AGRONEGÓCIO
Preço reage e produtor acelera venda de soja, algodão e milho
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A recuperação dos preços levou os produtores de Mato Grosso a ampliar as vendas de soja, milho e algodão em agosto. O avanço foi mais forte na soja da nova temporada e no milho já colhido, enquanto os negócios com algodão disponível continuaram limitados pelas dúvidas sobre a qualidade da pluma.
Os números do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram, porém, que o produtor não está vendendo sem cautela. Nas safras que ainda serão plantadas ou estão sujeitas a riscos climáticos, a comercialização segue limitada ao volume que cada propriedade considera seguro entregar.
Na soja 2026/27, 39,12% da produção esperada já foi negociada. O índice avançou 8,89 pontos percentuais em agosto e está 11,72 pontos acima do registrado no mesmo período da temporada passada.
O aumento das vendas acompanhou a valorização da oleaginosa. O preço médio dos contratos para a próxima safra chegou a R$ 121,18 por saca, alta de 10,01% em relação a julho. A melhora abriu espaço para o produtor garantir parte da receita antes do plantio e proteger a margem contra uma eventual queda das cotações.
Fixar o preço antecipadamente ajuda no planejamento e no pagamento dos custos da lavoura, mas exige equilíbrio. Se problemas climáticos reduzirem a produtividade, o agricultor poderá ter dificuldade para entregar o volume contratado. Por isso, parte da produção continua livre para ser negociada depois que houver maior segurança sobre o desenvolvimento da safra.
A soja 2025/26, já colhida, está praticamente fora do mercado. As vendas alcançaram 96,90% da produção estadual, após avanço de 3,84 pontos percentuais em agosto. Com pouco produto disponível, os negócios começam a se concentrar na nova temporada.
No milho, o maior movimento ocorreu justamente na safra 2025/26. A parcela comercializada subiu 10,69 pontos percentuais no mês e chegou a 74,63%. O cereal disponível foi negociado, em média, a R$ 51,61 por saca.
Além de melhorar o caixa das propriedades, a venda do milho ajuda a liberar armazéns ocupados pela produção recém-colhida. O dinheiro também chega em um momento de aumento das despesas com a implantação da safra de soja.
A negociação antecipada do milho 2026/27, entretanto, alcança apenas 15,96% da produção estimada. A cautela é maior porque o cereal depende do plantio e da colheita da soja. Qualquer atraso provocado pelo clima pode empurrar a semeadura do milho para fora do período mais favorável e elevar o risco de perda.
No algodão, 75,52% da safra 2025/26 estava comercializada ao fim de agosto, avanço de apenas 1,52 ponto percentual. Antes de oferecer novos lotes, produtores aguardam a classificação da fibra e priorizam a entrega dos contratos já firmados. As chuvas ocorridas durante o ciclo aumentaram as dúvidas sobre a qualidade da pluma e o preço que poderá ser obtido.
A próxima temporada apresentou movimento diferente. As vendas do algodão 2026/27 avançaram 8,43 pontos percentuais e chegaram a 39,34% da produção projetada. O preço médio alcançou R$ 140,46 por arroba, alta mensal de 8,43%.
O resultado de agosto mostra que a reação dos preços devolveu liquidez ao mercado, mas não eliminou os riscos. O produtor aproveita as altas para garantir receita e financiar a próxima temporada, sem comprometer uma parcela da safra que poderá não conseguir entregar.
Fonte: Pensar Agro
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Produção de laranja deverá alcançar 263,15 milhões de caixas
A produção de laranja no principal cinturão citrícola do Brasil deverá alcançar 263,15 milhões de caixas de 40,8 quilos na safra 2026/27. A nova projeção para as lavouras de São Paulo e do Triângulo e Sudoeste de Minas Gerais acrescenta 7,95 milhões de caixas à estimativa inicial, mas ocorre em um ano de forte redução da receita obtida pelos produtores.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) estima que o Valor Bruto da Produção (VBP) da laranja cairá 41,8% em 2026, para R$ 14,47 bilhões. Em 2025, a atividade havia gerado cerca de R$ 24,9 bilhões dentro das propriedades rurais. O indicador considera o volume produzido e o preço recebido pelo produtor, sem incluir o faturamento posterior da indústria e das exportações.
A diferença entre o aumento da safra no cinturão e a queda do faturamento mostra que colher mais não significa necessariamente ganhar mais. Depois de um período de oferta reduzida e preços elevados, a recuperação parcial da produção encontra valores menores pagos pela fruta. Para o citricultor, o ganho de peso das laranjas ajuda a elevar o volume colhido, mas não compensa sozinho a redução das cotações nem o aumento dos custos de manejo.
São Paulo e o Triângulo e Sudoeste de Minas Gerais formam o centro da citricultura destinada à indústria de suco. A nova previsão do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) equivale a 10,74 milhões de toneladas, volume próximo de 69% de toda a produção brasileira esperada para 2026.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) projeta uma colheita nacional de 15,63 milhões de toneladas neste ano, o equivalente a cerca de 383 milhões de caixas. O resultado deve ficar praticamente estável em relação às 15,68 milhões de toneladas estimadas para 2025. Os levantamentos usam calendários e metodologias diferentes, mas a comparação dimensiona o peso do cinturão paulista e mineiro na oferta nacional.
A revisão de 3,1% divulgada pelo Fundecitrus foi provocada principalmente pelo aumento do peso das frutas precoces e de meia-estação. Entre maio e agosto, o cinturão recebeu 210 milímetros de chuva, volume 51% superior à média histórica do período.
As precipitações, combinadas ao avanço mais lento da colheita, mantiveram as laranjas por mais tempo nas árvores e favoreceram o crescimento dos frutos. Na média das variedades, agora são necessárias 246 laranjas para completar uma caixa de 40,8 quilos, ante as 255 calculadas inicialmente. O peso médio de cada fruta subiu de 160 para 166 gramas.
Até meados de agosto, apenas 27% da safra havia sido retirada dos pomares. O atraso decorre, entre outros fatores, da participação elevada de frutas da segunda florada e da estratégia dos produtores de esperar o ponto adequado de maturação.
O benefício das chuvas, entretanto, veio acompanhado de maior queda prematura. A taxa média projetada aumentou de 23,7% para 24,1%, pressionada pelo avanço do greening e pela ocorrência de leprose e cancro cítrico.
Sem cura, o greening enfraquece as árvores, deforma as laranjas e provoca a queda antes da colheita. Além de reduzir a produtividade, a doença obriga o produtor a ampliar os gastos com inspeção, controle do inseto transmissor e eliminação das plantas contaminadas.
O Fundecitrus divulgará uma nova reestimativa em dezembro. Até lá, o resultado dependerá do desenvolvimento das variedades tardias, do clima e da capacidade dos produtores de conter as perdas provocadas por pragas e doenças.
Fonte: Pensar Agro
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