POLITÍCA NACIONAL
Relator propõe jornada máxima de 40 horas e restrições à escala 6×1
POLITÍCA NACIONAL
O deputado Luiz Gastão (PSD-CE) apresentou nesta quarta-feira (3), na Câmara dos Deputados, relatório em que defende a redução da jornada de trabalho máxima no Brasil das atuais 44 horas semanais para 40, mantidos os salários. Não houve acordo para votação.
Luiz Gastão é relator da Subcomissão Especial da Escala de Trabalho 6×1, criada para debater a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 8/25, da deputada Erika Hilton (Psol-SP). Em tramitação na Câmara, a iniciativa estabelece uma jornada máxima de 36 horas semanais, com quatro dias de trabalho e três de descanso.
Após críticas, os deputados Vicentinho (PT-SP) e Leonardo Monteiro (PT-MG) pediram vista do relatório.
O presidente da Comissão de Trabalho – à qual a subcomissão especial está subordinada –, deputado Leo Prates (PDT-BA), afirmou que, se houver consenso, apresentará novo texto até a próxima semana.
“Quando não há uma visão única, a gente tem que colocar a nossa e aí a maioria decide. Eu acho que não conseguiremos concluir a análise neste ano, mas a gente vai iniciar o que é nossa obrigação, o processo de votação”, afirmou Leo Prates.
Alternativas sugeridas
Luiz Gastão reconheceu a legitimidade das lutas pela redução da jornada, mas avaliou que as 36 horas seriam hoje insustentáveis economicamente, gerando custos desproporcionais, especialmente para micro e pequenas empresas. A PEC foi debatida com 43 convidados em quatro audiências públicas.
O parecer dele sugere uma transição, ao longo de três anos, para redução da jornada semanal e cria restrições para o trabalho aos sábados e domingos, com pagamento em dobro do período que exceder o limite de seis horas nesses dias.
Para atenuar os impactos econômicos da futura jornada de 40 horas, Luiz Gastão sugeriu a redução dos impostos sobre a folha de pagamento para empresas em que os custos com salários representem mais de 30% do faturamento.
Iniciativas legislativas
O relatório final inclui dois anteprojetos: uma PEC para assegurar direitos aos trabalhadores e uma proposta para ajustar a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Ambos precisam ser protocolados formalmente para iniciar a tramitação.
A PEC altera o artigo 7º da Constituição Federal para fixar a duração do trabalho normal em, no máximo, oito horas diárias e 40 horas semanais. O texto exige ainda lei federal para definir o regime de transição para a nova carga horária.
Já o anteprojeto de lei ordinária modifica a CLT para regulamentar a transição em três etapas (42 horas semanais no primeiro ano, 41 no segundo e 40 no terceiro) e as limitações do trabalho aos sábados e domingos, com uma folga quinzenal.
Recomendação da OIT
A primeira convenção da Organização Internacional do Trabalho (OIT) definiu, em 1919, jornadas máximas de oito horas diárias e 48 semanais. Desde 1935, a Convenção 40, à qual o Brasil aderiu, apoia 40 horas semanais.
Em seu relatório, Luiz Gastão citou também a Recomendação 116 da OIT, 1962, que orienta a redução progressiva da jornada e manutenção de salários por leis, de acordos coletivos ou de outros meios alinhados com as práticas nacionais.
“A redução da jornada de trabalho semanal para 40 horas, sem prejuízo salarial, representa um avanço significativo na promoção da saúde, da qualidade de vida e da eficiência produtiva”, defendeu o deputado Luiz Gastão no parecer.
Segundo o deputado, a jornada média no Brasil já é de 37,9 horas por semana, conforme acordos coletivos vigentes no mercado de trabalho.
Reportagem – Ralph Machado
Edição – Rachel Librelon
Fonte: Câmara dos Deputados
POLITÍCA NACIONAL
Poder Executivo anuncia MPs contra bets e endividamento das famílias
Foram anunciadas pela Presidência da República, no início da noite desta sexta-feira (25), duas medidas provisórias (MPs), uma delas proibindo as chamadas apostas por quota fixa, conhecidas como bets, e outra com ações para aliviar a situação de endividamento das famílias, programa batizado como Desenrola Brasil 3.0.
No mesmo evento em São Paulo que tratou da edição das MPs, também foi anunciado um projeto de lei de iniciativa do Poder Executivo, que tipifica crimes relacionados aos jogos de azar on-line. As MPs passam a valer a partir de sua publicação no Diário Oficial da União.
Calendário
A partir da publicação da MP, não serão mais permitidas as apostas on-line no país. No caso de aportes já feitos, a MP prevê a devolução dos saldos em contas em sites desse tipo.
Também a partir da entrada em vigor do texto, não será permitida nova contratação de publicidade de apostas. O que já foi contratado poderá ser veiculado até o dia 5 de outubro, quando também deverá ocorrer a retirada dos sinais visíveis de patrocínio. Veja algumas datas do calendário da MP.
- 5 de outubro: prazo para os usuários retirarem voluntariamente o dinheiro dos aportes que fizeram nas plataformas.
- 6 de outubro: sites de apostas serão bloqueados no país, redirecionando à informação sobre a devolução de valores.
- 7 e 8 de outubro: empresas de apostas informarão aos bancos os saldos das contas dos apostadores.
- 9 a 14 de outubro: os bancos farão a devolução dos valores aos apostadores que tiverem contas.
- A partir de 14 de outubro: em caso de algum impedimento no processo, a Caixa Econômica Federal intermediará a devolução aos apostadores.
Proteção
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, entre 2018 e 2025 os atendimentos no Sistema Único de Saúde (SUS) cresceram cerca de 140% para questões ligadas ao jogo patológico.
O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, explicou no evento de apresentação das medidas provisórias que o público-alvo da MP para redução do endividamento são as famílias com dívidas em atraso de dois anos a quatro anos e meio. A estimativa é que as dívidas dessas famílias cheguem a R$ 300 bilhões. O objetivo é reduzir em 50% esse valor.
De acordo com o ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, o governo reforçará a remoção de sites ilegais e investigações das movimentações financeiras. Veja algumas medidas previstas na MP do fim das bets:
- Força-tarefa composta por diversos órgãos do governo;
- Integração de forças e compartilhamento de informações estratégicas;
- Reforço da estrutura do Ministério da Justiça e da Polícia Federal sobre o tema;
- Oferecimento do canal www.gov.br/falabr para denúncias sobre bets e jogos on-line.
Projeto de lei
O governo anunciou que vai enviar ao Legislativo um projeto de lei que tipifica crimes específicos relacionados aos jogos on line. De acordo com a minuta do projeto, a pena será de quatro até seis anos de cadeia, além de multa, para quem operar ou explorar as bets de forma irregular. Influenciadores que lucram com a divulgação de apostas ilegais também poderão ser responsabilizados pela proposta, com pena de até quatro anos de prisão.
O texto também vai, segundo o Executivo, transformar em crime o uso de dados pessoais com o objetivo de captar apostadores ou direcionar publicidade de bets. A pessoa que fornecer, negociar, comercializar ou utilizar cadastros e listas de dados para essa finalidade poderá pegar de dois a quatro anos de cadeia, além de multa.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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