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Primeira reunião presencial para negociar tarifaço será no fim do mês

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Brasil e Estados Unidos devem realizar, entre 30 de setembro e 1º de outubro, a primeira reunião presencial desde a retomada das negociações sobre o tarifaço. O encontro ocorrerá em Milwaukee, durante a agenda preparatória do G20, com participação de representantes dos órgãos responsáveis pelo comércio exterior dos dois países.

O Brasil chega à negociação pressionado pela perda de espaço no mercado norte-americano. De janeiro a agosto de 2026, as exportações brasileiras aos Estados Unidos somaram o equivalente a R$ 123,6 bilhões, queda de 9,7% na comparação com o mesmo período do ano passado. A diferença representa aproximadamente R$ 13,3 bilhões em vendas que deixaram de ser realizadas.

Os valores foram convertidos pela cotação aproximada de R$ 5,13 e têm como base dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), compilados pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil).

Nem toda essa redução pode ser atribuída exclusivamente às tarifas, pois preços internacionais, demanda e condições específicas de cada mercado também influenciam o resultado. O efeito do tarifaço, porém, aparece com maior clareza no grupo de mercadorias submetidas aos adicionais mais elevados.

As exportações desses produtos recuaram 29,1% nos oito primeiros meses do ano, passando do equivalente a R$ 26,2 bilhões para R$ 18,5 bilhões. A perda de faturamento nessa cesta chegou a aproximadamente R$ 7,7 bilhões.

A sobretaxa imposta pelos Estados Unidos acrescenta de 25% a 37,5% ao custo de entrada de diferentes produtos brasileiros. Na prática, a mercadoria chega mais cara ao importador norte-americano. Para preservar o cliente, o exportador pode ser obrigado a reduzir seu preço e sua margem. Quando isso não é possível, perde pedidos, diminui a produção ou busca compradores em outros mercados.

Entre os itens mais penalizados estão produtos ligados diretamente ao agronegócio. As exportações de madeira de coníferas caíram 55,3%, enquanto as vendas de fumo não manufaturado recuaram 39,9%. Os embarques de sebo bovino diminuíram 39,4%. Rochas beneficiadas, importantes para estados produtores, tiveram queda de 37,4%.

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O impacto da madeira alcança desde os produtores de florestas plantadas até serrarias, transportadores e terminais portuários. No caso do fumo, a retração atinge uma cadeia formada principalmente por pequenas propriedades do Sul do país, além das unidades de beneficiamento e exportação.

O sebo bovino, apesar de ser um subproduto do abate, também tem importância econômica para a pecuária. Ele é utilizado pela indústria de biocombustíveis, higiene e produtos químicos. A perda de mercado reduz o aproveitamento econômico da carcaça e pode pressionar as margens dos frigoríficos, com reflexos indiretos sobre a compra de animais.

A lista de setores alcançados pelas tarifas inclui ainda açúcar, etanol, sucos, máquinas agrícolas, calçados, roupas, produtos siderúrgicos e diferentes bens industrializados. O efeito não é uniforme, porque há produtos excluídos das sobretaxas mais elevadas e outros que conseguiram compensar parte das barreiras com preços internacionais maiores.

Café, carne bovina e suco de laranja, por exemplo, não foram atingidos da mesma forma pelas tarifas adicionais mais recentes. Esses produtos contribuíram para elevar o valor das exportações aos Estados Unidos em agosto, mesmo diante da retração do volume físico total embarcado.

No mês, o faturamento com as vendas ao mercado norte-americano cresceu 12,1% em relação a agosto de 2025. A quantidade exportada, entretanto, caiu 17,3% e atingiu o menor volume para o mês desde 2021. Isso indica que o resultado financeiro foi sustentado principalmente por preços mais altos, e não por uma recuperação generalizada dos embarques.

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No conjunto dos oito primeiros meses de 2026, as exportações da agropecuária brasileira aos Estados Unidos recuaram 26,7%. A indústria extrativa registrou queda de 28,9%, enquanto as vendas da indústria de transformação diminuíram 4,9%.

Somadas as exportações e as importações, a corrente de comércio entre os dois países perdeu aproximadamente R$ 26,7 bilhões na comparação anual. Ao mesmo tempo, as vendas brasileiras para outros destinos avançaram, sinal de que parte das empresas procura redirecionar mercadorias para reduzir a dependência do mercado norte-americano.

A reunião prevista para o fim de setembro deverá discutir a redução das sobretaxas, possíveis exceções para produtos e as exigências apresentadas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). Entre os temas levantados estão o acesso do etanol norte-americano ao mercado brasileiro, regras para serviços digitais, propriedade intelectual, decisões envolvendo plataformas, mecanismos de pagamento e controles ambientais e trabalhistas.

Para o produtor rural, o resultado da negociação vai além do desempenho das empresas exportadoras. Quando uma indústria perde mercado ou precisa conceder descontos, a pressão pode chegar ao campo por meio de menor demanda pela matéria-prima, contratos mais cautelosos e preços menos favoráveis.

A abertura de outros destinos ajuda a amortecer o impacto, mas não elimina o problema. Os Estados Unidos continuam sendo um mercado de alto valor para diversos produtos brasileiros. Por isso, qualquer redução das barreiras pode representar recuperação de pedidos, melhora das margens e maior segurança para as cadeias atingidas pelo tarifaço.

Fonte: Pensar Agro

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Restrições no fornecimento de diesel ameaçam plantio da safra de verão

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Relatos de restrições e atrasos na entrega de óleo diesel voltaram a preocupar produtores rurais do Rio Grande do Sul no início do plantio da safra de verão. A irregularidade no abastecimento pode paralisar máquinas, comprometer a janela de semeadura e elevar em até R$ 1,47 bilhão os custos das principais lavouras gaúchas, caso o combustível volte a alcançar R$ 9 por litro.

A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) encaminhou nesta segunda-feira (14) um ofício à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) solicitando fiscalização das distribuidoras e medidas para garantir o fornecimento durante os períodos de maior demanda no campo.

O alerta ocorre no momento em que as propriedades iniciam o preparo do solo e a implantação das culturas de verão. Como o trabalho depende de tratores, semeadoras, pulverizadores e caminhões, a falta de combustível pode atrasar o plantio e obrigar o produtor a semear fora do período recomendado.

O risco não se limita à redução da área cultivada. O atraso pode prejudicar o desenvolvimento das lavouras, expor as plantas a condições climáticas menos favoráveis e diminuir a produtividade. Também pode encurtar o período disponível para culturas de segunda safra.

O problema já foi registrado no primeiro semestre. Entre março e abril, durante a colheita de arroz e soja, dificuldades no fornecimento atingiram aproximadamente 170 municípios gaúchos. Houve interrupções de operações agrícolas, atrasos no transporte e relatos de diesel comercializado por até R$ 9 o litro.

O preço do combustível representa uma parcela relevante das despesas com preparo do solo, plantio, pulverização, colheita e transporte. Cálculos da Farsul indicam que uma alta de 21,1% no diesel S10, com o litro passando de R$ 5,97 para R$ 7,23, acrescentaria R$ 612,2 milhões aos custos diretos das operações mecanizadas das principais culturas do Estado.

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Em uma situação mais grave, com o diesel novamente a R$ 9, o custo adicional poderia chegar a R$ 1,47 bilhão. Parte dessa conta seria absorvida pelas propriedades, pressionando margens já reduzidas, enquanto outra parcela poderia alcançar transportadoras, cooperativas, agroindústrias e consumidores.

O abastecimento brasileiro está mais exposto às oscilações externas porque mais de 25% do diesel consumido no país é importado. A diferença entre os preços praticados internamente e o custo de importação reduz o interesse das empresas em trazer o produto do exterior, justamente quando a demanda aumenta.

Boletim da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), citado pela entidade gaúcha, apontou que o preço nacional permaneceu abaixo da paridade de importação durante agosto, com defasagem que teria alcançado R$ 2,56 por litro. Essa diferença pode limitar a entrada de combustível importado e aumentar a dependência da produção nacional.

Para tentar preservar a oferta e conter os preços, o governo federal autorizou uma nova subvenção ao diesel rodoviário. No primeiro período, o benefício foi fixado em R$ 1 por litro para produtores e importadores que aderirem ao mecanismo.

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O valor deverá ser descontado do preço de venda e registrado na nota fiscal. A ANP será responsável por habilitar as empresas participantes, acompanhar os preços e efetuar o pagamento da subvenção. O benefício é temporário e poderá ser alterado, suspenso ou prorrogado conforme as condições do mercado.

A medida, entretanto, ainda precisa resultar em combustível efetivamente disponível no interior. A redução do preço na origem não garante, isoladamente, que os volumes chegarão aos produtores dentro dos prazos exigidos pelo calendário agrícola.

A Farsul pede que a ANP fiscalize o atendimento das distribuidoras aos Transportadores-Revendedores-Retalhistas (TRRs), aos postos independentes e aos municípios do interior. A entidade também solicita informações regionalizadas sobre estoques, pedidos, volumes entregues, recusas de fornecimento e prazos de atendimento.

O ofício cobra ainda a investigação de eventuais retenções de combustível, limitações artificiais da oferta ou tratamento desigual entre compradores. Outra reivindicação é a criação de um plano de contingência para impedir que a crise registrada durante a colheita se repita no plantio.

Com a janela de semeadura em andamento, a resposta precisa ocorrer antes que as restrições se transformem em máquinas paradas. Para o produtor, combustível disponível depois do período adequado não recupera os dias perdidos nem elimina os possíveis danos à produtividade da safra.

Fonte: Pensar Agro

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