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Ações no combate as mudanças climáticas globais são apresentadas pela Aprosoja-MT

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Sustentabilidade

Ações no combate as mudanças climáticas globais são apresentadas pela Aprosoja-MT

A entidade participou do evento “Negócios Responsáveis EUA 2022, em Nova Iorque

19/04/2022

A produção brasileira de grãos, proteínas e fibras a base de carbono chega ao “coração” dos mercados voluntários de carbono, com uma nova cara. Esse foi um dos assuntos debatidos no “Negócios Responsáveis EUA 2022”, em Nova Iorque, com a participação do diretor administrativo da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Nathan Belusso, da gerente de Sustentabilidade da entidade, Marlene Lima e do representante do Instituto Ação Verde, consultor Éder Zanetti. 

Outro assunto debatido no evento foi a narrativa da destruição associada ao uso antropogênico da terra, tem suas origens na atividade constante de agentes interessados no comercio internacional de créditos de carbono. De acordo com o consultor Éder Zanetti, não é simplesmente construir uma nova narrativa que vai viver a produção brasileira. “Precisamos antes de uma estratégia global de ação, para garantir o papel de destaque que o Brasil ao longo do século XXI, no combate as mudanças climáticas globais.     

Segundo dados apresentados no evento, o Produto Interno Bruto (PIB) é de US$ 1,6 Tri e emite cerca de 400M tCO2e / ano, o mesmo resultado que o Brasil apresentou em 2020, fazendo com que este seja um mercado que tem tamanho igual a todo o nosso País. O Estado tem legislação voltada para a aquisição de CDU – RUCA e CDR – RCA, produtos à base de carbono que podem ser vendidos para reduzir o total de emissões Gases de Efeito Estufa (GEE), o que por si só já representa um modelo para o Brasil seguir.

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“A produção brasileira participa pela primeira vez em um evento como esse, é um marco para todos produtores rurais. “Como já aconteceu na COP26, emerge um novo Brasil, apresentado para os negócios como uma solução para as mudanças climáticas, através da sua capacidade de promover o cultivo antropogênico da terra da maneira mais sustentável existente no planeta”, declarou Zanetti.

Para gerente de Sustentabilidade da Aprosoja-MT, Marlene Lima, tornar o cultivo antropológico da terra de forma mais sustentável é preciso traçar um paralelo entre a legislação do governo de Nova Ioque e o Brasil, criando um sistema de regulamentação que possa ser aceito em ambos os países.

“Hoje, nossas exportações de produtos à base de carbono não são representativas, mas podemos aumentar isso em muito, com um programa conjunto de ação, um modelo para o mundo desenvolvido. A soja brasileira, por exemplo, pode produzir óleo de soja com carbono estocado, e cada litro do produto nacional que chega aos mercados internacionais pode ter 1kgCO2e associado, isso faz com que sejam reduzidas emissões GEE do comprador”, enfatizou a gerente de Sustentabilidade da Aprosoja-MT.

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“Os produtos rurais são ferramentas poderosas no combate as mudanças climáticas através do seu trabalho de preservação e cultivo responsável nos solos brasileiros. Estamos buscando mostrar esse trabalho sustentável ao mundo e assim desconstruir as narrativas criadas contra o setor agrícola. Ao mesmo tempo existe uma janela de oportunidade, onde podemos quantificar e remunerar todo esse trabalho sustentável através de produtos à base de carbono. Algumas ações feitas pelo governo de Nova Iorque podem nos auxiliar nesse objetivo, uma parceria que observamos com bons olhos.”, declarou o diretor administrativo da Aprosoja-MT, Nathan Belusso.

Fonte: Rosangela Milles

Assessoria de Comunicação

Contatos: Telefone: 65 3644-4215 Email: [email protected]

Fonte: APROSOJA

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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