AGRONEGÓCIO
56ª Expoagro vai até domingo e celebra os 30 anos de atuação da Nelore-MT
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A 56ª edição da Exposição Agropecuária, Industrial e Comercial de Mato Grosso (Expoagro) está em pleno andamento em Cuiabá, com encerramento previsto para o próximo domingo, 21. Este ano, o evento ganha um brilho especial ao celebrar os 30 anos de atuação da Nelore MT na promoção e melhoria genética da raça Nelore no estado.
Durante a feira, a Nelore MT está realizando uma série de ações para divulgar a raça, incluindo a exposição e venda de 60 animais do programa Pró-Genética, desenvolvido pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ). Este programa é uma iniciativa fundamental que visa melhorar a qualidade genética do rebanho bovino no Brasil, proporcionando animais de alta qualidade a preços acessíveis, sem intermediários.
Alexandre Miranda El Hage, presidente da Nelore MT, destacou a importância desta trajetória durante a Expoagro. “Estamos completando três décadas de participação ao lado do Sindicato Rural de Cuiabá, promovendo o programa Pró-Genética da ABCZ. Nosso objetivo é difundir a raça e incentivar o melhoramento genético em todo o estado. Para isso, realizamos cerca de 20 eventos desse tipo em parceria com sindicatos rurais em Mato Grosso. Sabemos que a produtividade está diretamente ligada à genética, um elo essencial para a lucratividade das operações”, afirmou.
El Hage enfatizou que esses eventos são cruciais não apenas para os pecuaristas, mas também para o público em geral. “É fundamental que as pessoas conheçam a raça e as iniciativas de melhoramento genético. Hoje, 90% do rebanho mato-grossense é composto por gado Nelore ou ‘anelorado’, totalizando 34 milhões de cabeças. Isso demonstra a importância da raça para a lucratividade das propriedades, e queremos que essa informação chegue ao pequeno e médio produtor”, destacou.
Rayanne Lage Cordeiro, supervisora de provas zootécnicas da ABCZ, explicou que o programa Pró-Genética é desenvolvido em parceria com diversas instituições e visa oferecer animais de qualidade a preços acessíveis, eliminando intermediários. “Esse programa permite que nossos associados ofereçam seus animais e mostrem o trabalho realizado em suas propriedades. Por outro lado, é uma oportunidade para pequenos e médios produtores adquirirem esses animais. Na Expoagro, estamos disponibilizando 40 touros e algumas fêmeas, que ficarão expostos durante toda a feira. Os pecuaristas interessados poderão negociar diretamente com os vendedores”, afirmou.
A exposição dos animais do programa Pró-Genética na Expoagro prossegue até o dia 21 de julho. Neste ano, o programa já passou por várias cidades, incluindo Colíder, Sinop, Paranaíta, Pontes e Lacerda, Poconé, Poxoréo e Cuiabá, e ainda tem eventos agendados em Campinápolis, Cocalinho, Barra do Garças e Juara.
Este ano, a Expoagro não só celebra a longa trajetória da Nelore MT, mas também reforça a importância da genética de qualidade para a produtividade e sustentabilidade do setor agropecuário de Mato Grosso, refletindo o compromisso contínuo da associação com o desenvolvimento do agronegócio no estado.
Fonte: Pensar Agro
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Trump taxa o Brasil por “trabalho escravo”, mas compra 30 vezes mais de “países suspeitos”
Os Estados Unidos começaram a cobrar, nesta sexta-feira (24.07), uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros sob a justificativa de que o país não impediria de maneira efetiva a importação de mercadorias produzidas com trabalho escravo.
Para parte das exportações brasileiras, a nova tarifa será somada à sobretaxa de 25% (veja aqui) que entrou em vigor na quarta-feira (22), elevando o adicional a 37,5%. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a cobrança acumulada alcança setores como calçados, máquinas e equipamentos, incluindo maquinário agrícola, peças, vestuário e produtos químicos não farmacêuticos. Café e suco de laranja ficaram isentos das duas medidas, enquanto a celulose será atingida somente pelos 12,5%. A incidência final dependerá do código tarifário de cada mercadoria.
O argumento norte-americano, porém, esbarra nos próprios números e mostra que a decisão é eminentemente política. Segundo levantamento do Global Slavery Index, elaborado pela fundação Walk Free e apresentado ao G20, os Estados Unidos importam anualmente US$ 169,6 bilhões em mercadorias suspeitas de terem sido produzidas com trabalho forçado e nenhum desses países foi sobretaxado. No caso brasileiro, o montante é de US$ 5,6 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 28,5 bilhões, ou seja 30 vezes mais.
A classificação da fundação Walk Free não significa que todas essas mercadorias tenham sido comprovadamente produzidas por trabalhadores escravizados, mas mostra que o mercado norte-americano permanece como um dos principais destinos mundiais de bens provenientes dessas cadeias que se utilizam de mão de obra escravizada.
Entre as compras dos Estados Unidos classificadas como de risco estão US$ 107,6 bilhões em eletrônicos procedentes principalmente da China e da Malásia. Também aparecem US$ 52,4 bilhões em roupas produzidas em países como China, Vietnã, Bangladesh, Índia e Malásia. A lista inclui ainda pescados, madeira e produtos têxteis.
Outra incoerência: a nova cobrança não proíbe a entrada dessas mercadorias. Os produtos originados em cadeias apontadas como vulneráveis ao trabalho forçado poderão continuar chegando aos Estados Unidos desde que os importadores paguem o imposto adicional.
O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) que “investigou” o Brasil não formalizou uma acusação de que os produtos brasileiros estão sendo fabricados com trabalho escravo. Apenas frisou que inexiste uma proibição de importação considerada suficientemente abrangente, para impedir que mercadorias produzidas nessas condições em terceiros países entrem no Brasil, e daqui cheguem aos Estados Unidos .
Essa foi uma forma de justificar o injustificável, já que o Brasil possui uma estrutura própria de repressão ao trabalho análogo à escravidão. O artigo 149 do Código Penal enquadra como crime situações envolvendo trabalho forçado, jornada exaustiva, condições degradantes e restrição da liberdade por dívida. O país também mantém grupos móveis de fiscalização e um cadastro público de empregadores responsabilizados administrativamente, conhecido como Lista Suja do Trabalho Escravo.
Desde 1995, mais de 68 mil trabalhadores foram retirados de condições análogas à escravidão em mais de 8 mil ações fiscais, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego. Somente em 2025, foram resgatadas 2.772 pessoas, enquanto as fiscalizações resultaram no pagamento de aproximadamente R$ 9,4 milhões em verbas trabalhistas e rescisórias. A versão mais recente da Lista Suja foi atualizada em 14 de julho deste ano.
Esses números não significam que o problema esteja eliminado no território brasileiro. Eles demonstram, entretanto, que o país reconhece a existência das irregularidades, investiga denúncias, responsabiliza empregadores e retira trabalhadores das situações encontradas. O próprio relatório produzido pelo USTR registra manifestações apresentadas durante a investigação que destacaram a existência de uma estrutura legal e institucional consolidada no Brasil.
Outro ponto que relativiza a justificativa humanitária está no amplo conjunto de exceções definido pelos Estados Unidos. Ficaram protegidas da nova tarifa matérias-primas que possam provocar desabastecimento, produtos capazes de gerar impactos econômicos mais amplos e mercadorias que não possam ser produzidas em quantidade suficiente no território norte-americano.
A lista de exceções alcança itens de interesse direto do agronegócio, como determinados produtos de origem animal, sementes, insumos para fertilizantes e defensivos, couros, madeira, café solúvel sem aromatização e volumes de açúcar importados dentro das cotas estabelecidas. Na prática, a aplicação da medida será determinada não apenas pelo argumento relacionado ao trabalho forçado, mas também pela necessidade de preservar o abastecimento e os custos da economia americana.
Para o agro brasileiro, o impacto será desigual. Produtos incluídos nas exceções poderão continuar entrando sem a nova cobrança, enquanto os demais ficarão sujeitos aos 12,5%. Nos casos em que a tarifa se somar à sobretaxa de 25% estabelecida em outra investigação comercial, a cobrança nominal poderá alcançar 37,5%, dependendo da classificação aduaneira de cada mercadoria.
O momento escolhido para colocar a medida em vigor também chama atenção. A nova tarifa começou a valer exatamente quando terminou a cobrança global temporária de 10% criada anteriormente pelo governo norte-americano. Em fevereiro, a Suprema Corte dos Estados Unidos havia derrubado as chamadas tarifas recíprocas, que variavam de 10% a 50%. Agora, Washington recorreu à Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 para recompor uma barreira de alcance semelhante sob outra fundamentação jurídica.
A coincidência entre o calendário eleitoral e o aumento das barreiras comerciais mostra que as tarifas norte-americanas deixaram de ser apenas um instrumento de política comercial e passaram a integrar o ambiente político brasileiro.
Fonte: Pensar Agro
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