MATO GROSSO
Mato Grosso amplia atendimentos e registra avanços na realização de transplantes de órgãos
MATO GROSSO
O ano de 2025 foi positivo para a área de transplantes em Mato Grosso, com avanços importantes registrados pela Central Estadual de Transplantes (CET), unidade administrada pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT). Em setembro, a unidade atingiu o feito inédito de atender todos os pacientes que aguardavam por um transplante de córnea.
Atualmente, o Estado registra 29 pacientes à espera de um transplante de córnea. No Brasil, há em torno de 32 mil pessoas aguardando. Os procedimentos são realizados de acordo com fatores médicos e logísticos, como a gravidade da condição do paciente e a ordem cronológica na lista de espera.
“Mato Grosso já teve fila de cerca de 400 pacientes esperando por um transplante de córnea. Então, o trabalho da Secretaria tem sido excelente para dar celeridade aos atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Isso é motivo de orgulho, principalmente porque a córnea captada em Mato Grosso fica no Estado”, afirmou o secretário de Estado de Saúde de Mato Grosso, Gilberto Figueiredo.
De janeiro a 19 dezembro deste ano, Mato Grosso obteve 303 doadores de córnea, com um total de 596 córneas captadas, o que permitiu a realização de 347 transplantes de córnea. A captação de córneas pode ser feita em caso de óbitos que não tenham trauma do globo ocular.
Desde 2000, o Estado registrou 2.180 doadores de córnea, sendo que 1.175 deles foram desde 2019, durante a atual gestão.
Os transplantes de córnea são realizados em ação integrada entre a Central Estadual de Transplantes, o Banco de Olhos de Cuiabá e as três unidades habilitadas e credenciadas junto ao Ministério da Saúde para a realização dos transplantes: Hospital de Olhos de Cuiabá, Centro Cuiabano de Excelência em Oftalmologia e Instituto da Visão, em Cuiabá. A equipe do Banco de Olhos de Cuiabá faz a captação, armazena e distribui entre os hospitais, conforme o protocolo.
Segundo a secretária adjunta do Complexo Regulador, Fabiana Bardi, o termo de Cooperação Técnica assinado pela Secretaria com a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) foi fundamental para o avanço nesta área, pois 80% das captações de córneas foram de doadores que tiveram parada cardíaca.
“Nos casos de óbito por acidente que chegam à Politec, o próprio instituto realiza a primeira abordagem à família para autorizar a retirada. Outro ponto relevante é que a ampliação da sede do Lacen-MT [Laboratório Central de Saúde Pública do Estado] permitiu acelerar o tempo-resposta para o resultado dos exames necessários para comprovar a viabilidade do órgão e a compatibilidade”, afirmou.
CET realizou 17 captações de órgãos
Além do êxito na captação de córneas, o Estado realizou 17 captações de múltiplos órgãos entre janeiro e 22 de dezembro de 2025. Os procedimentos permitiram a coleta de 42 órgãos: dois corações, 12 fígados e 28 rins. Em todo o ano de 2024, foram captados 36 órgãos em 13 captações.
Conforme a coordenadora da Central Estadual de Transplantes, Anita Ricarda da Silva, outra vitória do setor em 2025 foi a habilitação, pela primeira vez, de uma equipe de Mato Grosso para a realização de captação de múltiplos órgãos.
“Isso representa mais celeridade no processo, já que não dependemos da disponibilidade e deslocamento de profissionais de fora do Estado”, informou.
A coordenadora também atribuiu o sucesso da área de transplantes à intensificação das capacitações feitas pela CET junto às unidades captadoras de órgãos e ao avanço das Comissões Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTTs) das unidades hospitalares.
“Foram mais de 400 profissionais que participaram de 13 capacitações voltadas ao processo de doação de órgãos e tecidos. Eles aprenderam a fazer o primeiro contato com a família, com toda a habilidade necessária para que não haja perda de órgãos. Essas ações evidenciam o compromisso da Secretaria em expandir e qualificar a rede de transplantes”, afirmou.
O Hospital São Mateus, em Cuiabá, está habilitado a realizar o transplante renal no Estado e a Secretaria já iniciou o credenciamento da unidade para que também faça transplante hepático.
Ao longo do ano, foram realizados sete transplantes de rim em Mato Grosso: seis transplantes com doador vivo aparentado e um transplante com doador falecido.
A expectativa é que o Hospital Central do Estado de Mato Grosso, que foi inaugurado no Centro Político Administrativo no dia 19 de dezembro, também realize transplantes de órgãos no Estado futuramente.
Fonte: Governo MT – MT
TJ MT
Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.
Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.
Já estava escrito
“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.
Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.
“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.
A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.
Legado construído com exemplo
Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.
Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.
Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.
Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.
Apoio incondicional
Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.
Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.
Adoção
Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.
Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.
Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.
Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.
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