AGRONEGÓCIO
Estão disponíveis as agromensais de dezembro/2022
AGRONEGÓCIO
Cepea, 04/01/2023 – O Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, disponibiliza hoje as agromensais de dezembro de 2022, com as retrospectivas do ano.
Abaixo, alguns trechos das análises retrospectivas:
AÇÚCAR: Na maior parte da safra 2022/23, os preços do açúcar cristal branco operaram no mercado spot de São Paulo em patamares abaixo dos da temporada anterior, em termos reais, o que parece ser incompatível com o cenário de menor produção. De fato, em 2022/23, a produção de açúcar em São Paulo foi inferior à da temporada passada. Somente em meados de novembro/22 que as usinas paulistas direcionaram mais cana para a produção do adoçante, de forma que o total chegou a superar o da safra 2021/22.
ALGODÃO: Os preços do algodão em pluma registraram oscilação expressiva nos mercados interno e externo ao longo de 2022. A menor oferta global deu o tom altista, enquanto preocupações com o cenário inflacionário, a recessão econômica mundial e a redução na demanda global, sobretudo por parte da China, pressionaram os valores internacionais e, consequentemente, domésticos. As cotações internas até encontraram sustentação em boa parte do primeiro semestre, mas registraram quedas bruscas na segunda metade do ano, quando novas estimativas de oferta e demanda apontaram recuperação dos estoques mundiais.
ARROZ: O mercado brasileiro de arroz em casca iniciou 2022 com preocupações relacionadas aos excedentes domésticos elevados e à possível pressão sobre os valores do cereal, cenário que já havia sido observado em 2021. Porém, a estabilidade da oferta – devido à perda de potencial produtivo no Sul do Brasil –, o aumento da paridade de exportação, diante dos maiores preços externos, e o crescimento expressivo das exportações deram sustentação aos preços domésticos.
BOI: Mesmo diante dos fortes aumentos nos custos de produção ao longo dos últimos anos, o setor pecuário nacional seguiu realizando investimentos no campo, o que resultou em crescimento na oferta de animais para abate em 2022 – confirmados por números do IBGE.
CAFÉ: Em 2022, o mercado cafeeiro nacional foi influenciado por incertezas relacionadas ao mercado externo e ao campo nacional. No primeiro semestre, as cotações do arábica estiveram acima dos R$ 1 mil por saca de 60 kg, influenciadas pela guerra entre a Rússia e a Ucrânia, que reforçou os entraves logísticos carregados desde o início da pandemia e elevou os preços dos insumos. Vale ressaltar que os preços já estavam altos pela restrição de oferta, em especial no Brasil. Naquele período, investidores também se afastaram de commodities agrícolas, procurando outras mais rentáveis e com menor risco, contexto que, por outro lado, influenciou negativamente os contratos futuros do arábica negociados na Bolsa de Nova York (ICE Futures).
ETANOL: O volume de etanol exportado pelas usinas brasileiras foi um dos destaques da safra 2022/23 e ajudou a reduzir a oferta do biocombustível no mercado interno – ressalta-se que, no ciclo anterior, a menor oferta limitou as exportações brasileiras de etanol.
FRANGO: O volume de carne de frango exportado pelo Brasil renovou o recorde em 2022. Com a guerra entre a Rússia e a Ucrânia e o aumento do número de casos de gripe aviária no Hemisfério Norte, a demanda externa pela proteína brasileira cresceu significativamente. Esse cenário somado à menor oferta de animais durante o ano elevaram os preços domésticos da carne em 2023 frente aos de 2021 (em termos nominais).
MILHO: Os preços do milho iniciaram o ano de 2022 em alta, impulsionados pelos estoques de passagem em volumes apertados e por preocupações relacionadas à safra verão de 2021/22 – que, de fato, teve sua produtividade prejudicada pelo clima adverso. Após o primeiro trimestre, agentes voltaram as atenções à segunda temporada, que teve produção recorde, o que, por sua vez, gerou pressão sobre as cotações desde então.
OVINOS: Pressionados pela menor demanda interna ao longo de 2022, devido ao baixo poder de compra da população, os preços da carne ovina e do cordeiro vivo recuaram na maior parte das regiões acompanhadas pelo Cepea em 2022 na comparação com o ano anterior, em termos reais.
SOJA: A temporada 2021/22 se iniciou com preocupações quanto à redução da oferta de soja no Brasil, cenário que foi confirmado, sobretudo no Sul do País e em partes do Sudeste e do Centro-Oeste. Como perdas expressivas também foram verificadas na Argentina e no Paraguai, a maior oferta de 2021 nos Estados Unidos não foi suficiente para compensar essas quedas nas produções. Com isso, os estoques mundiais se reduziram, sustentando os preços internacionais e nacionais. No Brasil, o valor médio de 2022 é um recorde anual, em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IGP-DI de nov/22).
TRIGO: Mesmo diante de colheita recorde de trigo no Brasil, os valores de negociação do cereal operaram em patamares máximos da série histórica do Cepea em 2022 – em algumas regiões, as cotações atingiram recordes reais. No contexto global, diversos fatores resultaram em diminuição, pelo segundo ano consecutivo, na relação estoque final/consumo mundial. Assim, a demanda interna seguiu ativa, superando a oferta e elevando os preços do cereal.
ASSESSORIA DE IMPRENSA: Outras informações: [email protected] e (19) 3429 8836.
Fonte: CEPEA
AGRONEGÓCIO
Rota pelo Pacífico pode reduzir custo e ampliar exportações do agro
O governo federal deu mais um passo para tirar do papel uma antiga demanda do agronegócio: criar uma rota de exportação pelo Oceano Pacífico para reduzir a dependência dos portos brasileiros. O Ministério da Agricultura instituiu nesta semana o Programa de Integração Produtiva e Logística Brasil-Bolívia-Pacífico, iniciativa que pretende estruturar um corredor internacional de transporte ligando Mato Grosso aos portos do Chile e do Peru.
Na prática, o programa não constrói estradas nem define um cronograma de obras, mas cria um comitê gestor responsável por coordenar ações entre os governos brasileiro e boliviano, facilitar acordos sanitários e aduaneiros e atrair investimentos para tornar o corredor operacional.
A proposta interessa principalmente a Mato Grosso, maior produtor de grãos do país. Hoje, boa parte da soja, do milho, do algodão e da carne produzidos no Estado percorre entre 2 mil e 2,3 mil quilômetros até portos como Santos (SP), Paranaguá (PR), Itaqui (MA), Miritituba (PA) e Barcarena (PA). Além da longa distância, o elevado fluxo de cargas pressiona o custo do frete durante a safra.
Pela nova alternativa, a produção seguiria da região oeste de Mato Grosso até Vila Bela da Santíssima Trindade, na fronteira com a Bolívia. A partir dali, cruzaria cidades bolivianas como San Ignacio de Velasco e Santa Cruz de la Sierra, seguindo pela malha rodoviária do país até alcançar portos no Oceano Pacífico, como Arica, Iquique e Antofagasta, no Chile, ou Ilo, no Peru.
À primeira vista, o trajeto terrestre não representa uma redução expressiva da distância em relação aos portos brasileiros. O principal ganho está no transporte marítimo. Para cargas destinadas à China, ao Japão, à Coreia do Sul e a outros mercados asiáticos, a saída pelo Pacífico reduz o tempo de navegação em comparação com as rotas que partem do Atlântico, além de diminuir a dependência dos corredores logísticos hoje concentrados no Sul, Sudeste e Arco Norte.
A proposta também amplia as alternativas para o escoamento da safra em períodos de maior demanda. Mato Grosso deverá colher mais de 100 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, segundo estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), volume que exige investimentos permanentes em infraestrutura de transporte.
Outro ponto considerado estratégico é o abastecimento de insumos agrícolas. A integração com a Bolívia pode facilitar a chegada de fertilizantes e outros produtos utilizados na produção rural, diversificando as rotas de abastecimento e reduzindo a dependência de corredores já sobrecarregados.
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Vilmondes Tomain, classificou a iniciativa como um avanço para o setor. Segundo ele, o Estado sempre enfrentou o desafio da distância entre as áreas produtoras e os portos de exportação, o que reduz a competitividade do agronegócio mato-grossense.
Apesar do potencial, o corredor ainda depende de uma série de investimentos. Mato Grosso já executa obras de pavimentação em direção à fronteira, mas será necessário melhorar a infraestrutura rodoviária em território boliviano, além de harmonizar procedimentos alfandegários, sanitários e de fiscalização entre os dois países.
Para especialistas em logística, a rota bioceânica não substituirá os portos brasileiros, mas funcionará como uma alternativa estratégica. Quanto maior o número de corredores disponíveis para o escoamento da produção, menor tende a ser a pressão sobre o frete, aumentando a competitividade do agronegócio brasileiro no mercado internacional.
Fonte: Pensar Agro
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