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Professor Oscar Vilhena fala a servidores do STF sobre futuro da democracia brasileira

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O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou, nesta sexta-feira (28), no evento “Hora de Atualização”, realizado pelo seu gabinete, que a Constituição de 1988 fundou um estado democrático, mas é preciso estar vigilante para que ele não se perca na brutal desigualdade social do país. Nesta edição, o professor Oscar Vilhena Vieira realizou a palestra “O futuro da democracia constitucional brasileira”, na Sala de Sessões da Primeira Turma. A presidente do STF, ministra Rosa Weber, acompanhou o evento.

Na abertura, o ministro defendeu a superação da rivalidade de opinião. “A democracia exige tolerância para reconhecer que nem todos pensam da mesma forma. A democracia exige coragem para questionar as associações que agem de forma injusta, ainda – e sobretudo – quando são as pessoas mais próximas. Ela exige temperança para que os dissabores e dissensos não se transformem em ódio. Ela exige, finalmente, que acreditemos que o compromisso de todos, mesmo os que pensam de forma diversa, é o de acreditar no processo democrático para resolver as diferenças”, apontou.

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Sectarismo

Fachin destacou ainda que a invasão dos prédios da Praça dos Três Poderes em 8/1 tornou evidentes as ações dos que conspiravam contra a democracia, revelando que os sinais de desrespeito às diferenças de opinião já vinham sendo dados. “As marcas do sectarismo ignóbil não estão apenas nas cicatrizes dos bronzes deste Tribunal. Elas estão muito presentes nas ações que, ora abertamente, ora sub-repticiamente, atentam contra a igualdade e a reponsabilidade: anistiando quem agiu contra a representação de mulheres ou contra quem mentiu sobre a Justiça Eleitoral”, frisou.

Promessas

Em sua palestra, o professor Oscar Vilhena alertou que a Constituição de 1988 apenas sobreviverá se o país for capaz de cumprir algumas das promessas contidas na Carta Magna. “Para isso, aprendemos que alguns dos privilégios entrincheirados na Constituição que os mecanismos do presidencialismo de coalizão favorecem estão em tensão com a realização dessas promessas. Esse é o dilema dos próximos anos”, sustentou.

Vilhena citou que a falta de concretização dos direitos estabelecidos na Constituição gerou um ressentimento justificado na população e que isso pode aflorar novamente no futuro. Ele apontou que outra hipótese para o futuro da Constituição é o “equilíbrio medíocre” da desigualdade brasileira.

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Cláusulas pétreas

Vilhena observou que, apesar dos ataques recentes ao sistema democrático, a Constituição de 1988 sobreviveu e as cláusulas pétreas (forma federativa de Estado; voto direto, secreto, universal e periódico; separação dos Poderes; e os direitos e garantias individuais) seguem ilesas.

Programa

O projeto “Hora de Atualização” é realizado desde 2015 e já teve 25 edições, com grandes expoentes da pesquisa acadêmica. O objetivo dos encontros é ter um espaço que sirva, a um só tempo, de atualização e de reflexão.

RP/VP

Fonte: STF

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ARTIGOS

Renato Nery: sua morte exige voz, justiça e memória

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A morte brutal do advogado e ex-presidente da OAB-MT, Dr. Renato Gomes Nery, não pode ser tratada com indiferença. Trata-se de um crime que atinge diretamente a advocacia e a democracia. Renato foi um homem honrado, combativo e comprometido com a justiça — sua memória exige respeito e posicionamento firme por parte da sociedade e das instituições.

É inaceitável que um colega de trajetória tão marcante seja silenciado sem uma reação proporcional à gravidade do que ocorreu. Tive a honra de iniciar minha vida institucional na OAB-MT como conselheiro estadual em sua gestão. Conheci de perto o homem e o advogado.

Como ex-presidente da OAB-MT, tenho a obrigação de falar de Renato Nery. Não posso me calar diante da execução de um colega que também ocupou essa honrosa função. A presidência da Ordem não é apenas um cargo: é um compromisso com a defesa intransigente da advocacia e da democracia. Renato honrou essa missão com coragem, combatividade e senso de justiça.

A execução do colega, agora apontada pelas investigações como motivada por disputas fundiárias, exige não apenas uma rigorosa apuração policial, mas também uma profunda reflexão sobre os riscos enfrentados pelos que exercem a advocacia com independência e compromisso. O advogado precisa ter, acima de tudo, segurança para atuar. Sem isso, toda a estrutura democrática se fragiliza.

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É essencial que todos os desdobramentos do crime sejam investigados com máxima seriedade, inclusive aqueles de natureza patrimonial – para afastar oportunistas. Nada pode ser omitido ou minimizado. Só assim evitaremos injustiças irreparáveis e honraremos verdadeiramente a memória de Renato.

Neste momento em que prisões foram realizadas, inclusive de pessoas apontados como mandantes, é justo reconhecer o trabalho diligente dos órgãos de segurança pública, especialmente da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa. A atuação firme e técnica tem sido crucial para elucidar os fatos e oferecer respostas à sociedade.

À família de Renato, deixo minha solidariedade mais sincera. Que o legado de integridade, coragem e compromisso deixado por ele sirva como farol para todos os que ainda acreditam no poder transformador da advocacia e na força da verdade.

Renato Nery merece ser lembrado, respeitado e defendido — em vida e na memória. Seu nome não pode ser esquecido, nem a sua luta ignorada.

Por Ussiel Tavares, advogado e ex-presidente da OAB-MT

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