executivo, a perda de arrecadação será compensada pelo aumento da receita da União no setor de combustíveis, que ocorreu com o aumento do preço do barril do petróleo após o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã em fevereiro deste ano. Somente entre janeiro e março de 2026, a arrecadação federal com petróleo e gás natural chegou a R$ 28 bilhões, contra R$ 9 bilhões no mesmo período do ano passado.
O projeto foi apresentado pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS), mas teve vários temas incluídos no texto, após a negociação entre Congresso e governo na manhã desta quarta-feira (12).
Combustíveis
Entre as mudanças, há medidas para proteger o setor de biocombustíveis e os produtores rurais. Pelo texto aprovado, qualquer medida de redução tributária sobre combustíveis fósseis, inclusive por meio de subvenção, deverá manter a diferenciação competitiva em favor do biocombustível. A diferença deverá ser equivalente à praticada antes da guerra no Irã, tanto em termos percentuais quanto absolutos por unidade de medida.
Se a tributação federal da gasolina cair 30% ou mais, as alíquotas do etanol serão reduzidas a zero. Neste ano, o governo concederá subvenção de R$ 1,2 bilhão aos produtores de etanol hidratado para garantir a diferenciação nos preços da gasolina e do etanol.
Produtores de etanol, inclusive cooperativas, poderão compensar até R$ 750 milhões em débitos com a Receita Federal. A compensação será feita por meio de saldos credores da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins.
Produtores rurais
Entre as medidas para os produtores rurais, haverá redução de 50% para 30% no limite da receita com exportação para que a empresa possa se enquadrar na suspensão do pagamento do IBS e da CBS. A União poderá conceder até R$ 5 bilhões em créditos fiscais para a produção de fertilizantes, matérias-primas, remineralizadores e bioinsumos entre 2027 e 2031.
Os créditos serão de até R$ 1 bilhão por ano. O valor corresponderá a até 20% dos gastos com produção de fertilizantes e matérias-primas em território nacional. As mercadorias destinadas a projetos de desenvolvimento da indústria de fertilizantes e matérias-primas ficarão isentas do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante. A renúncia de receita deverá ser de até R$ 200 milhões por ano.
Hospital, Copa Feminina e minerais
A proposta também estipula regras para a destinação de recursos a hospitais inteligentes de alta complexidade e concede benefício fiscal para a Fifa durante a Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2027, sediada no Brasil. Traz também incentivos para o setor de minerais raros e estratégicos.
— No caso da Copa do Mundo Feminina, a experiência da Copa de 2014 demonstra como a concessão de benefícios fiscais específicos pode ser necessária para viabilizar o evento, contribuindo para a melhoria da imagem do Brasil no exterior. Ademais, uma Copa Feminina bem-sucedida certamente constituirá um incentivo ao desenvolvimento dessa modalidade esportiva, ainda pouco popular no país. Já o desenvolvimento da indústria nacional de fertilizantes e a extração de minerais críticos é claramente de interesse estratégico para o Brasil — argumentou Teresa Leitão.
Com Agência Câmara
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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