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Sayury Otoni fala em painel sobre gênero e assédio em congresso promovido pela ANPM no Recife

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Na manhã desta quarta-feira (9/11), a secretária-geral do Conselho Federal da OAB, Sayury Otoni, participou do 17º Congresso Brasileiro de Procuradoras e Procuradores Municipais, organizado pela Associação Nacional dos Procuradores Municipais (ANPM), no hotel Transamérica Prestige Beach Class International, no Recife.

Sayury integrou o painel “Questões de gênero e assédio moral no Sistema de Justiça”, ao lado da presidente da OAB-BA, Daniela Borges, e da presidente da OAB-PR, Marilena Winter. A secretária-geral iniciou o seu discurso agradecendo pelo convite e parabenizando a comissão organizadora pela grandeza dos temas abordados durante a programação do evento. “Os encontros com as procuradorias municipais são essenciais porque é na cidade que a gente faz a vida. Então, é a partir de procuradoras e procuradores comprometidos com a cidade, que têm uma leitura diferente, é que a gente vai fazer mudar esse espaço”, afirmou. De acordo com a ANPM, essa é a primeira vez na história que a pauta de gênero e assédio moral foi discutida durante uma edição do congresso.

A palestra prosseguiu com reflexões sobre o papel da mulher na sociedade; sobre as micro violências vivenciadas diariamente, entre elas o silenciamento; sobre as dificuldades encontradas no mercado de trabalho e a desproporcionalidade da representação feminina nos espaços de poder. Sayuri também apresentou dados sobre a disparidade das mulheres em posição de liderança na advocacia. 

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Foco na educação da mulher

Ao longo de sua fala, a secretária-geral afirmou que o foco no desenho das políticas públicas deve ser na educação feminina, pois é por meio dela que as mulheres poderão alcançar maiores e melhores oportunidades, promovendo assim uma sociedade mais igualitária. 

A mesa de trabalho foi presidida pela advogada, procuradora do município de Salvador, e vice-presidente da ANPM, Lilian Oliveira de Azevedo Almeida. A cerimônia contou com a participação da presidente da OAB-BA, Daniela Borges, e com a presidente da OAB-PR, Marilena Winter.

“Todos nós estamos intrincados nessa realidade, porque todos nós primeiro formamos uma teia, que é a sociedade brasileira, sociedade essa que mantém estruturas de desigualdade que sustentam essa realidade”, afirmou a presidente da seccional baiana. 

Já a presidente da OAB Paraná, Marilena Winter, ressaltou a importância de uma atuação pública a partir da perspectiva de gênero. “Ter perspectiva de gênero significa ter um olhar atento para a realidade das mulheres a quem se dirige os nossos atos, olhar para a realidade singular e existencial das mulheres quando uma lei é direcionada a elas, quando uma decisão é dirigida a toda população, quando um parecer também é proferido para todos os cidadãos.” 

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Fonte: OAB Nacional

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Renato Nery: sua morte exige voz, justiça e memória

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A morte brutal do advogado e ex-presidente da OAB-MT, Dr. Renato Gomes Nery, não pode ser tratada com indiferença. Trata-se de um crime que atinge diretamente a advocacia e a democracia. Renato foi um homem honrado, combativo e comprometido com a justiça — sua memória exige respeito e posicionamento firme por parte da sociedade e das instituições.

É inaceitável que um colega de trajetória tão marcante seja silenciado sem uma reação proporcional à gravidade do que ocorreu. Tive a honra de iniciar minha vida institucional na OAB-MT como conselheiro estadual em sua gestão. Conheci de perto o homem e o advogado.

Como ex-presidente da OAB-MT, tenho a obrigação de falar de Renato Nery. Não posso me calar diante da execução de um colega que também ocupou essa honrosa função. A presidência da Ordem não é apenas um cargo: é um compromisso com a defesa intransigente da advocacia e da democracia. Renato honrou essa missão com coragem, combatividade e senso de justiça.

A execução do colega, agora apontada pelas investigações como motivada por disputas fundiárias, exige não apenas uma rigorosa apuração policial, mas também uma profunda reflexão sobre os riscos enfrentados pelos que exercem a advocacia com independência e compromisso. O advogado precisa ter, acima de tudo, segurança para atuar. Sem isso, toda a estrutura democrática se fragiliza.

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É essencial que todos os desdobramentos do crime sejam investigados com máxima seriedade, inclusive aqueles de natureza patrimonial – para afastar oportunistas. Nada pode ser omitido ou minimizado. Só assim evitaremos injustiças irreparáveis e honraremos verdadeiramente a memória de Renato.

Neste momento em que prisões foram realizadas, inclusive de pessoas apontados como mandantes, é justo reconhecer o trabalho diligente dos órgãos de segurança pública, especialmente da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa. A atuação firme e técnica tem sido crucial para elucidar os fatos e oferecer respostas à sociedade.

À família de Renato, deixo minha solidariedade mais sincera. Que o legado de integridade, coragem e compromisso deixado por ele sirva como farol para todos os que ainda acreditam no poder transformador da advocacia e na força da verdade.

Renato Nery merece ser lembrado, respeitado e defendido — em vida e na memória. Seu nome não pode ser esquecido, nem a sua luta ignorada.

Por Ussiel Tavares, advogado e ex-presidente da OAB-MT

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