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O Boletim do Leite de janeiro já está disponível!

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Cepea, 20/01/2023 – Nesta edição, confira:

ATENÇÃO: Cepea adota nova nomenclatura para o preço do leite cru em 2023
Atendendo a uma antiga reivindicação do setor leiteiro por maior clareza quanto ao período de referência de sua pesquisa, o Cepea realizará um ajuste na nomenclatura do preço do leite cru a partir de janeiro de 2023. No lugar de nomear a informação de acordo com o mês em que houve pagamento (como vem sendo feito desde 2004), o Cepea passará a adotar o mês de captação do leite cru como referência para nomear os dados divulgados. Essa mudança se refere apenas à nomenclatura do dado, não ao processo de coleta de informações e cálculo das médias.

OPINIÃO: Ajustes metodológicos na pesquisa do preço do leite cru do Cepea garantem evolução conjunta com cadeia leiteira
A Equipe do Cepea monitora a cadeia do leite desde 1986 e calcula indicadores de preços líquidos ao produtor desde 2004. Ao longo destas décadas, o mercado passou por várias transformações, que se refletiram em desafios para o Cepea. Mas o Centro de Pesquisas acompanhou tais evoluções, por meio de ajustes metodológicos, buscando sempre garantir a transparência da informação divulgada.

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Demanda enfraquecida pressiona até dezembro, mas inversão de tendência pode estar próxima
O preço do leite captado em novembro e pago aos produtores em dezembro de 2022 foi de R$ 2,5286/litro na “Média Brasil” líquida, baixa de 6,7% frente ao mês anterior, mas 12,8% maior que o registrado no mesmo período de 2021, em termos reais. Considerando-se a média de janeiro a dezembro, de R$ 2,7050/litro, o patamar de preços subiu 13,1% em relação ao registrado em 2021 (os valores foram deflacionados pelo IPCA de dezembro/22).

Preços fecham 2022 em queda, mas permanecem acima dos de 2021
A comercialização de derivados lácteos seguiu recuando em dezembro/22, ainda influenciada pela pressão dos canais de distribuição por preços menores. Agentes de mercado consultados pelo Cepea relataram que, apesar do aumento pontual das vendas de derivados devido às festas de fim de ano, o consumo, em geral, esteve desaquecido em dezembro, levando os preços a oscilarem bastante durante o mês.

Importações de lácteos têm leve queda em dezembro, mas aumentam no ano
As importações brasileiras de derivados lácteos fecharam dezembro com leve queda de 0,16% frente a novembro, totalizando 152,6 milhões de litros em equivalente leite, o menor volume desde setembro/22 – os dados são da Secex. A baixa ocorreu pelo terceiro mês consecutivo. Por outro lado, o total importado de janeiro a dezembro/22 avançou. 

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COE fecha 2022 com aumento de 2,5%
O Custo Operacional Efetivo (COE) da pecuária leiteira avançou 2,53% na “Média Brasil” (BA, GO, MG, RS, SC, PR e SP) em 2022 – o aumento do COE acumulado em 2021, por sua vez, havia sido de fortes 18,67%. A alta observada em 2022 esteve atrelada, principalmente, a elevações nas categorias de concentrados, medicamentos e operações mecânicas. Entre novembro e dezembro, especificamente, houve queda de 0,56% no COE, influenciada pela baixa nas cotações dos fertilizantes.

Fonte: CEPEA

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Com dívidas superiores a R$ 1,3 trilhão, agro busca solução antes do início da safra 26/27

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Com o fim do vazio sanitário se aproximando e o plantio da soja previsto para começar a partir de setembro nas principais regiões produtoras, o endividamento rural voltou ao centro das preocupações do agronegócio brasileiro.

Estimativas do setor apontam que o passivo total da agropecuária brasileira já supera R$ 1,3 trilhão, dos quais aproximadamente R$ 188 bilhões correspondem a dívidas financeiras diretas dos produtores. Diante desse cenário, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) intensificou as articulações para acelerar a votação do Projeto de Lei 5.122/2023, considerado uma das principais apostas para permitir a renegociação de débitos e recuperar a capacidade de investimento no campo.

A preocupação cresce justamente no momento em que agricultores começam a planejar a safra 2026/27, negociando sementes, fertilizantes, defensivos e operações de custeio. Após anos de custos elevados, juros altos e sucessivas adversidades climáticas, muitos produtores chegam ao novo ciclo com margens reduzidas e dificuldades para acessar novas linhas de crédito.

O problema ganhou dimensão nacional principalmente entre os produtores de soja, principal cultura agrícola do país. Apesar de o Brasil caminhar para colher mais de 180 milhões de toneladas da oleaginosa, a rentabilidade das propriedades sofreu forte pressão nos últimos anos. Em algumas regiões, as margens brutas recuaram mais de 30%, reflexo da combinação entre queda nos preços internacionais, valorização dos insumos e aumento dos custos financeiros.

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Os reflexos desse cenário já aparecem nos indicadores do setor. Em 2025, o agronegócio registrou recorde de pedidos de recuperação judicial, enquanto a inadimplência rural avançou em diversas regiões produtoras. O ambiente mais desafiador levou instituições financeiras a endurecer critérios de concessão de crédito e exigir garantias adicionais, reduzindo a capacidade de financiamento de parte dos produtores.

Nesse contexto, ganhou força no Congresso Nacional o Projeto de Lei 5.122/2023. Embora tenha sido apresentado pelo deputado Domingos Neto, a proposta passou a ser uma das prioridades da Frente Parlamentar da Agropecuária, que atua para viabilizar instrumentos de renegociação de passivos, alongamento de prazos e recuperação da capacidade produtiva dos agricultores.

A avaliação de lideranças do setor é que a solução para o endividamento precisa ser definida antes do avanço do calendário agrícola. Isso porque grande parte da produtividade é construída antes mesmo do plantio, por meio de investimentos em correção de solo, fertilização, escolha de sementes e proteção fitossanitária. Sem acesso a crédito ou condições adequadas de renegociação, produtores podem reduzir aportes justamente em áreas que influenciam diretamente o desempenho da lavoura.

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O debate vai além das propriedades rurais. O Brasil é líder mundial na produção e exportação de soja, cadeia que movimenta centenas de bilhões de reais anualmente e sustenta segmentos como biodiesel, proteína animal, logística, armazenagem e agroindústria. Por isso, especialistas alertam que a recuperação financeira dos produtores será decisiva não apenas para a safra 2026/27, mas para a manutenção da competitividade do agronegócio brasileiro nos próximos anos.

Enquanto aguardam uma definição em Brasília, agricultores seguem fazendo contas e ajustando o planejamento da próxima temporada. No campo, a percepção é de que o crédito poderá ser tão importante quanto o clima para determinar os resultados da próxima safra.

Fonte: Pensar Agro

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