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Marcelo Porto Carrero

A Causa

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Marcelo Porto Carrero

Nossa causa é aquilo pelo que fazemos algo, a origem, o motivo e a razão de todas as lutas. Já o que a enfraquece é a desculpa, o pretexto e o relativismo com outras causas como o comunismo, socialismo e o bonde. Sim, “o bonde”, como se identifica o grupo de bandidos armados que inferniza a vida de quem encontrar pela frente em suas jornadas de assaltos e outros crimes, simplesmente por saberem que o cidadão comum a eles está sujeito por força da lei, a mesma que mantem as ditaduras no poder.

O que acontece é que muitos confundem a causa com o personagem como vemos acontecer agora onde a causa conservadora é confundida com a pessoa, a faísca, que reacendeu sua chama. Da mesma forma, a causa do outro lado foi mantida e personalizada, o que para entender basta ser um bom observador.

Só para citar um exemplo, se de um lado a causa está focada na manutenção de princípios como o da família, instituição sagrada e unidade social mais antiga da humanidade, do outro a meta é sua dissolução como pré-condição para alcançar seu objetivo. Nela os princípios são contrários, ou seja, os filhos não são frutos dos pais, mas seus produtos; os cônjuges simples pares, posto que perdem seu significado divino porque a eles basta o caráter civil, material.

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É o suficiente para tentar eliminar aquele outro conceito, tido como concepção retrógrada no entender de quem se alinha à causa coletivista segundo a qual a família passa a ser um núcleo social de pessoas unidas por laços afetivos, que geralmente compartilham o mesmo espaço e mantêm entre si uma relação solidária. (Dicionário Houaiss)

Para eles, o tradicional papel da família na transmissão de valores morais, sociais, tradições, costumes e mesmo conhecimento não se aplica mais, foi transferido aos professores e para o assistencialismo social onde o estado define os valores e conhecimentos que devem ser repassados, desde que estejam de acordo com sua orientação ideológica. Mas o pior ambiente enfrentado está na Internet, âmbito em que as ideias conservadoras foram abolidas pela mídia jornalística e programas televisivos através dos quais difundem de forma sistêmica e programada somente as ideias progressistas.

Voltando a falar da causa conservadora e da faísca que reacendeu sua chama, bastaram quatro anos para que vicejasse como que infinita, fato que os eternos descontentes insistem em desacreditar, eu não.

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Parafraseando o poeta Vinicius de Moraes nas duas últimas linhas de seu antológico Soneto de Fidelidade:

…

Que não seja imortal, posto que é chama

Mas que seja infinita enquanto dure.

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Marcelo Porto Carrero

A Postura de André Mendonça

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A Postura de André Mendonça

This is the Way não é um slogan. É uma âncora ontológica. Traduzido ao pé da letra, é “Este é o caminho”. Mas “Como deve ser” é mais devastador. Mais brasileiro. Mais verdadeiro.

Se Din Djarin, o protagonista da série The Mandalorian, da Disney, tivesse uma toga do Supremo, ele se chamaria André Mendonça. Na série, quando perguntam se ele concluiu a missão, ele não diz um “sim” elaborado. Diz apenas: como deve ser.

No STF, o lema seria o mesmo. Quando pressionado, quando encurralado pela máquina, quando a PGR pede, a Polícia Federal avança e os corredores do STF cochicham, a resposta dele não seria um parecer de 30 páginas. Seria uma postura.

Como deve ser.

Não por teimosia. É o Credo. É a verdade sobre o que, como e por que a coisa deveria ser feita.

O que deveria ser feito: guardar a Constituição, não a conveniência.

Enquanto a Corte foi se transformando em palco de inquéritos sem fim, de investigações de ofício e de censura travestida de defesa da democracia, a postura adequada de um ministro não é negociar o texto. É guardá-lo. Protegê-lo.

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Mendonça faz o que deveria ser feito. Ele vota como deve ser. Ele pede vista como deve ser. Ele diverge como deve ser. Num tribunal onde a maioria já decidiu que o processo é o inimigo a ser destruído, ele é o único que ainda respeita o rito. Este é o ato mais revolucionário possível.

Como deveria ser feito: sem espetáculo, sem tuíte, sem vazamento.

Os inimigos dele no STF, na PGR e na Polícia Federal operam como deve ser no novo sistema: operação na madrugada, com nota na imprensa e manchete no Jornal Nacional.

Mendonça opera como deve ser no sistema antigo, no correto. Silencioso. Nos autos. Com voto técnico. Sem performance para a claque. Sem recado para a mídia.

É a ética mandaloriana aplicada à toga: o trabalho não precisa de plateia. Precisa de integridade. Quando todos querem holofote, ele é o único que ainda lembra o que é ser juiz. O único que fica na sombra do processo. Restrito.

Por que deveria ser feito: porque alguém precisa não só dizer, mas também mostrar que o correto existe e persevera.

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Quando a PGR se torna partido de acusação política e a Polícia Federal se torna braço de inquéritos atípicos, o Supremo precisa de um homem que lembre que existe um caminho. Um caminho onde o direito de defesa ainda existe. Onde juiz não investiga. Onde o Ministério Público não milita. Onde a polícia não escolhe alvo por ideologia.

A postura firme de Mendonça é devastadoramente conclusiva exatamente por isso. Ele não discute. Ele não entra no jogo dos inimigos. Ele apenas afirma, com cada voto vencido, com cada divergência solitária:

Existe um jeito certo. E eu vou fazê-lo como deve ser.

E quando a história desse período for escrita, não vai importar quantas operações foram deflagradas ou quantos inimigos se levantaram contra ele no plenário. Vai importar quem manteve o Credo.

Como deve ser.

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