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Governo lança em julho programa de pagamento por conservação no Pantanal
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O governo de Mato Grosso do Sul inicia, em julho, uma nova etapa de sua política ambiental voltada à proteção do Pantanal, por meio do lançamento do edital dos programas de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). As ações fazem parte do Pacto pelo Pantanal, criado para valorizar a produção sustentável e a preservação da biodiversidade no bioma.
O PSA contará com duas frentes distintas, ambas direcionadas a proprietários rurais com atividade pecuária comprovada: o PSA Ambiental do Pantanal e o PSA Brigadas. A expectativa é que os primeiros pagamentos sejam realizados até outubro, após a análise e formalização dos contratos, com duração inicial de dois anos.
O PSA Ambiental do Pantanal irá remunerar pecuaristas que mantêm áreas preservadas além do limite legal, com R$ 55 por hectare adicional, respeitando um teto de até R$ 100 mil por propriedade por ano. Os recursos são oriundos do Fundo Clima Pantanal, previsto na Lei do Pantanal, sancionada em dezembro de 2023. Estão reservados R$ 30 milhões para 2025 e mais R$ 30 milhões para 2026.
A adesão é exclusiva para propriedades com rebanho bovino ativo, devidamente registrado na Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro). A proposta reconhece a pecuária como parte integrante da dinâmica ecológica do bioma, especialmente no controle da biomassa seca, que pode se transformar em combustível para incêndios florestais.
Diferente de outros modelos de PSA, o programa pantaneiro não exige que a área remunerada permaneça intocada. A terra pode continuar em uso produtivo, desde que respeite os critérios de conservação estabelecidos.
O cumprimento das condições será verificado por monitoramento remoto via satélite, com a possibilidade de descredenciamento imediato em caso de desmatamento, conversão de vegetação ou qualquer infração ambiental. Os contratos preveem a devolução dos valores recebidos em caso de descumprimento.
A seleção dos participantes considerará critérios técnicos, como localização em áreas prioritárias para conservação, presença de corredores ecológicos, zonas de amortecimento de unidades de conservação e risco de incêndios florestais.
Já o PSA Brigadas será voltado à estruturação e manutenção de brigadas comunitárias de prevenção e combate a incêndios florestais. A ação busca aliar conhecimento local, capacitação técnica e ação direta em campo para conter os focos de incêndio, especialmente durante os períodos de estiagem prolongada que afetam a região.
Para garantir o acesso à iniciativa, o governo contará com apoio da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia (Funar) e de entidades como sindicatos rurais e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). Técnicos já capacitados irão atuar junto aos pecuaristas no preenchimento da documentação, verificação de elegibilidade e encaminhamento aos pontos de inscrição.
A política pública aposta na adesão voluntária dos produtores como forma de legitimar o modelo e demonstrar a viabilidade de conciliar produção e conservação. O Pantanal sul-mato-grossense abriga 85% de vegetação nativa preservada, sendo composto em 95% por propriedades privadas. A pecuária extensiva é a principal atividade econômica, com aproximadamente 3.500 produtores responsáveis por um rebanho de mais de 4,1 milhões de bovinos.
O PSA do Pantanal se soma a outras experiências consolidadas no país. Entre os exemplos bem-sucedidos estão o Programa Reflorestar, no Espírito Santo; o Produtor de Água do PCJ, em São Paulo; e o Bolsa Floresta, no Amazonas. Todas essas iniciativas demonstram o potencial do PSA como instrumento de valorização de práticas sustentáveis e incentivo à manutenção dos serviços ecossistêmicos.
Com o lançamento do edital previsto para o mês de julho e os primeiros pagamentos esperados até outubro, o programa sul-mato-grossense representa um avanço nas políticas de valorização do produtor pantaneiro e na proteção de um dos biomas mais ricos e ameaçados do planeta.
Fonte: Pensar Agro
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Alta do petróleo e avanço dos biocombustíveis elevam preços internacionais dos alimentos
A nova alta dos preços internacionais dos alimentos acendeu um alerta, e também abriu oportunidades, para o agronegócio brasileiro. Relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) mostra que os alimentos voltaram a subir em abril, puxados principalmente pelos óleos vegetais, em um movimento diretamente ligado à tensão no Oriente Médio, ao petróleo mais caro e ao avanço global dos biocombustíveis.
O Índice de Preços de Alimentos da FAO subiu 1,6% em abril e atingiu o maior nível desde fevereiro de 2023. Para o produtor brasileiro, porém, o dado mais importante está no comportamento do óleo de soja e das commodities ligadas à energia.
Com o aumento das tensões envolvendo o Irã e os riscos sobre o fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz, o mercado internacional passou a precificar possível alta nos combustíveis fósseis. Na prática, petróleo mais caro torna o biodiesel mais competitivo e aumenta a demanda por matérias-primas agrícolas usadas na produção de energia renovável.
É justamente aí que o Brasil ganha relevância. Maior produtor e exportador mundial de soja, o país também ampliou nos últimos anos sua indústria de biodiesel. Com a mistura obrigatória de biodiesel no diesel em níveis mais elevados, cresce a demanda interna por óleo de soja, fortalecendo toda a cadeia produtiva.
O efeito tende a chegar dentro da porteira. Preços internacionais mais firmes para óleo vegetal ajudam a sustentar as cotações da soja, melhoram margens da indústria e podem aumentar a demanda pelo grão brasileiro nos próximos meses.
Além disso, o cenário fortalece a estratégia de agregação de valor do agro nacional. Em vez de depender apenas da exportação do grão bruto, o Brasil amplia espaço na produção de farelo, óleo e biocombustíveis, segmentos mais ligados à industrialização e geração de renda.
Os cereais também registraram leve alta internacional em abril. Segundo a FAO, preocupações climáticas e custos elevados de fertilizantes continuam influenciando o mercado global de trigo e milho.
Mesmo assim, os estoques mundiais seguem relativamente confortáveis, reduzindo o risco de uma disparada mais intensa nos preços dos grãos neste momento. Outro ponto que interessa diretamente ao produtor brasileiro está na carne bovina. O índice internacional das proteínas animais bateu recorde em abril, impulsionado principalmente pela menor oferta de bovinos prontos para abate no Brasil.
Isso ajuda a sustentar os preços internacionais da proteína brasileira e reforça a competitividade do país em um momento de demanda firme no mercado externo. Na direção oposta, o açúcar caiu quase 5% no mercado internacional diante da expectativa de aumento da oferta global, especialmente por causa da perspectiva de produção elevada no Brasil.
A FAO também revisou para cima sua projeção para a safra mundial de cereais em 2025, estimada agora em 3,04 bilhões de toneladas — novo recorde histórico. O cenário mostra que o mercado global de alimentos continua abastecido, mas cada vez mais conectado ao comportamento da energia, da geopolítica e dos biocombustíveis. Para o agro brasileiro, isso significa que petróleo, conflitos internacionais e política energética passaram a influenciar diretamente o preço da soja, do milho, da carne e até a rentabilidade dentro da fazenda.
Fonte: Pensar Agro
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