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Linha emergencial tenta blindar exportadores contra tarifaço do Trump
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Diante das tarifas impostas pelo presidente do EAU, Donald Trump, sobre produtos brasileiros, o governo de Goiás saiu na frente e anunciou a criação de uma linha emergencial de crédito voltada às empresas exportadoras do estado. O pacote inclui condições especiais de financiamento e mecanismos para estimular a oferta de crédito, principalmente a pequenos e médios negócios.
Em 2024, os EUA foram o segundo principal destino de exportações do estado, representando US$ 408 milhões. De acordo com o governo estadual, entre os segmentos que seriam mais atingidos pelas tarifas estão as commodities, como soja, carne e derivados do aço.
A medida visa mitigar os efeitos da sobretaxa de até 50% sobre commodities como soja, carne e derivados do aço. Os recursos virão de um fundo de fomento baseado em créditos de ICMS sobre exportações, sem depender diretamente do Tesouro estadual. A taxa de juros será inferior a 10% ao ano, com exigência de manutenção dos empregos durante a vigência do contrato.
O governo goiano também pretende instituir um fundo garantidor para facilitar o acesso ao crédito privado e criou um grupo de trabalho com representantes do setor produtivo para acompanhar os desdobramentos da crise comercial e propor novas ações.
Enquanto isso, o setor nacional de pescado protocolou nesta segunda-feira (21.07) um pedido ao governo federal para a criação de uma linha de crédito emergencial específica. A proposta prevê R$ 900 milhões em recursos, seis meses de carência e 24 meses para pagamento. A justificativa é a grave crise de capital de giro que afeta o setor, especialmente após as tarifas impostas pelos EUA — principal destino do pescado brasileiro, representando cerca de 70% das exportações.
Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Pescado (Abipesca), aproximadamente R$ 300 milhões em produtos estão parados em portos, barcos e unidades industriais, sem alternativa viável de comercialização no mercado interno. A estimativa é que até 35 indústrias e cerca de 20 mil trabalhadores, entre operários e pescadores artesanais, sejam afetados por cortes e paralisações caso não haja resposta rápida.
Além do crédito, o setor pleiteia junto ao governo federal a reabertura do mercado europeu, fechado às exportações brasileiras de pescado desde 2017. A expectativa é que uma intervenção diplomática de alto nível acelere as negociações e ajude a aliviar o cenário de incertezas.
A escalada protecionista nos Estados Unidos acendeu o sinal de alerta em diversas cadeias exportadoras brasileiras, com estados como Goiás já adotando medidas próprias, enquanto setores estratégicos pressionam Brasília por apoio emergencial e acesso a mercados alternativos.
Fonte: Pensar Agro
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Guerra Irã-EUA eleva preços de fertilizantes e já pressiona custos da safra 2026/2027
A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã já provoca impacto direto sobre os custos do agro. Os preços da ureia subiram entre 33% e 48% nas últimas semanas, enquanto a amônia anidra avançou cerca de 39%, em um movimento puxado pela alta do gás natural e pelas restrições logísticas no Estreito de Ormuz, rota estratégica para exportação de insumos.
O Brasil, que importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), sente o reflexo imediato. Parte relevante da ureia utilizada no País vem do Oriente Médio, o que amplia a exposição ao conflito e eleva o risco de novos aumentos no curto prazo.
O impacto ocorre justamente no momento de planejamento da safra 2026/27. Com custos mais altos, produtores começam a rever estratégias, postergar compras e buscar alternativas para reduzir o peso dos insumos no orçamento, especialmente em culturas como soja e milho, mais intensivas em fertilização.
Além da matéria-prima, o frete também entrou na equação. A tensão na região elevou o preço do petróleo e aumentou o custo do transporte marítimo, pressionando ainda mais o preço final dos fertilizantes no Brasil.
Diante desse cenário, o governo federal discute medidas para amortecer o impacto. Entre as alternativas está a criação de um mecanismo de subvenção para fertilizantes dentro do Plano Safra 2026/27, com uso de crédito subsidiado para reduzir o custo ao produtor.
Outra frente envolve ações estruturais. O governo pretende ampliar a produção nacional por meio do Plano Nacional de Fertilizantes e de linhas de financiamento via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), na tentativa de reduzir a dependência externa, considerada um dos principais gargalos do setor.
Do lado produtivo, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) tem pressionado por medidas emergenciais, como a redução de custos logísticos e tributários, incluindo pedidos de isenção do Adicional de Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM), taxa cobrada sobre o transporte marítimo, que encarece a importação de fertilizantes.
Na prática, a combinação de alta dos insumos, frete mais caro e incerteza geopolítica cria um ambiente de maior risco para o produtor. A definição dos custos da próxima safra deve ocorrer sob volatilidade elevada, com impacto direto sobre margem e decisão de plantio.
Fonte: Pensar Agro
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