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Setor entra em 26 com mercado interno firme e olho nos desafios externos

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A piscicultura brasileira inicia 2026 em um ambiente de maior previsibilidade doméstica, sustentada por consumo em crescimento e ganhos de eficiência produtiva, mas ainda pressionada por entraves no comércio internacional e por incertezas regulatórias que limitam decisões de investimento de médio prazo. O País consolidou-se como um dos maiores produtores de pescado de cultivo do Ocidente, com destaque para a tilápia, mas enfrenta dificuldades para converter escala produtiva em maior presença global.

O Brasil produziu cerca de 900 mil toneladas de peixes de cultivo em 2025, segundo estimativas do setor, das quais mais de 60% correspondem à tilápia. Com esse volume, o País ocupa posição de destaque entre os maiores produtores mundiais da espécie, atrás principalmente de China, Indonésia e Egito. A produção é majoritariamente destinada ao mercado interno, que responde pela quase totalidade do consumo, impulsionado pela mudança de hábitos alimentares e pela maior presença do pescado na dieta das famílias brasileiras.

No comércio exterior, porém, a participação brasileira segue limitada. As exportações de pescado de cultivo representam uma fração pequena da produção total, concentradas principalmente em filés de tilápia para os Estados Unidos. Em 2025, a elevação de tarifas aplicadas ao produto brasileiro pelo mercado norte-americano reduziu a competitividade e desacelerou o crescimento dos embarques, obrigando a cadeia produtiva a buscar alternativas comerciais e a diversificar destinos.

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Os Estados Unidos permanecem como o principal mercado externo potencial em volume e previsibilidade, mas o setor acompanha com atenção a possibilidade de revisão das tarifas ao longo de 2026. Uma eventual normalização das condições comerciais poderia restabelecer o ritmo de expansão das exportações e dar maior segurança ao planejamento produtivo, especialmente para empresas integradas e voltadas à industrialização.

Paralelamente, a União Europeia volta ao radar da piscicultura brasileira como mercado estratégico de médio prazo. As exportações de tilápia ao bloco estão suspensas desde 2018, e a retomada depende de alinhamento regulatório, adequações sanitárias e de uma estratégia comercial mais coordenada. Embora se trate de um mercado exigente e menos orientado a grandes volumes, a Europa é vista como oportunidade de agregação de valor e diversificação de risco comercial.

No mercado interno, o foco do setor está na estabilidade regulatória. Em 2025, a proposta de atualização da Lista Nacional de Espécies Exóticas Invasoras, que chegou a incluir a tilápia, acendeu um alerta entre produtores e indústrias. A iniciativa foi suspensa após reação do setor produtivo, mas o tema deve retornar à agenda ao longo de 2026, mantendo elevado o grau de cautela nas decisões de expansão.

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A preocupação central da cadeia é que mudanças nesse enquadramento possam impor novas restrições ao cultivo da principal espécie da piscicultura nacional, elevando custos e aumentando a insegurança jurídica. Para o setor, a tilápia já está plenamente integrada à economia brasileira, com papel relevante na geração de empregos, na interiorização do desenvolvimento e no abastecimento de proteína a preços competitivos.

Apesar dos desafios, a avaliação predominante é de que a piscicultura brasileira entra em 2026 em posição mais sólida do que em ciclos anteriores, com maior profissionalização, avanço tecnológico e uma base de consumo doméstico robusta. O ritmo de crescimento, no entanto, dependerá menos da capacidade produtiva — que já existe — e mais da evolução do ambiente regulatório e da capacidade do País de transformar sua escala em maior presença nos mercados internacionais.

Fonte: Pensar Agro

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Batata: safra de inverno amplia oferta e coloca preços em alerta

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A oferta de batata deve ganhar força entre agosto e setembro com o avanço da colheita de inverno em Vargem Grande do Sul, no interior de São Paulo. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), somente em agosto deverá ser retirado do campo o equivalente a 35% da safra regional, elevando o acumulado colhido para 50% até o fim do mês.

O aumento sazonal da disponibilidade pode manter as cotações pressionadas no curto prazo, especialmente se a colheita avançar simultaneamente em outros polos produtores. Para o agricultor, o cenário reforça a necessidade de acompanhar o ritmo de entrada do produto no mercado, a qualidade dos lotes e os custos de classificação, armazenamento e transporte.

Em julho, a produtividade média das lavouras de Vargem Grande do Sul ficou próxima de 30 toneladas por hectare, abaixo do potencial da região. Colaboradores consultados pelo Cepea atribuíram o resultado ao excesso de chuva registrado em maio e junho e à elevada frequência de dias nublados, que reduziu a luminosidade e prejudicou a fotossíntese das plantas.

Para agosto, a expectativa é de recuperação do rendimento para aproximadamente 40 toneladas por hectare, patamar próximo ao observado nos últimos anos. A melhora, combinada com a concentração da colheita, deverá ampliar o volume ofertado ao mercado.

O produtor, entretanto, ainda precisa manter atenção redobrada ao manejo fitossanitário. Houve registros de canela-preta depois de cerca de 60 dias da tuberização, favorecidos pela elevação das temperaturas, embora a doença tenha sido rapidamente controlada. A requeima, presente desde junho, intensificou-se em julho e também contribuiu para limitar a produtividade. Apesar dos problemas, a qualidade dos tubérculos colhidos é considerada satisfatória.

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O avanço regional da oferta ocorre em um ano de redução da produção brasileira. O levantamento de julho do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima a safra nacional de batata-inglesa de 2026 em 4,2 milhões de toneladas, queda de 8,3% em relação às 4,58 milhões de toneladas produzidas em 2025.

A retração é explicada principalmente pelas perdas de área. O país deverá colher 121,8 mil hectares, 9,4% menos que no ano passado. A produtividade média nacional, por outro lado, está estimada em 34,5 toneladas por hectare, crescimento de 1,2%.

A terceira safra, correspondente ao cultivo de inverno, deverá produzir 892,2 mil toneladas, recuo de 19,3% frente a 2025. A área destinada ao ciclo diminuiu 23,9%, para 22,1 mil hectares. O rendimento médio esperado, contudo, subiu 6,1% e alcança 40,3 toneladas por hectare.

Isso significa que o mercado pode enfrentar dois movimentos diferentes. No curto prazo, a concentração da colheita entre agosto e setembro amplia a oferta e pode pressionar as cotações recebidas pelo produtor. No conjunto do ano, porém, a disponibilidade nacional deverá ser menor que a registrada em 2025.

A queda de preços já apareceu no varejo. A batata-inglesa recuou 19,59% em julho no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A continuidade desse movimento dependerá do ritmo da colheita, do rendimento das lavouras e da qualidade comercial dos lotes que chegarem aos atacados.

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Apesar de produzir mais de 4 milhões de toneladas por ano, o Brasil não exerce papel central no mercado mundial. Dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) mostram que o planeta produziu 390,4 milhões de toneladas de batata em 2024. O Brasil respondeu por aproximadamente 1,1% desse volume e ocupou a 18ª posição entre os países produtores. China e Índia lideram com ampla vantagem.

A produção brasileira é direcionada principalmente ao mercado interno. No comércio exterior, o maior desequilíbrio está nos produtos processados. Em 2025, considerando a pauta formada por batata-doce e batatas preparadas ou conservadas, o país exportou 36,5 mil toneladas e importou 345,7 mil toneladas — um volume importado quase 9,5 vezes superior ao exportado.

As compras externas foram lideradas por batatas preparadas e conservadas, especialmente produtos congelados destinados ao varejo e ao setor de alimentação. Argentina, Bélgica, Países Baixos e Egito estiveram entre os principais fornecedores. O déficit não significa falta de batata fresca no país, mas revela a dependência brasileira de produtos com maior grau de processamento industrial.

Para o produtor, a entrada no pico da safra exige atenção à comercialização. Mesmo com uma produção nacional menor em 2026, a concentração temporária da oferta pode reduzir preços e margens. Qualidade, produtividade, escalonamento da colheita e negociação antecipada serão determinantes para atravessar o período de maior disponibilidade.

Fonte: Pensar Agro

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