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AGRONEGÓCIO

Abate de frangos, bovinos e suínos cresceram no 1º trimestre de 2025

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AGRONEGÓCIO

Com impulso da demanda doméstica e do ritmo firme das exportações, a produção de proteína animal no Brasil começou 2025 em curva ascendente. Dados da Pesquisa Trimestral do IBGE revelam crescimento no abate de bovinos, suínos e frangos no primeiro trimestre, apontando resiliência do setor em meio aos desafios de custos e clima adverso no campo.

Entre janeiro e março, o abate de bovinos somou 9,71 milhões de cabeças, um aumento de 3,8% na comparação anual. A produção de carcaças também subiu, totalizando 2,45 milhões de toneladas – avanço de 1,6% em relação ao mesmo período de 2024. Mesmo com leve retração frente ao último trimestre do ano passado, o resultado reforça o reaquecimento da pecuária de corte, após longo ciclo de baixa nos preços e desalento entre os criadores.

O sinal positivo reflete ajustes na oferta, melhora gradual da arroba e reabertura de canais de exportação, sobretudo para a Ásia. O movimento também evidencia o encerramento da fase de descarte e reposição de plantel, típica da fase final do ciclo pecuário.

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A suinocultura registrou 14,25 milhões de cabeças abatidas, com incremento de 1,4% frente ao primeiro trimestre de 2024. A produção de carcaças acompanhou o ritmo, alcançando 1,31 milhão de toneladas – alta de 1,9% no comparativo anual.

Apesar da estabilidade frente ao trimestre anterior, os números indicam capacidade de reação do setor, que enfrentou margens pressionadas por insumos caros e menor poder de compra do consumidor. A exportação segue como ponto de equilíbrio, especialmente para destinos como Filipinas, Vietnã e Hong Kong.

A avicultura industrial segue com desempenho sólido. O volume abatido no trimestre chegou a 1,63 bilhão de aves, alta de 2,3% na comparação anual. O peso total das carcaças foi de 3,45 milhões de toneladas, repetindo o mesmo percentual de crescimento.

Além da estabilidade de produção, o setor se beneficia da sua competitividade: o frango permanece como proteína mais acessível no mercado interno e é protagonista na balança comercial, com destaque para mercados como Japão, Emirados Árabes e México.

O volume de leite cru adquirido por laticínios sob inspeção oficial chegou a 6,48 bilhões de litros, avanço de 3,1% em relação ao mesmo período de 2024. No entanto, a comparação com o último trimestre aponta queda de 4,5%, reflexo da entressafra em parte das regiões e dos elevados custos operacionais, que ainda afetam o produtor.

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A indústria coureira registrou a compra de 10,08 milhões de peças inteiras de couro, crescimento de 8,4% na comparação anual. Já a produção de ovos de galinha atingiu 1,16 bilhão de dúzias, avanço expressivo de 5,6% em um ano, apesar de retração sazonal de 3,2% frente ao trimestre anterior.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Crédito privado cresce e amortece recuo do Plano Safra

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O avanço dos instrumentos privados de financiamento está ajudando o agronegócio a cobrir parte do espaço deixado pela retração das linhas tradicionais de crédito rural. O estoque de Cédulas de Produto Rural (CPRs) chegou a R$ 576,4 bilhões em junho, crescimento de 12% em 12 meses, enquanto fundos e títulos ligados ao setor também ganharam participação.

Os saldos dos Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros) cresceram 81% em dois anos. No mesmo período, os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) avançaram 9%. A expansão mostra que o financiamento da produção está se tornando mais diversificado e menos concentrado nos bancos.

Essa alternativa ganhou importância porque a área financiada pelas linhas de custeio do Plano Safra diminuiu 25,8% em 12 meses. O total passou de 34,2 milhões de hectares em julho de 2025 para 25,4 milhões no mesmo mês deste ano, segundo dados do Banco Central compilados pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).

O valor liberado caiu em proporção menor, de R$ 205,8 bilhões para R$ 181,1 bilhões, retração de 12%. O número de contratos recuou 10,3%, de 867 mil para 777,8 mil.

Na prática, o financiamento médio aumentou de aproximadamente R$ 6 mil para R$ 7,1 mil por hectare. Isso mostra que o crédito disponível está cobrindo uma área menor e acompanhando, ao menos parcialmente, o aumento dos custos de produção.

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As CPRs permitem ao produtor levantar recursos tendo como referência a produção rural, com pagamento em produto ou dinheiro. O instrumento pode ser negociado com bancos, cooperativas, tradings, fornecedores e investidores, ampliando as possibilidades além das linhas oficiais.

As emissões de CPRs somaram R$ 377,8 bilhões durante a safra 2025/26. Embora o estoque continue crescendo, o ritmo das novas operações perdeu força, sinal de que o crédito privado também sente os efeitos dos juros elevados e da maior cautela dos financiadores.

O acesso a essas alternativas ainda é desigual. Grandes produtores, cooperativas e empresas com maior capacidade de oferecer garantias conseguem chegar com mais facilidade ao mercado privado. Pequenos e médios agricultores continuam mais dependentes dos bancos, das cooperativas de crédito e das linhas subsidiadas do Plano Safra.

A maior seletividade está relacionada ao crescimento das operações rurais com algum grau de dificuldade. Em julho, 23,5% da carteira ativa estava classificada como problemática, somando R$ 207,5 bilhões. Esse valor não representa apenas inadimplência: inclui contratos em atraso, renegociados ou prorrogados.

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As instituições financeiras também passaram a reconhecer antecipadamente possíveis perdas, conforme as regras da Resolução 4.966, aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Em vigor desde janeiro de 2025, a norma leva os bancos a aumentar as reservas quando identificam deterioração na capacidade de pagamento, o que reforça a cautela nas novas concessões.

No Rio Grande do Sul, onde sucessivas perdas climáticas elevaram o endividamento, a área financiada caiu 29,3%. O valor contratado recuou 18,3%, para R$ 23,1 bilhões, e o número de operações diminuiu 16,4%, para 189,6 mil.

Apesar da retração, os resultados atuais da produção, das exportações e dos preços dos alimentos permanecem sustentados por lavouras implantadas com recursos contratados anteriormente. O efeito da redução mais recente do crédito será conhecido com maior clareza durante a safra 2026/27.

O crescimento das CPRs, dos CRAs e dos Fiagros mostra que o setor encontrou novos caminhos para financiar a produção. Esses instrumentos ainda não substituem o crédito bancário, principalmente para pequenos e médios produtores, mas ampliam as fontes de recursos e reduzem parte da dependência do Plano Safra.

Fonte: Pensar Agro

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