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MANDIOCA/CEPEA: Com baixa oferta, raiz é negociada acima de R$ 1 mil/t; cenário limita competitividade da fécula

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Cepea, 20/10/2022 – A menor área de raiz de mandioca cultivada nos últimos anos, sobretudo devido à maior atratividade de outras culturas, vem reduzindo a oferta da matéria-prima nas principais regiões produtoras do Centro-Sul do Brasil. No curto prazo, as recentes chuvas vêm limitando a colheita da raiz e reforçando a menor disponibilidade para o processamento industrial.

Diante disso, levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, mostra que, na primeira quinzena de outubro, houve redução de 45% no volume de raiz moída pela indústria de fécula frente ao da segunda quinzena de setembro. A demanda pelo derivado, por sua vez, segue relativamente firme. Segundo pesquisadores do Cepea, em algumas regiões, observa-se disputa entre fecularias e farinheiras pela matéria-prima ainda disponível.

Nesse cenário, os valores de negociação da raiz de mandioca vêm registrando avanços expressivos, atingindo sucessivos recordes nominais. Considerando-se a “Média Cepea” (Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo), nesta parcial de outubro, o preço médio da raiz de mandioca posta na fecularia está em R$ 1.012,13/tonelada, 6,8% maior que o de setembro e expressivos 82% acima do registrado em outubro do ano passado, em termos nominais. Em termos reais (os valores mensais foram deflacionados pelo IGP-DI), a média mensal atual é a maior desde fevereiro de 2018. 

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FÉCULA – Demandantes de raiz, agentes da indústria de fécula se mostram preocupados com o atual cenário. Os baixos volumes de moagem diminuem a eficiência técnica das indústrias, sobretudo pela elevada ociosidade, ao passo que os altos preços da matéria-prima apertam as margens. O repasse das valorizações da raiz aos derivados acaba sendo parcial, tendo em vista que os maiores preços da fécula tendem a limitar o consumo e a estimular a substituição por outros amidos, especialmente o de milho. Em outubro, levantamento do Cepea mostra que o preço médio da fécula está em R$ 5.120,91/t, aumentos de 5% frente ao de setembro e de 71% em um ano.

A relação entre o preço médio da fécula e o da raiz vem caído de forma periódica, o que evidencia a redução na margem das indústrias. Na parcial de outubro, inclusive, a relação está em 5,05, sendo a menor de toda a série histórica do Cepea – como comparação, a relação média de outubro do ano passado estava em 5,39. Agentes relatam que a matéria-prima representa entre 65% e 70% do custo de produção da fécula.

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Outro fator de preocupação entre agentes se refere à extração média de amido, que, no acumulado de 2022, está em 24,7% (o que significa que uma tonelada de raiz gera 247 quilos de fécula), com queda de 9% na comparação com o mesmo período de 2021 – isso também pesa sobre o volume produzido, que, no acumulado anual, está 5% menor.

O cenário de baixa oferta de matéria-prima e estoques de derivados reduzidos deixa vendedores e compradores em alerta, especialmente quando se considera também a aquecida demanda externa.  De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as exportações brasileiras de fécula de mandioca totalizaram 4,94 mil toneladas em setembro, crescimento de 52% frente às de agosto e de expressivos 97% na comparação com as do mesmo período do ano passado. No acumulado anual (janeiro a setembro), o volume embarcado totaliza 34,6 mil toneladas, 41% acima do registrado nos nove primeiros meses de 2021.

Outras informações sobre as pesquisas do Cepea a respeito do mercado de mandioca, clique aqui. Contatos: (19) 3429-8836 ou 8837 e [email protected]

Responsáveis: Pesquisadores Lucilio Alves e Fábio Isaias Felipe.

Fonte: CEPEA

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AGRONEGÓCIO

Com dívidas superiores a R$ 1,3 trilhão, agro busca solução antes do início da safra 26/27

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Com o fim do vazio sanitário se aproximando e o plantio da soja previsto para começar a partir de setembro nas principais regiões produtoras, o endividamento rural voltou ao centro das preocupações do agronegócio brasileiro.

Estimativas do setor apontam que o passivo total da agropecuária brasileira já supera R$ 1,3 trilhão, dos quais aproximadamente R$ 188 bilhões correspondem a dívidas financeiras diretas dos produtores. Diante desse cenário, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) intensificou as articulações para acelerar a votação do Projeto de Lei 5.122/2023, considerado uma das principais apostas para permitir a renegociação de débitos e recuperar a capacidade de investimento no campo.

A preocupação cresce justamente no momento em que agricultores começam a planejar a safra 2026/27, negociando sementes, fertilizantes, defensivos e operações de custeio. Após anos de custos elevados, juros altos e sucessivas adversidades climáticas, muitos produtores chegam ao novo ciclo com margens reduzidas e dificuldades para acessar novas linhas de crédito.

O problema ganhou dimensão nacional principalmente entre os produtores de soja, principal cultura agrícola do país. Apesar de o Brasil caminhar para colher mais de 180 milhões de toneladas da oleaginosa, a rentabilidade das propriedades sofreu forte pressão nos últimos anos. Em algumas regiões, as margens brutas recuaram mais de 30%, reflexo da combinação entre queda nos preços internacionais, valorização dos insumos e aumento dos custos financeiros.

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Os reflexos desse cenário já aparecem nos indicadores do setor. Em 2025, o agronegócio registrou recorde de pedidos de recuperação judicial, enquanto a inadimplência rural avançou em diversas regiões produtoras. O ambiente mais desafiador levou instituições financeiras a endurecer critérios de concessão de crédito e exigir garantias adicionais, reduzindo a capacidade de financiamento de parte dos produtores.

Nesse contexto, ganhou força no Congresso Nacional o Projeto de Lei 5.122/2023. Embora tenha sido apresentado pelo deputado Domingos Neto, a proposta passou a ser uma das prioridades da Frente Parlamentar da Agropecuária, que atua para viabilizar instrumentos de renegociação de passivos, alongamento de prazos e recuperação da capacidade produtiva dos agricultores.

A avaliação de lideranças do setor é que a solução para o endividamento precisa ser definida antes do avanço do calendário agrícola. Isso porque grande parte da produtividade é construída antes mesmo do plantio, por meio de investimentos em correção de solo, fertilização, escolha de sementes e proteção fitossanitária. Sem acesso a crédito ou condições adequadas de renegociação, produtores podem reduzir aportes justamente em áreas que influenciam diretamente o desempenho da lavoura.

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O debate vai além das propriedades rurais. O Brasil é líder mundial na produção e exportação de soja, cadeia que movimenta centenas de bilhões de reais anualmente e sustenta segmentos como biodiesel, proteína animal, logística, armazenagem e agroindústria. Por isso, especialistas alertam que a recuperação financeira dos produtores será decisiva não apenas para a safra 2026/27, mas para a manutenção da competitividade do agronegócio brasileiro nos próximos anos.

Enquanto aguardam uma definição em Brasília, agricultores seguem fazendo contas e ajustando o planejamento da próxima temporada. No campo, a percepção é de que o crédito poderá ser tão importante quanto o clima para determinar os resultados da próxima safra.

Fonte: Pensar Agro

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