ECONOMIA
Combustíveis e lucros da Petrobras
ECONOMIA

Os combustíveis foram, juntamente com as tarifas de energia elétrica e alimentos, os grandes vilões da elevada inflaçãode 2021. Como a ameaça continua, nota-se um extraordinário esforço de agentes públicos e privados para conter a avassaladora alta dos combustíveis e seus efeitos inflacionários. Além da legítima e correta mobilização nacional das instituições representativas da indústria, comércio, agropecuária e serviços, o Congresso Nacional, a Presidência da República e os governadores também tomaram iniciativas no mesmo sentido.
Para calcular o valor do ICMS dos combustíveis, os fiscos estaduais atualizam a cada quinze dias os preços praticados nos postos varejistas.Com o propósito de mitigar os efeitos desse imposto sobre o preço final da gasolina, diesel e etanol, os governadores resolveram manter a mesma base de cálculo de novembro até o final de janeiro. Nesta quarta-feira (26)decidiram prorrogar por mais 60 dias a medida.
O congresso nacional discute projeto de lei estabelecendo que os preços de incidênciada tributação sejam fixados por um ano, calculados sobre a média praticada nas bombas nos dois anos anteriores. O projeto de lei prevêtambém a criação de um fundo financeiro para equalização dos preços em situações de altas muito elevadas. O fundo teria um colchão de liquidez a ser utilizado para compensar a Petrobras quandodeixar de repassar integralmente as variações do petróleo e do câmbio ao consumidor final. O dinheiro do fundo viria da própria cadeia produtiva do petróleo e gás, como royalties da exploração do pré-sal, tributação das exportações de petróleo e gás,taxação de lucros e dividendos da Petrobras.
“O presidente Jair Bolsonaro informou que vai enviar ao Congresso Nacional uma proposta de emenda à constituição para retirar a cobrança de tributos federais (PIS/Cofins e Cide) e reduzir as alíquotas do ICMS.”
O presidente Jair Bolsonaro informou que vai enviar ao Congresso Nacional uma proposta de emenda à constituição para retirar a cobrança de tributos federais (PIS/Cofins e Cide) e reduzir as alíquotas do ICMS.Técnicos do próprio governo federal estimam que a retirada dos tributos federais dos combustíveis terá impacto anual de R$ 57 bilhões. A redução da arrecadação de ICMS pelos estados será muito maior, a depender da alíquota que será definida na alteração constitucional.
Entendo que todas essasmedidas são paliativas e com resultados discutíveis,pois não abordam a origem do problema que é a política de preços da Petrobras. Desde 2017, com o objetivo de recuperar a empresa do oceano de corrupção, preços artificiais e má gestão que produziram a maior dívida da sua história, a companhia passou a utilizar como principais variáveis para precificação dos seus produtos o preço internacional do barril de petróleo tipo Brent e a variação cambial no Brasil. Como nos últimos anos essas duas variáveistiveram altas expressivas, especialmente o Dólar frente ao Real, a corporação tem aumentado seus preços sistematicamente. Resultado: os preços dos combustíveis explodiram, ajudaram a piorar a vida de todose pressionaram a inflação. O cenário mais provável é que a redução de tributos vai aumentar as margens de lucros da companhia mais do que vai reduzir os preços finais.
Quem são, afinal, os grandes beneficiados pelas altas constantes de preços dos combustíveis? São os acionistas da petroleira. A Petrobras tem 49,5% do seu controle em mãos de acionistas privados. Os demais 50,5% são do governo federal. Nos dois últimos anos a empresa obteve os maiores lucros de sua existência. Apenas em 2021 a estatal distribuiu R$ 62 bilhões de lucros aos seus acionistas. O segundo grande ganhador é o Tesouro Nacional que recebeu a maior parte dos lucros distribuídos. Na terceira posição estão os governos estaduais que tiveram crescimento exponencial das receitas de ICMS, já que o tributo é cobrado sobre os preços reajustados. A cada reajuste, sobe ainda mais a arrecadação do ICMS.
Mesmo que todas as medidas de redução da tributação federal e estadual sejam implantadas com sucesso, caso a empresamantenhaamesma política de reajustes dos seus produtos, anulará, em alguns meses, os ganhos do consumidor com a redução da carga tributária. Mas o país ficará com um rombo superior a R$ 100 bilhões para cobrir. Como não existe café, almoço ou jantar de graça, e a administração federal,governos estaduais não podem abrir mão de volume tão expressivo de receitas,é muito provável que compensarão a queda de receitas aumentando outros tributos. Ao final da jornada, a elevação de outros tributos será paga pelos cidadãos e empresas. Findo o processo, todo o extraordinário esforço da nação pode produzir um extraordinário aumento dos lucros dos acionistas da Petrobras. Com o meu, o seu, o nosso dinheiro.
Vivaldo Lopes, economista formado pela UFMT, onde lecionou na Faculdade de Economia. É pós-graduado em MBA- Gestão Financeira Empresarial pela FIA/USP e escreve exclusivamente neste espaço à quintas-feiras. E-mail: [email protected].
ECONOMIA
Decreto presidencial promulga Acordo Mercosul-Singapura. Confira os manuais do MDIC
Decreto presidencial que promulga o Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e Singapura foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) desta terça-feira (28/7).
O acordo entra em vigor no próximo sábado, 1º de agosto. Para apoiar a implementação, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) elaborou e colocou à disposição no Portal Siscomex, o Manual de Regras de Origem, o Manual de Desgravação Tarifária e outros serviços de orientação para exportadores, importadores e operadores de comércio exterior.
Os documentos reúnem informações práticas sobre as regras para aplicação das preferências tarifárias, os critérios de origem das mercadorias e os procedimentos necessários para realizar operações de comércio exterior no âmbito do acordo.
Além dos manuais, a página disponibiliza tabelas de desgravação tarifária, a lista de atos normativos relacionados ao acordo, painéis customizados de dados e outros serviços voltados a exportadores, importadores e operadores de comércio exterior.
Singapura é um dos principais centros logísticos, financeiros e comerciais da Ásia e o sétimo principal destino das exportações brasileiras. Tem cerca de 6 milhões de habitantes e PIB per capita de quase US$ 99 mil. Suas importações somaram US$ 504 bilhões em 2025
Manual de Desgravação Tarifária
O Manual de Desgravação Tarifária do Acordo Mercosul–Singapura orienta a aplicação prática das preferências tarifárias previstas no acordo, detalhando como identificar a alíquota-base, a categoria de desgravação e o cronograma aplicável para cada mercadoria.
O documento explica as regras de classificação, a contagem dos prazos, as categorias de eliminação tarifária (0, 4, 8, 10 e 15 anos), as exclusões e os procedimentos para cálculo da tarifa preferencial, com exemplos práticos voltados à utilização dos cronogramas publicados no Siscomex.
O manual destaca que todas as linhas tarifárias de Singapura recebem acesso imediato (categoria 0), enquanto o cronograma do Mercosul combina reduções graduais e 433 linhas excluídas das preferências.
Manual de Regras de Origem
O Manual de Regras de Origem apresenta os critérios necessários para que uma mercadoria seja considerada originária e possa usufruir das preferências tarifárias previstas no acordo.
O documento detalha os conceitos de produtos totalmente obtidos, elaboração ou processamento suficientes, operações insuficientes, acumulação de origem, requisitos específicos de origem por produto (Remos) e demais regras aplicáveis à determinação da origem das mercadorias negociadas entre as partes. Também orienta como interpretar os anexos do acordo e aplicar, na prática, as regras de origem associadas a cada classificação tarifária.
O manual também descreve os procedimentos operacionais para obtenção do tratamento tarifário preferencial, incluindo prova de origem, certificados e declarações de origem, atuação de terceiros operadores, obrigações de importadores e exportadores, verificação de origem pelas autoridades aduaneiras e penalidades por informações incorretas.
Painel Customizado de Dados
O Painel Singapura foi desenvolvido para ampliar a transparência e o acesso à informação, com visão integrada e executiva do relacionamento comercial entre o Brasil e Singapura. A ferramenta consolida informações sobre o comércio bilateral, incluindo exportações e importações por estado, setor e produto, além de dados gerais relacionados a serviços, investimentos e compras governamentais.
Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços
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