AGRONEGÓCIO
Estão disponíveis as agromensais de fevereiro/2023
AGRONEGÓCIO
Cepea, 07/03/2023 – O Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, disponibiliza hoje as agromensais de fevereiro de 2023.
Abaixo, alguns trechos das análises retrospectivas:
AÇÚCAR: Os preços do açúcar cristal branco subiram no mercado spot do estado de São Paulo em fevereiro. A sustentação foi atribuída à menor oferta do açúcar de melhor qualidade (tipo Icumsa até 180). No entanto, mesmo com pouca disponibilidade, a fraca demanda levou algumas usinas a cederem nos preços de venda, especialmente no início e no final do mês.
ALGODÃO: Mesmo em período de entressafra, os preços do algodão em pluma atravessaram mais um mês com poucas oscilações. Entre 31 de janeiro e 28 de fevereiro, o Indicador CEPEA/ESALQ, com pagamento em 8 dias, caiu 1,54%, fechando a R$ 5,1750/lp no encerramento de fevereiro.
ARROZ: Os preços do arroz em casca estiveram em queda em praticamente todo o mês de fevereiro de 2023 no Rio Grande do Sul. Os valores acompanharam as baixas observadas nos elos superiores da cadeia produtiva (arroz beneficiado e varejo), ainda que menos intensas. Esse movimento baixista era esperado no período devido ao avanço da colheita e ao fato de que produtores estavam realizando negociações para pagamento das despesas de curto prazo.
BOI: A suspensão dos envios de carne bovina à China no dia 23 de fevereiro, devido a um protocolo estabelecido entre o Brasil e o país asiático em casos de identificação de encefalopatia espongiforme bovina (EEB) – mais conhecida como “mal da vaca louca” – no rebanho nacional, enfraqueceu o ritmo de negócios no mercado interno na última semana do mês e, consequentemente, os preços da arroba.
CAFÉ: Em fevereiro, o Indicador CEPEA/ESALQ do café arábica tipo 6, posto na capital paulista, teve média de R$ 1.129,52/saca de 60 kg, 11,9% acima da de janeiro/23 e a maior desde outubro/22, em termos nominais. No geral, ainda há incertezas sobre o volume da safra brasileira 2023/24, devido às adversidades climáticas nos últimos anos, como seca, geadas e o recente elevado volume de chuvas.
ETANOL: A temporada 2022/23 de cana-de-açúcar do Centro-Sul se aproxima do final. Na parcial da atual safra (de abril/22 a fevereiro/23), as médias dos Indicadores semanais CEPEA/ESALQ (São Paulo) dos etanóis hidratado e anidro foram de respectivos R$ 2,8443/litro e R$ 3,2444/litro, com ambas ficando 15% abaixo das do mesmo período da temporada anterior, em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IGP-M de fevereiro-23).
FRANGO: Os preços da carne de frango reagiram em fevereiro na maior parte das regiões acompanhadas pelo Cepea, interrompendo, portanto, o movimento de queda que vinha sendo registrado desde outubro de 2022. A reação dos valores dos produtos avícolas esteve atrelada sobretudo ao aquecimento da demanda, registrado a partir da primeira quinzena de fevereiro. Além disso, o bom ritmo das exportações enxugou a disponibilidade de carne no mercado doméstico, reforçando o movimento de recuperação dos preços.
MILHO: As negociações envolvendo milho estiveram lentas na maior parte de fevereiro, tanto no mercado interno quanto nos portos. A lentidão se deve principalmente à ausência de compradores, que aguardam o andamento da colheita da safra verão e da semeadura da segunda safra, que pode ser recorde no Brasil.
OVINOS: Os preços do cordeiro vivo apresentaram movimentos distintos dentre as regiões acompanhadas pelo Cepea em fevereiro. Os preços recuaram em boa parte da região Centro-Oeste, enquanto as cotações avançaram nos estados do Sul e em São Paulo.
SOJA: Os prêmios de exportação de soja no Brasil caíram em fevereiro, registrando, inclusive, patamares negativos – esse cenário não era visto desde junho/21, considerando-se um contrato de primeiro vencimento. Essa queda esteve atrelada à baixa demanda externa e às estimativas de produção recorde no Brasil na safra 2022/23 e de maior área de cultivo nos Estados Unidos em 2023/24. As quedas foram acentuadas pela desvalorização do dólar frente ao Real (que reduz a competitividade da soja brasileira e, consequentemente, leva o demandante ao maior concorrente do Brasil, os Estados Unidos). Em fevereiro, o dólar teve a menor média desde ago/22, que foi de R$ 5,1792, quedas de 0,3% sobre o mês anterior e de 0,2% se comparado há um ano.
TRIGO: As negociações de trigo no Brasil seguiram em ritmo lento em fevereiro. Além do carnaval, muitos agentes de moinhos estavam afastados do mercado, sinalizando estar abastecidos. Outros demandantes estavam atentos à possível necessidade de produtores e de cooperativas de liberar espaço de armazenagem para a chegada mais intensa da safra verão. Isso, por sua vez, pode pressionar os valores.
ASSESSORIA DE IMPRENSA: Outras informações: [email protected] e (19) 3429 8836.
Fonte: CEPEA
AGRONEGÓCIO
Lideranças alertam que crédito recorde é ineficiente sem juros menores e seguro rural
O anúncio do Plano Safra 2026/27, marcado para a próxima terça-feira (30.06), chega ao produtor rural em meio a um clima de ceticismo. Enquanto o governo federal projeta um volume recorde entre R$ 570 bilhões e R$ 652 bilhões, as lideranças do setor alertam que, em um cenário de juros elevados e margens de lucro espremidas, o montante nominal importa menos do que a efetividade das taxas de equalização. O que o campo busca não é apenas liquidez, mas uma estratégia de sobrevivência que contemple o endividamento acumulado nos últimos ciclos.
Para a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o plano precisa ir além do anúncio de “recordes” orçamentários. A crítica central das bancadas é que o governo carece de uma visão estrutural de longo prazo: enquanto o custo de capital subiu, a subvenção ao seguro rural foi tratada como variável de ajuste orçamentário. Sem proteção contra intempéries, o crédito acaba financiando o risco, e não a produtividade, perpetuando o ciclo de inadimplência que já preocupa o Banco Central.
A Aprosoja Mato Grosso ecoa o descontentamento com a falta de previsibilidade. Para a entidade, de nada adianta um volume robusto se as linhas de investimento — essenciais para armazenagem e modernização — permanecerem travadas ou de difícil acesso para o médio produtor. O setor produtivo aponta que a paridade de importação e os custos de produção em patamares históricos exigem que o Plano Safra seja, antes de tudo, um instrumento de competitividade internacional, e não uma peça de marketing político que ignora a realidade técnica das fazendas.
Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Engenheiro Agrônomo Isan Rezende (foto), o setor está diante de uma encruzilhada. “O governo insiste em focar no volume total de crédito como se isso, por si só, garantisse a estabilidade da safra, mas esquece que o custo desse dinheiro tornou-se proibitivo para grande parte dos produtores. Não precisamos de um recorde de bilhões disponíveis se as taxas de juros não forem condizentes com a realidade de um setor que, nos últimos dois anos, foi duramente atingido por quebras climáticas sucessivas e pela volatilidade dos preços internacionais. O produtor hoje precisa de fôlego, não de novos passivos impagáveis”, afirmou Rezende.
“O agronegócio não pode ser tratado como um setor auxiliar que recebe atenção apenas quando a balança comercial precisa de socorro. Precisamos que o Plano Safra 2026/27 venha acompanhado de uma política clara de renegociação de dívidas e de um comprometimento real com o Seguro Rural. Sem isso, estamos apenas postergando um colapso financeiro que vai atingir desde o pequeno produtor até a economia das cidades que dependem diretamente do sucesso da nossa safra”, disse Isan.
“A nossa expectativa é de que, no dia 30, o anúncio não seja apenas um conjunto de números desenhado pela Fazenda para cumprir calendário. Queremos ver, de fato, a implementação de uma estratégia que proteja a nossa capacidade de investimento. Se o governo continuar tratando a equalização como um gasto primário e não como o investimento estratégico que é, estaremos condenando o próximo ciclo a uma estagnação perigosa. O agronegócio é o motor que mantém o Brasil respirando, e ele exige o respeito de ser tratado com política econômica técnica, e não com medidas paliativas que não resolvem o gargalo do custo do crédito na ponta”, concluiu o presidente do Instituto do Agronegócio.
Fonte: Pensar Agro
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